sábado, 27 de junho de 2020

EU TIVE UM SONHO...



Eu tive um sonho. Foi tão real.
Sonhei que, farto de toda esta situação que vivemos, resolvi falar diretamente com Deus.
Chegando lá, surpreendentemente, surge uma linda jovem, muito gentil e sorridente, que me diz, mesmo sem eu nada perguntar, que Deus já iria me atender. Fiquei surpreso..
— Mas Deus, sem nenhuma formalidade, vai me atender assim — questionei à bela jovem que me recebeu. E ela, sorrindo, com uma voz doce e modos delicados, me disse:
— Por que a surpresa? O Senhor atende a todos prontamente, indiscriminadamente. É só procurá-Lo.  Já, já, Ele irá atendê-lo. Esteja certo.
Nem aquela encantadora jovem acabou de falar, surge um homem jovem, entre 25 e 30 anos, simpático, vestindo uma surrada calça geans, uma camiseta branca, um tênis branco, com um largo sorriso no rosto. Olhou-me e disse:
— Quer falar comigo, não é?
Eu, surpreso, sem entender nada, perguntei:
— Mas o senhor é…
— Sim, eu sou aquele que é!
— Mas… — fiquei eu sem saber o que dizer.
— Mas o quê? — disse Ele sorrindo, percebendo meu constrangimento e minha surpresa por encontrar um Deus tão diferente do que eu imaginava. Ele colocou a mão direita no meu ombro e disse, me tirando dali:
— Vamos para um local onde possamos conversar mais à vontade.
Entramos em uma sala bonita, agradável, com decoração simples, onde havia duas cadeiras grandes e confortáveis, uma de frente para a outra. Ele se sentou em uma delas e me pediu para me sentar na outra, que estava à sua frente. Assim que nos acomodamos, Ele disse:
— Sei que veio até mim porque está com seu coração repleto de dúvidas, inseguranças e medo? Acalme seu espírito e abra seu coração.
— Senhor, estamos vivendo uma experiência inédita, assustadora e até bizarra. Muita gente já morreu.
— Vocês estão passando por uma pandemia, que não é inédita. Muitas outras gerações anteriores às de vocês também já passaram por isso, e em condições de vida muito piores, bem mais precárias que as de vocês. Não havia médicos, hospitais, transportes, comunicações, tecnologia, eletricidade, as pessoas não tinham as noções de higiene que têm hoje. Tudo era muito mais difícil. Milhões de pessoas também morreram nessas pandemias — disse Ele.
— Senhor, por que esse castigo tão dura para a humanidade? — ousei perguntar-Lhe. Mas Ele, sem demonstrar surpresa, disse:
— O homem é uma criatura dotada de inteligência, capacidade cognitiva, raciocínio e livre arbítrio. Eu o criei, mas não interfiro em suas atitudes, a não ser que ele me peça e me permita isso. Aí, sim, posso guiá-lo, orientá-lo, intuí-lo, iluminá-lo, protegê-lo. Mas o homem é livre para tomar as decisões que lhe aprouver, sendo, também, obviamente, responsável pelas consequências dessas decisões. Criar o homem somente para manipulá-lo, feito marionete, não faria sentido algum para meus propósitos. Então, não há castigo divino. Há, isto sim, consequências.
— Então o próprio homem seria o responsável por essa pandemia que está aí — perguntei-Lhe.
— A natureza tem seus caprichos. Mas, se levarmos em conta as condições do mundo atual, o estádio da tecnologia, das ciências e, em especial, da medicina de hoje, de certa forma, sim, o homem tem sua dose de responsabilidade pela disseminação dessa doença. Um grande incêndio só pode ser debelado no seu início, quando surgem as primeiras chamas. Se você ficar somente olhando as chamas iniciais queimarem, querendo saber por que começaram, elas vão se espalhando rapidamente e, em pouco tempo, você não terá mais controle da situação.
— Mas, Senhor, trata-se de uma doença nova, desconhecida para os médicos e…
— Pandemias geralmente só acontecem com doenças desconhecidas pelo homem, para as quais ele ainda não descobriu tratamento nem vacina.
— O que podemos fazer, então, Senhor?
— Eu sou o princípio e o fim de tudo, sou o caminho, a verdade e a vida. Se confiarem em mim, de todo o coração, tudo se resolverá. Mas estejam cientes de que o caminho certo, pelo qual os guio, muitas vezes, pode não ser o mais curto, nem o menos íngreme. Muitas vezes, há que se passar por fases difíceis para se chegar à vitória. Não há mágica. O milagre da vida nem sempre é instantâneo. O exercício da fé exige perseverança, destemor, paciência e, sobretudo, confiança absoluta em mim. Não é fácil, eu sei. Mas, embora vocês ainda não o compreendam, é justamente em função disso que vocês estão na Terra. A caminhada pela eternidade exige aprendizado e evolução constantes. É por isso que temos que passar por todo tipo de experiências ao longo de nossa caminhada eterna.
— Senhor, e os milhares de pessoas que já morreram, estão morrendo e morrerão?
— Para o ser humano, a dor pela perda de um ente querido é lancinante e muitas vezes traumática. Sei que também não é fácil, mas é preciso entender que, assim como a vida na Terra tem que continuar, a caminhada dessas pessoas pela eternidade também tem que prosseguir. Elas cumpriram sua missão na Terra e têm que continuar percorrendo sua trajetória pela eternidade.
— Senhor, isso me assusta um pouco. Parece uma coisa burocrática, normativa, fria.
— O homem, por mais espiritualizado que seja, costuma concebe a vida somente dentro dos limites da razão humano, o que é natural, por isso seu choque.
— Então, Senhor, concluindo, o que devo fazer, diante dessa situação é…
— Cuide-se, obviamente, e, acima de tudo, acredite em mim, que tudo se resolverá, pois eu o guiarei à vitória, tenha certeza. Lembre-se, porém, de que os caminhos certos, aqueles que o levarão à vitória e à superação completa de tudo isso, podem não ser os mais curtos e mais fáceis.
— Sim, eu sei — respondi.
— Acredita e confia em mim? — perguntou-me Ele, de frente, sorrindo e com as suas mãos em meus ombros.
— Sim, Senhor! Acredito e confio no Senhor! — respondi-Lhe.
— Então vá em paz. Não tema nada na vida. Estarei sempre com você.
A imagem dEle me olhando, sorrindo, ficou ali por alguns segundos, como se estivesse congelada. Depois foi se apagando, apagando. Aí, acordei.

