quinta-feira, 30 de junho de 2022

COMO VLADIMIR PUTIN, PRESIDENTE DA RÚSSIA, SERIA ANALISADO, HOJE, POR UM GRANDE GOVERNANTE DA ANTIGUIDADE?



Como um grande rei ou imperador da Antiguidade analisaria, hoje, a figura de Vladirmir Putin, o autocrata russo que invadiu a Ucrânia? Vejamos como seria nesta fictícia conversa entre Nicolau II, último dos czares russos e Ciro, o Grande, fundador do Imério Persa.
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Dizem que, recentemente, o espírito de Nicolau II (1868-1948), o último imperador da Rússia czarista, antes da Revolução de 1917, encontrou o espírito de Ciro II, mais conhecido como “Ciro, o Grande”, o criador do Império da Pérsia, que reinou entre 559 e 530 antes da Era Comum. Na oportunidade, o ex-imperador russo perguntou a Ciro, que foi um grande guerreiro e conquistador, o que ele achava de Vladimir Putin, atual presidente da Rússia. Ao que Ciro respondeu:
Nikolái, acho este atual governante do que fora, em outras épocas, teu império, a Rússia, o tal Vladimir Putin, um estúpido e covarde.
Grande Ciro, respeito tua opinião, mas discordo dela. Esse homem quer reconquistar a glória do Império da Rússia, que tive o privilégio de governar.
Pode até ser, meu caro Nikolái, mas esquece-te de que o planeta Terra já não é o mesmo que deixaste em 1918, quando tu e tua família fostes executados pelos bolcheviques. O que Vladirmir faz está acarretando efeito contrário ao desejado: ele está fazendo com que todo o Ocidente se volte contra a Rússia — afirma Ciro, o Grande.
Ele está tendo uma coragem que não tive em minha época. Fui um governante fraco, Grande Ciro — lamenta-se Nicolau II.
De fato, foste um governante fraco, Nikolái  Achando que seu reinado seria longo, Alexandre, teu pai, não te preparou para ser czar, não recebeste ensinamentos para ser um governante, mais que isso, um líder. Vladimir, nesse aspecto, te supera. Mesmo sendo um autocrata, ele é um líder para a maior parte do povo russo de hoje. Tu, com teu despreparo e fraqueza, nem isso conseguiste. Alice, ou melhor, Alexandra, tua mulher, mesmo não sendo russa, era mais popular na Rússia do que tu — declarou Ciro.
Eu sempre deixei claro que não estava preparado para ser czar, nem queria sê-lo. Na verdade, eu não sabia governar, não sabia sequer tratar com os ministros e muito menos com o Soviete e com a Duma. Eu fui um fracasso.
Ainda bem que tu reconheces — assentiu Ciro, dando um leve sorriso.
Mas voltemos a Putin, Grande Ciro — disse Nicolau II. Disseste que ele é estúpido e covarde. Por quê? — questiona Nicolau II.
Estúpido, porque provocar uma guerra, invadindo um país vizinho, em pleno início do século XXI, com o mundo todo interligado e interdependente, é uma imbecilidade sem limites. Na Antiguidade, Nikolái, a guerra era uma questão de sobrevivência dos povos. Havia uma luta feroz por espaço e por poder; quanto mais conquista, mais poder, mais prestígio, mais glória e mais respeito para o governante, dentro e fora de seus domínios. Se tu não te armasses e não atacasses teu vizinho, seria, com certeza, uma hora ou outra, atacado e invadido por ele. Mas o mundo mudou, Nikolái. A geopolítica, hoje, é muito diferente do que era na Antiguidade. Um governante que, hoje, ataca um país vizinho, além de se transformar em uma espécie de pária internacional, sacrifica seu povo, podendo levá-lo ao isolamento. É o que está ocorrendo com tua Grande Rússia, Nikolái.
Disseste, também, que ele é covarde, Grande Ciro — questiona Nicolau II.
Nikolái, guerrear por telégrafo, como fez Lincoln na Guerra de Secessão, ou por rádio, ou por telefone ou por computador é muito fácil. Guerrear vivendo dentro de uma fortaleza, protegido por uma numerosa guarda, me parece bem mais fácil do que estar à frente, de espada em punho, de um exército de milhares de homens. Eu morri no campo de batalha, Nikolái, lutando contra os masságetas. Esses “conquistadores” de hoje nunca sentiram o cheiro do sangue da guerra de verdade, nunca sentiram o fio da espada no seu pescoço, nunca se ensurdeceram com os tiros dos tanques e com as explosões das bombas. Por isso, Nikolái, além de estúpido, seu sucessor, Vladimir, é um covarde. É fácil mandar milhares de homens para morrer por ele — concluiu Ciro II.
Apesar de passados mais de cem anos de sua morte física, Nicolau II ainda tinha a mesma insegurança dos tempos de czar. Afinal, ele não nascera para governar, nem fora preparado por Alexandre III, seu pai, para tal. Nicolau não era pequeno só na estatura, mas na alma também.
Ciro, o Grande, então, volta falar:
Teu governo, Nikolái, foi uma sucessão de erros, tragédias e fracassos, não só por tua culpa, mas também pela impulsividade de teus ministros e assessores. Tua mão foi manchada de sangue várias vezes sem que tivesses pegado em arma uma única vez. Lembra-te da festa trágica em Khodynka? Lembra-te também da propaganda antissemita lançada por teus ministros? Lembra-te da estúpida guerra contra os japoneses? Lembra-te do tal de “Domingo Sangrento”? Lembra-te do desempenho vexatório de teu exército na Primeira Guerra Mundial? Não bastasse isso, deixaste te influenciar por um charlatão, o tal Grigori Rasputin? Na verdade, a Rússia era grande e complexa demais para ti, Nikolái.Não esperava ser avaliado assim por um grande rei da Antiguidade — disse Nicolau II.
Meu reinado foi curto, Nikolái. Governei a Pérsia de 559 a 530 antes da Era Comum. Nesse curto período, consegui expandir meus domínios, transformando-o no maior império que o mundo já havia conhecido até então. Mas sempre respeitei os costumes e religiões dos povos que faziam parte de meu império. Tornando-o, em plena Antiguidade, em um modelo de administração. E isso, Nikolái, mil e quinhentos anos atrás, em um mundo, sem telégrafo, sem telefone, sem Internet, sem satélites, sem TV, sem energia nuclear, sem sequer energia elétrica, Nikolái. Digo, com orgulho, que foi uma era de prosperidade. Mas nunca deixei de comandar meu exército, Nikolái. Tanto foi assim, que acabei morrendo no campo de batalha, lutando junto a meus bravos comandados. Nunca fui covarde e estúpido como teu atual sucessor, Nikolái. O tal Vladimir está levando teu povo russo a ser estigmatizado por boa parte do mundo. A Rússia, com toda sua história, cultura e tradição, a Rússia de Liev Tolstói, de Fiódor Dostoiévski, de Piotr Ilitch Tchaikovski, de Ígor Stravinski, de Boris Pasternak e de outros tantos gênios das letras, da música e das artes, não merece um canalha como Vladimir Putin, um criminoso contumaz, meu caro Nikolái — concluiu o Grande Ciro II.
Nicolau II cala-se, põe-se a pensar no que Ciro II acaba de expressar e conclui:
Tens razão, Grande Ciro. Assim como a minha Rússia não merece Putin, assim como não mereceu o lunático do Lenin e seus camaradas bolcheviques, assim como não mereceu o psicopate do Stalin, assim como não mereceu a mim também…

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