No princípio era o silêncio. Depois, alguns chiados e zunidos e, finalmente, no dia 07 de setembro de 1922, realizou-se a primeira transmissão radiofônica oficial no Brasil, como parte das comemorações do Centenário da Independência. A Westinghouse Electric e a Companhia Telefônica Brasileira instalaram no alto do Corcovado, no Rio de Janeiro, uma estação transmissora de 500 Watts, inaugurada com um discurso do então presidente da República Epitácio Pessoa, diretamente do Teatro Municipal. Após o discurso, seguiram-se apresentações de música clássica, como a ópera O Guarani. Tudo isso foi captado por cerca de oitenta aparelhos receptores de rádio, distribuídos pelo Rio de Janeiro, Niterói, Petrópolis e São Paulo, algo espantoso para a época.
Mas essa foi apenas uma transmissão experimental. Em 20 de abril de 1923, Edgar Roquette Pinto e Henry Morize inauguraram a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, primeira emissora do País. Acredite: essa emissora pioneira está no ar até hoje, pois, em 1936, ela foi doada ao Ministério da Educação. Hoje, ela se chama Rádio MEC.
Mas tudo isso aconteceu lá pelos lados do Rio de Janeiro. Aqui, em Novo Oriente e, depois, Pereira Barreto, em pleno interior do Brasil, centenas e centenas de quilômetros distante dos grandes centros urbanos, ter um receptor de rádio, nas décadas de 20, 30 e 40, era um privilégio de pouquíssimos.
Na década de 40, um dos poucos a possuir um receptor de rádio em Pereira Barreto era o Sr. Léo Liedtke, proprietário de uma padaria na Avenida Brasil e pai do ex-prefeito Léo Liedtke Junior. Era lá que algumas pessoas da cidade se reuniam naquela época, por exemplo, para saberem notícias da II Guerra Mundial (1939-1945). Os aparelhos eram caros para a maioria dos moradores de Pereira Barreto naquele tempo.
Já no final da década de 40 e início dos anos 50, os aparelhos receptores de rádio se tornaram um bem mais acessível e, portanto, mais popular. Havia até quem montasse aparelhos receptores de rádio. Era o caso, por exemplo, do Sr. Cozo Taguchi, que, entre muitas de suas habilidades, uma era a eletrônica. Ele montava aparelhos receptores de rádio.
Várias pessoas em Pereira Barreto já podiam, então, entrar em contato, em tempo real, com os grandes centros pelo som das principais emissoras de rádio de alcance nacional, como a então badalada Rádio Nacional do Rio de Janeiro, bem como sua concorrente mais direta, a Rádio Mayrink Veiga, também do Rio de Janeiro, que, na época, era a capital do País. Muitos moradores de nossa cidade, naquele tempo, já acompanhavam as famosas radionovelas, os programas de auditório, os humorísticos, as transmissões esportivas, os noticiários. Assim, como hoje, as pessoas têm o hábito de assistir ao Jornal Nacional, na Rede Globo, naquele tempo, havia quem não fosse dormir sem antes ouvir O GRANDE JORNAL FALADO TUPI, que ia ao ar de segunda a sexta-feira, às 22h, pela Rádio Tupi, de São Paulo, que informava as últimas notícias do Brasil e do mundo. Não podemos nos esquecer, também, do famoso REPÓRTER ESSO, que fez muito sucesso em várias emissoras de rádio do Brasil, ao longo das décadas de 40, 50 e 60. Era um noticioso rápido, que ia ao ar de hora em hora, dando as últimas notícias do Brasil e do mundo, sempre de forma rápida e resumida, num estilo jornalístico importado dos Estados Unidos. Faziam sucesso, também, os famosos programas musicais, com a participação ao vivo dos maiores cantores da época, como Emilinha Borba, Cauby Peixoto, Sílvio Caldas, Orlando Silva, Nélson Gonçalves, as irmãs Linda e Dircinha Batista, Marlene, Ângela Maria, Ivon Cury e muitos outros. Por causa disso, muita gente não deixava de comprar, toda semana, a então famosa REVISTA DO RÁDIO, que trazia reportagens sobre os artistas e, em especial, as suas fotos. Como naquele tempo não havia TV por aqui ainda, a oportunidade de ver como eram os artistas fisicamente era pelas fotos das revistas e jornais ou então no cinema, por meio dos filmes humorísticos da época, as famosas chanchadas, nos quais os cantores do rádio apareciam interpretando seus sucessos.