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sábado, 20 de junho de 2020

"FAKE NEWS" QUE MUDARAM A HISTÓRIA



Se Dias Toffoli e seus ministros já estivessem no Supremo Tribunal Federal em 1889, em 1937 e em 1945, possivelmente, o Brasil ainda seria uma monarquia, Getúlio Vargas não teria se tornando ditador, nem o Brigadeiro Eduardo Gomes teria perdido a eleição para Dutra.

Foi uma velha raposa da política que, um dia, muitos anos atrás, me disse que há três formas de se “fazer política” (expressão comum nesse meio): pelo convencimento, pela negociação e pelo confronto. Cada uma dessas formas tem suas variantes, que vai do ético ao inescrupuloso. Pelo convencimento, pode-se da apresentação de um bom projeto de governo ao mais abjeto dos engodos; pela negociação, pode-se variar de um acordo digno à mais espúria das barganhas; no confronto, no entanto, o leque se abre ainda mais: chegamos ao vale-tudo. Portanto, em política, nem sempre tudo é o que parece ser. Se você se propuser a disputar um cargo público, independentemente de sua formação intelectual, de seu grau de escolaridade, saiba que, nesse mundo de contrassensos da política, vale mais a experiência, a malícia e a astúcia. Intelectualidade, nesse meio, não vale muita coisa. É um mundo em que o sentimentalismo não existe. Toda manifestação sentimental que você vir nesse meio é falsa. Não se iluda.

