quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

PEREIRA BARRETO - HISTÓRIA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO - O TELEFONE



O início

Há quem afirme que o primeiro telefone foi instalado em Pereira Barreto, ou Novo Oriente, no início dos anos 30. É possível que houvesse um terminal telefônico, naquela época, para comunicação com outras localidades. Mas isso é incerto, porque, naquele tempo, tudo era muito precário por estas regiões distantes dos grandes centros urbanos. Eu, no entanto, acredito que Pereira Barreto veio a ter uma rede telefônica local somente na década de 40. O sistema era manual. Mesmo as ligações locais tinham de ser feitas por meio de um telefonista.

Naquele tempo, obviamente não existiam ainda redes de micro-ondas nem satélites. Cada cidade ou região tinha sua empresa própria de telefonia. As conexões entre uma localidade e outra eram feitas via cabos de fios de cobre. Era comum ver às margens de rodovias postes pelos quais passavam os cabos telefônicos que ligavam uma cidade a outra. Foi esse sistema rudimentar que funcionou em nossa cidade até o início da década de 70 do século passado.

Como a cidade era muito pequena, não havia muitos assinantes, pois ter telefone naqueles tempos idos era um luxo acessível a poucas pessoas. Só mesmo os moradores mais abastados, escritórios, repartições públicas a alguns estabelecimentos comerciais é que tinham o privilégio de ter uma linha telefônica instalada.

Naquele tempo, para se fazer uma ligação telefônica, bastava tirar o aparelho do gancho. A telefonista (geralmente era mulher) atendia. Bastava dizer a ela o número do telefone desejado e esperar que o interlocutor atendesse do outro lado da linha. Como a cidade era pequena e quase todo o mundo se conhecia, era comum somente dizer o nome da pessoa ou o local (empresa, repartição, etc.) para onde pretendia ligar, que a telefonista se encarregava de completar a ligação.

Uma ligação interurbana, no entanto, exigia do usuário um pouco mais de paciência e boa garganta. Paciência porque, como, naquele tempo, cada cidade ou região tinha sua própria operadora telefonia e as conexões eram feitas por enormes malhas de cabos de fios de cobre entre uma cidade e outra, tinha que haver toda uma negociação entre uma empresa e outra, por meio das telefonistas, para que uma ligação se completasse, o que podia demorar horas. Boa garganta, porque, como o sistema era precário, o usuário tinha que berrar ao telefone para poder ser ouvido do outro lado da linha.

O telefone automático

Em 1972, com a criação da TELEBRRAS e a estatização do sistema de telecomunicações no Brasil, promovido pela ditadura militar, as coisas começaram a mudar um pouco. Nesse mesmo ano, chegou a Pereira Barreto, por intermédio da então recém-criada COTESP (depois, TELESP), o tão sonhado telefone automático, uma sofisticação que já existia nas cidades médias e grandes. Com isso, muita gente se cadastrou e adquiriu uma linha telefônica, os números foram todos alterados, passando de três para quatro algarismos, e os velhos telefones pretos, pesados, foram substituídos por modernos aparelhos com disco, mais leves e, em sua maioria, com cores claras (branco, cinza, azul-claro, etc.).

As ligações locais, a partir de então, não necessitavam mais do auxílio das prestativas telefonistas. Bastava o usuário tirar o telefone do gancho, aguardar por alguns segundos o sinal de discar, discar o número desejado e, pronto, a ligação era completada. No entanto, para se fazer uma chamada interurbana, o usuário tinha que discar 101 e pedir a ligação. Depois disso, haja paciência e força na garganta. Uma ligação podia levar horas para ser completada. E, depois de completada, o usuário tinha que ter garganta resistente para poder ser ouvido pelo seu interlocutor do outro lado da linha.

O advento do DDD

Em meados da década de 70 do século passado, por volta de 1976 ou 1977, Pereira Barreto passou a integrar o sistema de Discagem Direta à Distância (DDD), que já era operado por meio de conexões por torres de micro-ondas. Com isso já era possível fazer uma ligação interurbana sem a necessidade de auxílio da telefonista. No entanto, como no início nem toda cidade estava integrada ao sistema, para essas cidades a ligação tinha de ser efetuada por meio de telefonista.

Esse sistema de Discagem Direta à Distância trouxe, não só a facilidade para efetuar a ligação, mas também melhor qualidade no serviço. O usuário não precisava mais gritar ao telefone. Muita gente, no início, se espantava, quando era atendida por alguém de uma localidade distante, com a qualidade da ligação. Muitos diziam, admirados: “Parece que estou falando com alguém aqui da cidade mesmo”.

O telefone celular

Em 1995, Pereira Barreto entra na era da telefonia celular. A Telesp Celular, antiga subsidiária da Telesp, que era responsável pela telefonia celular no Estado de São Paulo, implantou aqui, naquele ano, o serviço de telefonia móvel, ainda no sistema analógico. Com a privatização dos serviços de telefonia, em 1998, Pereira Barreto passou a ser atendido pela VIVO, um holding de várias empresas de telefonia celular de vários estados.
Como o sistema analógico de telefonia celular era precário e limitado, a população da cidade começou a reivindicar à VIVO a implantação do sistema digital. Mas a empresa relutou muito em fazer tal investimento em Pereira Barreto. Só com a chegada em Pereira Barreto, em 2003, da TESS (atual CLARO), que já começou disponibilizando seus serviços na cidade totalmente digitalizados, é que a VIVO, sentindo-se ameaçada, decidiu, às pressas, digitalizar os seus serviços na nossa cidade. Em meados de 2005, instalou-se também na cidade a empresa de telefonia móvel TIM, pertencente à Telecom Itália, também com seus serviços totalmente digitalizados. A previsão é de que, até o final de 2009, se instale aqui também a OI, antiga Telemar.