Programa de auditório da Rádio Nacional do Rio de Janeiro
ENTRA NO AR A PRIMEIRA EMISSORA DE RÁDIO DE PEREIRA BARRETO
Meado
dos anos 50. Chegou a hora de a pequena Pereira Barreto também se
ouvir no rádio. Em 14 de abril de 1955, graças à iniciativa do Dr.
Benevides Lopes Siqueira e do então prefeito Cyro Maia, foi
inaugurada, com pompa e circunstância, a ZYR
87, Rádio Pereira Barreto S.A.,
com um show no Cine
Itapura,
apresentado por Edson Cabariti Cury, o “Bolinha”, que na época
trabalhava na Rádio Luz, de Araçatuba, e depois tornou-se um famoso
apresentador das TV. A grande atração do show foi a cantora
Emilinha Borba, uma das maiores estrelas da Rádio
Nacional do Rio de Janeiro naquele
tempo.
As
instalações da emissora pioneira eram modestas. Seus estúdios se
localizavam na Rua Bernardino de Campos (hoje, Rua Cyro Maia), na
região onde se encontra atualmente a loja matriz dos Supermercados
Proença. Além dos estúdios, a emissora contava ainda com salas de
administração, uma discoteca e um pequeno auditório. Seu
transmissor, localizado na região da Vila Nova, tinha então
100 watts de
potência.
Em 1963, o controle da Rádio Pereira Barreto foi vendida para a Rede Alpes, um grupo que tinha emissoras de rádio por todo o Brasil e que era sediado em São Paulo (Capital). A administração local da emissora ficou a cargo do radialista Cláudio Parizzi.
Discoteca
da antiga Rádio Pereira Barretoo
Em
meados da década de 60, a Rádio Pereira Barreto passou para o
controle do Sr. Waldomiro Rocha Domingos, de Araçatuba, mas, logo em
seguida, foi vendida para o Grupo Gerka,
composto pelos radialistas Fauzi
Kassin, Normando
Lopes e Gercy
Barbosa,
da cidade de Guararapes (SP), que assumiram a administração da
emissora, em 1967. A primeira iniciativa dos novos administradores
foi construir um prédio próprio para a emissora. Em 1970, a Rádio
Pereira Barreto foi transferida para a Av. Brasil, 1587, hoje
pertencente à empresa Vitória Festas.
O
Ministério das Comunicações promoveu uma reforma total nos
prefixos e frequências das emissoras de rádio que operavam em ondas
médias no Brasil, em meados dos anos 70. O prefixo da Rádio Pereira
Barreto passou de ZYR87 para ZYK625,
e sua frequência foi alterada de 730
khz para 690
Khz.
Em seguida, a potência de seu transmissor foi ampliada para 1000
watts,
o que fez com que a Rádio Pereira Barreto aumentasse seu raio de
abrangência.
Nos
anos 50, 60 e 70, o rádio ainda era o grande veículo de comunicação
de massa dos brasileiros. Em Pereira Barreto não era diferente. No
rádio, os pereira-barretenses daqueles idos tempos podiam ouvir, por
ondas curtas, as grandes emissoras do Rio de Janeiro e de São Paulo,
saber o que acontecia no Brasil e no mundo, ao mesmo tempo em que
podiam, também, ouvir o som da cidade, nas vozes nos locutores da
Rádio Pereira Barreto. Naquele tempo, quando não existia TV digital
via satélite, nem Internet, nem smartfones, o rádio podia fazer
esse milagre.
Quando
a TV começou a chegar a Pereira Barreto, em meados dos anos 60, com
imagem e som precários ainda, somente um canal para ver e receptores
ainda caros para a grande maioria dos pereira-barretenses, ela não
diminuiu a supremacia do rádio na cidade. Apesar do diferencial da
imagem, a TV apresentava, na época, uma grande desvantagem em
relação ao rádio: uma emissora como a Rádio Bandeirantes, de São
Paulo, por exemplo, só dependia de um bom transmissor de ondas
curtas instalado em São Paulo para que sua programação pudesse ser
ouvida aqui em Pereira Barreto. Já a imagem e o som da TV Tupi, de
São Paulo, por exemplo, para chegar a Pereira Barreto, precisavam
percorrer uma enorme rede de links terrestre de repetidoras
espalhadas pelo interior do Estado de São Paulo. Em um receptor de
TV, que tinha que ficar em um local fixo, ligado a uma antena
externa, os telespectadores pereira-barretenses de meados da década
de 60 só podiam ver um canal de TV. Já com em um pequeno rádio de
pilhas, da marca EVADIM, por exemplo, um dos mais vendidos na época,
que vinha com uma bela capinha de couro marrom e podia ser levado
para qualquer lugar, um pereira-barretense podia não só ouvir a
Rádio Pereira Barreto, como também captar várias emissoras de
rádio do Brasil e de outros países, sem a necessidade da existência
de uma grande estrutura para isso, uma facilidade que só o rádio,
em ondas curtas, pode oferecer, inclusive nos dias de hoje, já que a
única estrutura que existe para isso é a torre transmissora da
emissora e a antena do aparelho receptor. É possível, sim, ver um
programa de TV ou ouvir um programa de rádio de qualquer parte do
mundo, pela Internet, hoje em dia, com boa qualidade de imagem e som.