Hoje, fala-se muito em “fake news”, como se fosse o mais capital dos pecados políticos. Pois as “fake news” já eram utilizadas no mundo político muito antes da fundação de Roma Antiga. A História política do mundo seria muito diferente se não fossem as mentiras, as informações falsas. Vamos citar aqui três exemplos de “fake news” que mudaram, sem nenhuma contestação, os rumos de nossa história.

Na Proclamação da República, os conspiradores foram até a casa de Deodoro, que estava doente, e o convenceram a liderar o golpe, dizendo a ele que, a partir de 20 de novembro, o novo Presidente do Conselho de Ministros do Império seria Silveira Martins, que era um velho inimigo dele, mas era mentira. Além disso, disseram a ele que já havia uma ordem de prisão contra ele, Deodoro, outra mentira deslavada, mas que convenceu o marechal a proclamar a República e a exilar a Família Imperial. Ou seja, uma “fake news” provocou um golpe de Estado que implantou a República no Brasil.

Outra “fake news” histórica ocorreu no dia 30 de setembro de 1937. Nessa data, o general Goés Monteiro, até então chefe do Estado-Maior do Exército, noticiou pelo programa de rádio “Hora do Brasil”, que havia um plano comunista que envolvia a retirada de Getúlio Vargas do poder. O Plano Cohen, como ficou conhecido, amedrontou a população na época. Segundo Goes Monteiro, os comunistas iriam provocar tumultos entre operários e estudantes, causariam incêndios em casas e prédios públicos, manifestações a fim de saquear e depredar patrimônios públicos e privados, eliminariam autoridades públicas que se opusessem aos atos e, por fim, exigiriam a liberdade de presos políticos. Tudo mentira. Mas foi o suficiente para Getúlio pedir ao Congresso Nacional a decretação de Estado de Guerra, concedido em 1º de outubro de 1937. Começou, então, uma terrível caça aos comunistas — que, na verdade, nada tinham a ver com a história — e, em 10 de novembro de 1937, usando essa “fake news” como desculpa, Getúlio implanta a ditadura do “Estado Novo”, no Brasil, que duraria até 1945.

Em 1945, Getúlio Vargas foi deposto e foram convocadas eleições presidenciais. Os candidatos principais eram Eurico Gaspar Dutra contra o Brigadeiro Eduardo Gomes — o mesmo que deu nome aos docinhos de chocolate. Um sujeito chamado Hugo Borghi, político, empresário, muito rico, que havia sido líder de um movimento chamado “Queremista” (de “queremos Getúlio”), que tentou manter Vargas no poder, convenceu Getúlio, então fora da vida pública, a apoiar Dutral, em vez de Eduardo Gomes. No dia 19 de novembro, o Brigadeiro Eduardo Gomes pronunciou um discurso no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, afirmando: “Não necessito dos votos dessa malta de desocupados que apoia o ditador para eleger-me Presidente da República!”. No entanto, Hugo Borghi adulterou as palavras do Brigadeiro, afirmando, nas rádios e por meio de panfletos distribuídos nas ruas, que o Brigadeiro tinha dito “Não preciso dos votos dos marmiteiros!”. Estava feito o estrago. Rapidamente a marmita se tornou o símbolo da campanha de Dutra contra o Brigadeiro Eduardo Gomes. Por causa dessa “fake news” produzida por Hugo Borghi, a marmita virou um símbolo popular naquela eleição entre os setores populares urbanos, o que acabou com qualquer chance de o Brigadeiro Eduardo Gomes eleger-se presidente em 1945.

Provavelmente, mesmo se já fosse presidente do STF em 1889, ou em 1937, Dias Toffoli, naquele tempo, pouco poderia fazer para reverter os efeitos das mentiras dos golpistas republicanos e de Getúlio. Naquele tempo, o STF, na prática, não tinha tanto poder. Talvez conseguisse alguma coisa contra a “fake news” de Hugo Borghi em 1945. Talvez… Eram outros tempos.

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SE O CAPITALISMO NÃO EXISTISSE, COMO SERIA O MUNDO?

SE O CAPITALISMO NÃO EXISTISSE, COMO SERIA O MUNDO? Essa é uma excelente pergunta — e ela é mais profunda do que parece à primeira vi...