Nova era – privatização

Até 1998, ter um telefone fixo em casa ou na empresa não era nada fácil. Não havia disponibilidade de linhas. Quem tivesse pressa em adquirir uma linha telefônica tinha que comprar de terceiros, por um valor igual a de um veículo popular zero-quilômetro. Quem não quisesse pagar um preço tão alto, tinha de aguardar os chamados “planos de expansão” que as estatais de telefonia ofereciam de vez em quando. O interessado se cadastrava, pagava pela linha e, só depois de dois ou três anos, se tivesse sorte, tinha a sua linha instalada em casa.

Com a privatização dos serviços telefônicos no País, essa realidade começou a mudar a partir de 1998. Hoje, como linha telefônica não é mais bem, mas apenas um serviço oferecido pelas operadoras, ter telefone em casa é bem mais fácil e rápido. Na verdade, a privatização do sistema, não só de telefonia fixa, mas também do serviço móvel, acarretou a democratização da telefonia no Brasil. Hoje em dia, a maioria das pessoas pode ter uma linha telefônica, seja móvel ou fixa.

O que, vinte ou trinta anos atrás era um luxo, que só os mais abonados tinham, hoje é um serviço acessível à maioria da população. E Pereira Barreto não ficou fora disso.

Por mais críticas que um romântico “esquerdista” possa fazer às privatizações promovidas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, no final da década de 90, ninguém pode negar que a privatização dos serviços telefônicos promoveu o acesso de parcela significativa da população a esse serviço hoje essencial. O lado negativo é que a abertura do mercado de telecomunicações foi muito tímida e restrita. Isso fez com que se criasse um verdadeiro oligopólio na áres, no qual atuam, hoje, poucas empresas, que dominam o mercado e deixam os usuários sem muitas opções de escolha.

Telefone e Internet

A Internet, a famoso rede mundial de computadores, chegou ao Brasil em meados dos anos 90. Mas antes dela, já havia alguns serviços que podiam ser acessados por computador usando a linha telefônica. Eram os Bulletin Board System, os BBSs, que era uma espécie de Internet, mas bem precária ainda. Além dos BBSs, havia também um serviço chamado de teletexto, que era disponibilizado principalmente por empresas de telefonia, como era o caso do VIDEOTEXTO, da antiga TELESP, uma espécie de Internet bem rudimentar. Mas os pereira-barretenses tiveram pouco acesso a esses serviços. Quando a Internet começou a ser utilizada no Brasil, em 1995, alguns pereira-barretenses já acessavam esse novo serviço por linha telefônica, usando provedores de acesso de outras cidades (São Paulo, São José do Rio Preto, Araçatuba). O primeiro provedor de acesso à Internet em Pereira Barreto, só entrou no ar em julho de 1998. Era o Clubinter, que ainda disponibilizava acesso por linha telefônica, a 56 kabp. Posteriormente, o mesmo provedor começou a oferecer, também, acesso via rádio, tecnologia que dispensava o uso de linha telefônica. Com o crescimento da Internet, novas tecnologias de acesso foram chegando, como a conexão ADSL, da então Telefonica (hoje, VIVO), o “Speedy”.

Hoje, em pleno século XXI, coisas como o computador, a Itnernet, o smarrphone, o tablet, as redes sociais já fazem parte da rotina da grande maioria dos pereira-barretenses. As pessoas na cidade estão permanentemente em comunicação umas com as outras pelas redes sociais. A rede social mais usado é o Facebook, na qual os pereira-barretenses conectados já criaram vários grupos, entre os quais o PEREIRA BARRETO NEWS, PEREIRA BARRETO EM DEBATE, PEREIRA BARRETO HISTÓRIAS E MEMÓRIAS e muitos outros, sobre os mais variados assuntos.


Todo esse avanço tecnológico provocou uma mudança radical na vida das pessoas. Antigamente, cada região do Brasil e do mundo vivia em uma “época” diferente, o que influenciava bastante nos usos e costumes de cada povo, de cada comunidade, já que a comunicação e a troca de informação entre uma região e outra eram muito lentas. Os avanços tecnológicos, principalmente a grande revolução digital que estamos vivendo desde que foram produzidos os primeiros computadores e criadas as primeiras redes de comunicação, provocaram uma espécie de sincronização cultural no mundo. Hoje, pode-se dizer que, diferentemente do que ocorria no Brasil até os anos 30, por exemplo, o Brasil do interior e o Brasil dos grandes centros urbanos vivem praticamente na mesma “época”. O tráfego de informação hoje é tão rápido, que um jornal impresso do dia, que chega em nossa casa antes das oito horas da manhã, já está “velho” ao meio-dia. E isso faz com que uma cidade como Pereira Barreto, distante 625,9Km cidade de São Paulo, segundo o Google, esteja em comunicação permanente, e em tempo real, com a Capital do Estado. 

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