Mas, para isso, há necessidade de uma enorme infraestrutura,
composta por uma infinita malha de cabos de fibra ótica, satélites,
torres de micro-ondas espalhados pelo mundo afora. O rádio, com suas
ondas curtas, embora não ofereça a mesma qualidade de recepção,
dispensa tudo isso.
Diferentemente
do mundo globalizado de hoje, naquele tempo, pelas próprias
limitações técnicas e logísticas que havia para se manter contato
com o resto do País e do mundo, as pessoas tinham suas atenções
mais voltada para a própria comunidade, para o universo local, seu
cotidiano. Isso fazia com que a emissora local de rádio exercesse
uma forte influência na população. Era o que acontecia com a Rádio
Pereira Barreto naquele tempo. O lazer e a vida cultural dos
pereira-barretenses estava nos circos, nos parques de diversão, nos
bailes do CAP, nas quermesses, nos filmes do Cine Itapura,
no footing na
Praça da Bandeira, nos jogos de futebol no Estádio Municipal nas
tardes de domingo e, obviamente, na programação da Rádio Pereira
Barreto. Os locutores e apresentadores do rádio local eram as
grandes estrelas da cidade.
No
início de suas atividades, em 1955, a Rádio Pereira Barreto
funcionava das 8h às 12h e das 15h às 22h. Mas, com o passar do
tempo, o horário de funcionamento foi estendido: a emissora passou a
entrar no ar às 6h e encerrava suas transmissões às 22h. Só bem
depois, no final dos anos 60, foi que a Rádio Pereira Barreto passou
a encerrar sua programação à meia-noite. No seu início, a
programação da Rádio Pereira Barreto era composta basicamente de
músicas e radionovelas, que a emissora comprava, já previamente
gravadas, de grandes emissoras de São Paulo e do Rio de Janeiro. Com
exceção das radionovelas, a programação, no início, era quase
que toda feita ao vivo. Como a emissora tinha um pequeno auditório,
eram comuns, principalmente aos domingos, programas com a
apresentação de artistas locais. Tudo era muito simples, sem muitos
recursos. Alguns participantes frequentes desses programa de
auditório eram as Irmãs França, Zé Barqueiro e Pirangueiro,
Betinho e Nice, Cambari e Cambará, Ouro Preto e Sorocaba.
Infelizmente,
não temos documentação histórica, nem áudios gravados que nos
possibilitem reconstruir a história sonora da antiga Rádio Pereira
Barreto. Mas temos depoimentos de quem trabalhou na emissora e viveu
o cotidiano de sua fase áurea.
Segundo
Adilson Floriano Bená, que foi funcionário da Rádio Pereira
Barreto, entre o início de 1957 e dezembro de 1959, naquele tempo,
os proprietários da emissora ainda eram o Dr. Benevides Lopes
Siqueira e Cyro Maia, que fora prefeito da cidade, entre 1952 e 1955,
e que voltaria à Prefeitura, de 1960 a 1963. O gerente, então, era
Iran Leite de Abreu, que além de gerenciar a emissora, era locutor e
apresentava programas musicais e de auditório, muito comuns ainda
naquele tempo, e comandava, também, junto com o Sr. Francisco
Caparroz Sallas, o noticioso “Meio-dia em Notícias”, além de
fazer transmissões esportivas, tendo como repórter de campo o Sr.
Tarcísio Sobrinho dos Santos. Adilson Floriano Bená, que era
sonoplasta na época, lembra, também, de alguns colegas daquele
tempo, como Olímpio Rodrigues, Jair Gonçalves da Silva (Azulão),
Osvaldo Gonçalves da Silva (Chita), que não eram locutores, mas,
sem eles, a emissora não ia ao ar.
Outro
nome saudoso da emissora foi José Gonçalves da Silva, mais
conhecido como “Zé Macaco”, que apresentava programas musicais,
mas seu grande destaque, na época, foi “Tangos e Poesias”, que
ele apresentava toda noite, às 21 horas. Outros nomes que
participaram da história da Rádio Pereira Barreto: Nair Brandino,
que apresentava programas de músicas populares; Arnaldo, conhecido
como “Zé Linguiça”, que apresentava programas sertanejos;
Alfredo Leite de Abreu, que apresentava programas de músicas
populares; Dejair Leite de Abreu, que também fazia programas de
músicas populares; Santo Atanásio de Jesus, outro locutor que
apresentava programas de músicas populares; José Leonildo Moretti,
o popular “Italiano”, que apresentava o saudoso “Ranchinho do
Italiano; Francisco Carlos, o “Chico da Riachuelo”, que
apresentava programa sertanejo; Clemente Zeferino Vieira, o “Léo
do Bazar” (Bazar do Léo), que animava o “Ranchinho do Léo”;
Iosetsi Nokawa, que fazia um programa dirigido à colônia japonesa
da cidade, chamado “A Hora do Sol Nascente”. Além desses, não
podemos nos esquecer de Cláudio Parisi, que, além de locutor, foi
gerente da Rádio Pereira Barreto, quando ela foi vendida para a Rede
Alpes, em 1963. Valdecil Elias Barbosa foi outro locutor que fez
muito sucesso no final dos anos 60. Gercy Barbosa, Fauzi Kassin,
Normando Lopes (Germano), que formavam o Grupo
Gerka, que assumiu
o controle da Rádio Pereira Barreto em 1967, também marcaram a
história da emissora, assim como também como Mané, Valdir De Vito
e Washington Luiz de Oliveira, Outro que fez muito sucesso na
emissora como apresentador de programas de música sertaneja foi o
“professor” Odilon Soares. Ao longo dos anos, muita gente
participou da história da Rádio Pereira Barreto, uns
profissionalmente, outros voluntariamente. Entre eles, podemos citar:
Moacir Antônio de Oliveira (locutor), Orlando Elias (sonoplasta),
Izá de Lima (locutora), J. Rodrigues (locutor), José Marques
(locutor), Júlio César Morbi (sonoplasta), Marco Antonio Morbi
(sonoplasta), Manoel dos Santos (locutor e também trabalhou na área
financeira), Aparecido Paulo Ribeiro (sonoplasta), Wagner Perles
(locutor), Edi Soares (sonoplasta), Eudes Mussi (sonoplasta), Nilson
Pereira (sonoplasta), Vander Miranda (sonoplasta), Antônio Barbosa
(locutor), Aécio Marques Rosabone (locutor), Antônio Carlos Rapasse
(sonoplasta), João Alberto de Castro (locutor), Aparecido César dos
Santos (sonoplasta), Roberto Tieres Watanabe (locutor) e
provavelmente muitos outros que as memórias de meus prezados
colaboradores não permitiram citar aqui.
Nos
anos 50, 60 e 70, a programação da maioria das emissoras de rádio
do interior do Brasil mantinha um certo paradigma: cada gênero
musical tinha horários tradicionalmente específicos: música
sertaneja só se tocava de manhã, bem cedo, até às 8 horas e à
tarde, depois das 17 horas. Naquele tempo, era música sertaneja
mesmo, do tipo “raiz”, o sertanejo clássico. Não existia ainda
chamado sertanejo universitário de hoje em dia. O resto da
programação era preenchido com música popular (rock, samba, bossa
nova, jovem guarda, etc.). O período da noite, geralmente,
reservava-se a músicas mais antigas, as chamadas “hora da
saudade”. Algumas emissoras também inseriam músicas sertanejas
também à noite. A Rádio Pereira Barreto, desde seu início, não
fugia a essa paradigma tradicional da maioria das emissoras de rádio
do interior do Brasil daquele tempo.
No
final dos anos 50, programas religiosos em rádio não eram tão
comuns como hoje. Mas foi logo nos primeiros anos de existência da
Rádio Pereira Barreto que surgiu um programa dirigido à comunidade
católica da cidade: “A Luz da Oração”, que, inicialmente, era
apresentado pelo Frei Timóteo Maria de Porangaba, que ia ao ar de
segunda a sábado, às 18 horas. Apresentado por religiosos e por
leigos, esse programa permaneceu no ar até 1989, quando a emissora
foi vendida ao Sistema Regional de Comunicação.
Outro
fato curioso nos conta Adilson Floriano Bená: nos primeiros anos de
sua existência, a Rádio Pereira Barreto não retransmitia o
programa “A Voz do Brasil”. Às 19 horas, quando o programa ia ao
ar pela maioria das emissoras de rádio do Brasil, a Rádio Pereira
Barreto saía do ar. Modesta, a emissora não tinha como retransmitir
o programa diário do governo federal. Os programas que não eram
feitos aqui, ou seja, produzidos pelas grandes emissoras do Rio de
Janeiro e São Paulo, já vinham previamente gravados. Mas em 1958,
estava sendo disputada a Copa do Mundo da Suécia e havia,
obviamente, uma grande expectativa de o Brasil conquistar seu
primeiro título mundial de futebol, como realmente ocorreu. A Rádio
Pereira Barreto não podia ficar fora dessa. Graças a uma ideia de
Adilson, que era sonoplasta da emissora, a Rádio Pereira Barreto
conseguiu retransmitir os três últimos jogos do Brasil na Copa do
Mundo de 1958, em cadeia com a Rádio Bandeirantes, de São Paulo,
sob o comando de Edson Leite, Pedro Luiz e Mario Moraes (Brasil 1 x
Pais de Gales 0; Brasil 5 x França 2; e Brasil 5 x Suécia 2).
Pronto. Brasil campeão mundial. E como foi a retransmissão dos
jogos, já que naquele tempo não havia satélites e redes de
micro-ondas, como há hoje? Adilson pegou um rádio com recepção em
ondas curtas, sintonizou na Rádio Bandeirantes, e colocou o
microfone da rádio na frente do receptor. Simples assim. E os três
últimos jogos do Brasil na Copa do Mundo de 1958 foram ao ar pela
Rádio Pereira Barreto. Depois, adotaram a mesma “técnica” de
retransmissão com a “Voz do Brasil” e com as jornadas esportivas
dos domingos à tarde, quando, obviamente, não havia transmissão
local de jogos no Estádio Municipal de Pereira Barreto.
A
emissora era modesta, tudo era muito precário, muito sem recursos.
Como no caso da “técnica” utilizada para retransmitir os jogos
finais da Copa do Mundo de 1958, tudo era na base do improviso.
Conta, ainda, Adilson Floriano Bená que, como a emissora ficava no
centro da cidade, onde fica hoje a loja matriz do Supermercado
Proença, e a torre de transmissão ficava na Vila Nova, uma
distância considerável, percorrida, obviamente, por alguns
quilômetros de cabos, suspensos por postes de iluminação da
cidade, essa distância toda acarretava uma queda na qualidade do som
da emissora. Além disso, toda vez que chovia ou ventava muito, os
cabos de transmissão entre a emissora e o transmissor saíam do
lugar em alguns pontos, o que fazia a emissora sair do ar. A solução,
segundo Adilson, era uma longa vara de bambu para sanar o problema.
Nem
sempre, é claro, se usou o improviso e o microfone na frente do
receptor de rádio para retransmitir programas de outras emissoras.
No início dos anos 80, a então recém-inaugurada Rádio Capital, de
São Paulo formou uma grande rede de rádios para transmissões
esportivas. A Rádio Pereira Barreto fazia parte dessa rede. As
jornadas esportivas da Rádio Capital eram retransmitidas pela Rádio
Pereira Barreto por linha telefônica, usando, já, a rede de
micro-ondas da TELESP para a retransmissão. Nem poderia ser
diferente, já que a Rádio Capital de São Paulo nunca transmitiu e
nem transmite em ondas curtas.
DEU
NA “ROTATIVA”
Marcha
militar “Stars and Stripes Forever”, de John Philip Sousa, uma
das música de abertura e fundo musical do programa Rotativa
no Ar.
“Tenham todos um bom dia, amigo ouvinte. Começa aqui mais uma emissão radiojornalística desta emissora: Rotativa no Ar, uma síntese dos principais acontecimentos da cidade, da região, do Estado, do Brasil e do mundo”, dizia Gercy Barbosa na abertura de seu mais famoso programa, tendo sempre ao fundo as marchas de John Philip Sousa, entre as quais The Stars and Stripes Forever, Semper Fidelis. King Cotton March, e El Capitan No início dos anos 70, Gercy Barbosa, lançou o “Jornal de Integração Regional”, que logo teve seu nome alterado para “Rotativa no Ar”. O programa começava às onze e meia da manhã e foi, provavelmente, o mais marcante da história do rádio pereira-barretense, com notícias locais, entrevistas e até debates. O noticiário geral… Bom!… O noticiário geral… A emissora, modesta, obviamente, não tinha teletipos nem serviço de rádio escuta. Então, o noticiário geral era retirado das edições do dia anterior do ESTADÃO e da FOLHA mesmo, já que os jornais do dia, naquele tempo, só chegavam à cidade no final da tarde. Mas o noticiário geral podia ser visto pela TV, à noite. O que importava para os ouvintes eram as notícias locais, principalmente as policiais, os debates, as entrevistas, as polêmicas. O programa era tão comentado, que, ainda hoje, em pleno século XXI, mais de vinte e sete anos após o fim da Rádio Pereira Barreto, o programa “Ronda Policial”, apresentado pela radialista Marisa Santos, de segunda a sábado, às onze e meia da manhã, na Rádio Cidade AM, ainda é chamado de “Rotativa” por muita gente. E a única semelhança que há entre o “Ronda Policial”, de Marisa Santos, e o “Rotativa no Ar”, de Gercy Barbosa, é o horário.
Radialista Gercy Barbosa
Uma
emissora de rádio do interior, em especial de uma cidade pequena,
não era nada fácil de ser administrada naquele tempo. Por mais boa
vontade e dinamismo que tivessem seus administradores, havia,
obviamente, necessidade de investir constantemente em novos
equipamentos, na melhoria da qualidade da transmissão, no
treinamento de pessoal, etc. Isso infelizmente praticamente não
havia na antiga Rádio Pereira Barreto. A tecnologia de rádio
naquela época era cara, se comparada à tecnologia digital de hoje,
mais acessível e barata. Sem investimentos em melhorias técnicas,
sem investimento em treinamento de pessoal, sem uma manutenção
adequada em suas instalações, já no final da década de 70, a
Rádio Pereira Barreto começou a entrar em franca decadência. Mesmo
assim, a emissora funcionou precariamente, aos trancos e barrancos,
até o final da década de 80
Com o falecimento do radialista Fauzi Kassin, em 1989, e o desinteresse dos demais proprietários em modernizar a emissora, a Rádio Pereira Barreto foi vendida para o Sistema Regional de Comunicações, com sede na cidade de Andradina (SP). Saía do ar, definitivamente, “a mais alta voz do centro-oeste paulista”, como dizia o saudoso Gercy Barbosa. A partir de então, a emissora passou por um processo de profundas mudanças. Seu nome foi alterado para Rádio Cidade Noiva do Tietê. Foram adquiridos novos equipamentos e foi construído um novo prédio para a emissora.
O RÁDIO PEREIRA-BARRETENSE HOJE
Pereira Barreto possui hoje três (3) emissora de rádio: Rádio Cidade AM, Rádio Clube FM e Rádio 104 FM.
A Rádio
Cidade AM,
a única que opera em ondas médias na cidade, é a sucessora da
antiga Rádio
Pereira Barreto.
Sob a administração do radialista Nílton Franco da Rocha, a Rádio
Cidade,
hoje, nada tem a ver com a antiga Rádio
Pereira Barreto.
Na verdade, pode-se dizer que se trata de uma nova emissora. No
entanto, em 2005, a Rádio Cidade comemorou com festa os cinquenta
anos da emissora, uma forma de dizer que a Rádio Cidade é a
continuação da Rádio Pereira Barreto, uma atitude de respeito aos
baluartes da radiofonia pereira-barretense, como o Dr. Benevides
Lopes Siqueira, Cláudio Parizzi, Fauzi Kassin, Gercy Barbosa e
muitos outros, que fizeram a história do rádio local.
A
Rádio Cidade, hoje, apresenta uma programação musical, direcionada
para o público de música sertaneja universitária. A emissora ainda
tem noticiário local e cede espaço para programas religiosos de
igrejas evangélicas da cidade. Além disso, a Rádio cidade
retransmite boa parte da programação esportiva e jornalística da
Rádio Jovem Pan AM, de São Paulo (Jovem Pan Sat).
Atualmente,
a Rádio Cidade AM, de Pereira Barreto, só tem uma locutora em
atividade, a radialista Marisa Santos.
A Rádio
Clube FM entrou
no ar no final de 1988, ainda com o nome de Rádio
Veneza Paulista.
Ela pertencia a um grupo de empreendedores de Pereira Barreto
(Dermival Franceschi Júnior, João de Altayr Domingues e Cândido
Arruy). A emissora, a primeira a transmitir em frequência modulada
(FM) na cidade, foi depois vendida ao Sistema Regional de
Comunicação, que alterou seu nome para Rádio
Clube.
Posteriormente, a emissora passou para o controle do empresário e
político Jorginho Maluly. Atualmente, a Rádio Clube FM está
sob a administração do empresário Fábio, da Fapp Promoções
Artísticas.
A
programação da emissora não difere em nada das demais emissoras
que operam em frequência modulada pelo interior do Brasil,
direcionado ao público jovem, apreciadores da música sertaneja
universitária.
A Rádio
104 FM entrou
no ar em 2007. Trata-se de uma emissora de rádio comunitária e
pertence à Associação
Beneficente Cultural Comunitária de Pereira Barreto (ABECC), uma
feliz iniciativa de um grupo de pessoas abnegadas da cidade.
Apesar
de ser oficialmente uma emissora comunitária, a Rádio 104 FM tem
uma programação bem semelhante às emissoras de rádio comerciais.
RÁDIOS
PEREIRA-BARRETENSES FALANDO PARA O MUNDO
Hoje,
as três emissoras de rádio de Pereira Barreto transmitem suas
programações para o mundo todo via Internet, embora esse tipo de
transmissão esteja a maior parte do tempo fora do ar nos sites das
emissoras.
A Rádio Cidade AM, está disponível no endereço www.radiocidadeam690.com.br, O site, pelo menos por ora, tem conteúdo muito pobre e visivelmente desatualizado. Ele destina-se a transmitir a programação da emissora pela Internet, mas esse serviço do site está a maior parte do tempo fora do ar.
No site da Rádio 104 FM, além da programação ao vivo, você pode encontrar material informativo, com textos e imagens. O endereço é www.pereirabarretofm.com.br. No entanto, a transmissão ao vivo da emissora vive boa parte do tempo fora do ar.
A Rádio
Clube FM,
que pertencia ao Sistema Regional de Comunicação, do radialista
andradinense Nivaldo Franco, pertenceu, também, ao político e
empresário Jorginho Maluly e hoje está sob a administração do
empresário Fábio, da Fapp Promoções Artísticas, lançou também
seu website, com programação veiculada ao vivo, embora esse serviço
nem sempre esteja disponível. O endereço é: www.clubefm971.com.br
ASSISTIR A RÁDIO?
Hoje
em dia, além de ouvir, você também pode assistir a um programa de
rádio. Isso é possível porque muitas emissoras, além de suas
transmissões normais por áudio, por ondas médias, curtas,
tropicais, frequência modulada, ainda inserem transmissão ao vivo
de imagens de seus estúdios na Internet. Dessa forma, o ouvinte não
só pode ouvir a voz dos locutores, como também pode vê-los ao
vivo, podendo saber, assim, como é fisicamente aquela locutora ou
aquele locutor de voz bonita, que roupa estão usando, como é o
estúdio, etc. Um exemplo de emissora que transmite boa parte de sua
programação com imagem é a Rádio Jovem Pan AM, de São Paulo.
Aqui em Pereira Barreto, somente a Rádio 104 FM transmitiu, por
algum tempo, com imagens ao vivo de seus estúdios na Internet.
Depois, provavelmente por problema de custos ou técnico, abandonou a
ideia.
Muito
do que contei aqui sobre a história do rádio em Pereira Barreto me
foi passado pelos amigos APARECIDO
CÉSAR DOS SANTOS,
antigo funcionário da Rádio Pereira Barreto, que trabalhou também
na RÁDIO
CIDADE AM e
na RÁDIO
104 FM. e
ADILSON FLORIANO BENÁ, ex-funcionário da Rádio Pereira Barreto,
contabilista, professor, que, com sua prodigiosa memória, é um
verdadeiro arquivo vivo da história de Pereira Barreto. Agradeço
a ambos, de público, pelas valiosas informações históricas, que
enriqueceram este texto.
Notem
que, neste texto, dei especial atenção à antiga e saudosa Rádio
Pereira Barreto, não só pelo fato de ela ter sido a primeira
emissora de rádio da cidade, mas porque ela foi, ao logo de seus
trinta e quatro anos de existência, de 1955 a 1989, a personificação
sonora da cidade. Em uma época em que não havia tanta tecnologia,
tantas facilidades de comunicação, o rádio local exercia um papel
importantíssimo para a comunidade, especialmente das pequenas
cidades, afastadas dos grandes centros, como Pereira Barreto. Apesar
de ser uma emissora comercial, ela era, na prática, uma emissora
comunitária. Muitos dos que fizeram parte do quadro de funcionários
na Rádio Pereira Barreto simplesmente não eram profissionais do
rádio, não eram radialistas, e sim pessoas comuns, que tinham outra
atividade profissional paralela, como comerciantes, comerciários,
funcionários públicos, etc., que trabalhavam na emissora por amor,
muitos voluntariamente, sem receber nenhuma remuneração por isso.
Infelizmente,
parece que os sons veiculados pela antiga Rádio
Pereira Barreto se
perderam no tempo. Pelo que sei, não sobrou nenhum registro sonoro
do tempo em que a emissora ficou no ar, de 1955 a 1989, tais como
noticiários, jingles, spots,
eventos transmitidos pela emissora, entrevistas, etc. Tudo se perdeu.
Em
1989, com Fauzi Kassin já doente, Gercy Barbosa desmotivado, a
emissora estava em total decadência, com equipamentos totalmente
defasados, dívidas, prédio em péssimas condições de conservação.
Quando Nivaldo Franco Bueno assumiu seu controle, naquele mesmo ano,
após o falecimento de Fauzi Kassin, teve de fazer uma verdadeira
faxina na emissora, jogando muita coisa no lixo, que estava entupindo
as dependências da rádio. Fauzi Kassin, apesar de suas muitas
qualidades, como pessoa humana e profissional, não era lá
muito organizado. Contou-me, certa vez, o antigo radialista
José Leonildo Moretti, o popular “Italiano”, que, quando
Nivaldo Franco Bueno fazia a tal faxina nas instalações da Rádio
Pereira Barreto, encontrou uma carta que ele mesmo, Nivaldo, havia
enviado a Fauzi Kassin em 1968. Detalhe: a carta ainda estava fechada
dentro do envelope, isso 21 anos depois. É provável que nessa
faxina feita por Nivaldo alguns tesouros históricos da antiga Rádio
Pereira Barreto também tenham ido para o lixo. Lamentável. Dizem
que isso também aconteceu com a antiga TV Tupi. Muito do acervo da
antiga emissora foi literalmente para o lixo. E assim, a História,
que aqueles que nos antecederam, nossos antepassados construíram,
com tanto suor e lágrimas, vai senso apagada pelo desleixo.
Lamentável.
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Parabéns. Belo relato. Pena que, criança e adolescente, não ter dado o devido valor aos pioneiros. Hoje mais experiente, valorizo os precursores da iniciativa de ter "colocado" uma rádio em PeBa, assim como a tua iniciativa de escrever esta hitória. Que não se perca no tempo. ZYR 87 !!!!!! Inesquecível.
ResponderExcluirA marcha "Stars and Stripes Forever" sempre era tocada em eventos esportivos da colonia japonesa. Esta música é outra que colou em meu cérebro. Tocou, entro no "túnel do tempo".
ResponderExcluirObrigado, KenjiBJ. Outro dia, li em um grupo do Facebook um detalhe que, por esquecimento, deixei de fora do texto, mas relembro aqui: nas décadas de 50, 60 e até 70, alguns programas da Rádio Pereira Barreto, em especial os programas sertanejos, liam recados trocados entre os ouvintes. Por exemplo: o pessoal da zona rural, quando vinham fazer compras na cidade, mandavam recados aos seus familiares e amigos que ficaram nos sítios, dizendo como chegaram à cidade e a hora prevista de chegada de volta aos sítios. Era um serviços prestado em uma época em que não havia telefone celular.
ResponderExcluirQue dez. Criatividade sem tamanho. Pra que celular?
ExcluirParabéns pelo empenho em mostrar a história do rádio, principalmente em Pereira Barreto. Vivi uma história interessante com integrantes da antiga AM...Dei carona, com uma Rural Wyllis ( não sei se a grafia está correta) para que o pessoal da rádio pudesse fazer a transmissão de uma partida de futebol no antigo estádio. Locução de Beto ( Bico de Bule) e comentário de Valdir de Vito....só não me lembro quem era o repórter de campo...foi legal
ResponderExcluirBoa noite. Meu pai tem muitas histórias pra contar da rádio nos anos 60
ResponderExcluirPôr onde anda a locutora Marisa santos
ResponderExcluirVi o nome do meu tio e na rádio que é o Santo Antônio de Jesus que saudade
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