O
início
Há
quem afirme que o primeiro telefone foi instalado em Pereira Barreto,
ou Novo Oriente, no início dos anos 30. É possível que houvesse um
terminal telefônico, naquela época, para comunicação com outras
localidades. Mas isso é incerto, porque, naquele tempo, tudo era
muito precário por estas regiões distantes dos grandes centros
urbanos. Eu, no entanto, acredito que Pereira Barreto veio a ter uma
rede telefônica local somente na década de 40. O sistema era
manual. Mesmo as ligações locais tinham de ser feitas por meio de
um telefonista.
Naquele
tempo, obviamente não existiam ainda redes de micro-ondas nem
satélites. Cada cidade ou região tinha sua empresa própria de
telefonia. As conexões entre uma localidade e outra eram feitas via
cabos de fios de cobre. Era comum ver às margens de rodovias postes
pelos quais passavam os cabos telefônicos que ligavam uma cidade a
outra. Foi esse sistema rudimentar que funcionou em nossa cidade até
o início da década de 70 do século passado.
Como
a cidade era muito pequena, não havia muitos assinantes, pois ter
telefone naqueles tempos idos era um luxo acessível a poucas
pessoas. Só mesmo os moradores mais abastados, escritórios,
repartições públicas a alguns estabelecimentos comerciais é que
tinham o privilégio de ter uma linha telefônica instalada.
Naquele
tempo, para se fazer uma ligação telefônica, bastava tirar o
aparelho do gancho. A telefonista (geralmente era mulher) atendia.
Bastava dizer a ela o número do telefone desejado e esperar que o
interlocutor atendesse do outro lado da linha. Como a cidade era
pequena e quase todo o mundo se conhecia, era comum somente dizer o
nome da pessoa ou o local (empresa, repartição, etc.) para onde
pretendia ligar, que a telefonista se encarregava de completar a
ligação.
Uma
ligação interurbana, no entanto, exigia do usuário um pouco mais
de paciência e boa garganta. Paciência porque, como, naquele tempo,
cada cidade ou região tinha sua própria operadora telefonia e as
conexões eram feitas por enormes malhas de cabos de fios de cobre
entre uma cidade e outra, tinha que haver toda uma negociação entre
uma empresa e outra, por meio das telefonistas, para que uma ligação
se completasse, o que podia demorar horas. Boa garganta, porque, como
o sistema era precário, o usuário tinha que berrar ao telefone para
poder ser ouvido do outro lado da linha.
O
telefone automático
Em
1972, com a criação da TELEBRRAS e a estatização do sistema de
telecomunicações no Brasil, promovido pela ditadura militar, as
coisas começaram a mudar um pouco. Nesse mesmo ano, chegou a Pereira
Barreto, por intermédio da então recém-criada COTESP
(depois, TELESP),
o tão sonhado telefone automático, uma sofisticação que já
existia nas cidades médias e grandes. Com isso, muita gente se
cadastrou e adquiriu uma linha telefônica, os números foram todos
alterados, passando de três para quatro algarismos, e os velhos
telefones pretos, pesados, foram substituídos por modernos aparelhos
com disco, mais leves e, em sua maioria, com cores claras (branco,
cinza, azul-claro, etc.).
As
ligações locais, a partir de então, não necessitavam mais do
auxílio das prestativas telefonistas. Bastava o usuário tirar o
telefone do gancho, aguardar por alguns segundos o sinal de discar,
discar o número desejado e, pronto, a ligação era completada. No
entanto, para se fazer uma chamada interurbana, o usuário tinha que
discar 101 e pedir a ligação. Depois disso, haja paciência e força
na garganta. Uma ligação podia levar horas para ser completada. E,
depois de completada, o usuário tinha que ter garganta resistente
para poder ser ouvido pelo seu interlocutor do outro lado da linha.
O
advento do DDD
Em
meados da década de 70 do século passado, por volta de 1976 ou
1977, Pereira Barreto passou a integrar o sistema de Discagem Direta
à Distância (DDD), que já era operado por meio de conexões por
torres de micro-ondas. Com isso já era possível fazer uma ligação
interurbana sem a necessidade de auxílio da telefonista. No entanto,
como no início nem toda cidade estava integrada ao sistema, para
essas cidades a ligação tinha de ser efetuada por meio de
telefonista.
Esse
sistema de Discagem Direta à Distância trouxe, não só a
facilidade para efetuar a ligação, mas também melhor qualidade no
serviço. O usuário não precisava mais gritar ao telefone. Muita
gente, no início, se espantava, quando era atendida por alguém de
uma localidade distante, com a qualidade da ligação. Muitos diziam,
admirados: “Parece que estou falando com alguém aqui da cidade
mesmo”.
O
telefone celular
Em
1995, Pereira Barreto entra na era da telefonia celular. A Telesp
Celular, antiga subsidiária da Telesp,
que era responsável pela telefonia celular no Estado de São Paulo,
implantou aqui, naquele ano, o serviço de telefonia móvel, ainda no
sistema analógico. Com a privatização dos serviços de telefonia,
em 1998, Pereira Barreto passou a ser atendido pela VIVO, um holding
de várias empresas de telefonia celular de vários estados.
Como
o sistema analógico de telefonia celular era precário e limitado, a
população da cidade começou a reivindicar à VIVO
a implantação do sistema digital. Mas a empresa relutou muito em
fazer tal investimento em Pereira Barreto. Só com a chegada em
Pereira Barreto, em 2003, da TESS
(atual CLARO),
que já começou disponibilizando seus serviços na cidade totalmente
digitalizados, é que a VIVO,
sentindo-se ameaçada, decidiu, às pressas, digitalizar os seus
serviços na nossa cidade. Em meados de 2005, instalou-se também na
cidade a empresa de telefonia móvel TIM,
pertencente à Telecom
Itália,
também com seus serviços totalmente digitalizados. A previsão é
de que, até o final de 2009, se instale aqui também a OI,
antiga Telemar.
Nova
era – privatização
Até
1998, ter um telefone fixo em casa ou na empresa não era nada fácil.
Não havia disponibilidade de linhas. Quem tivesse pressa em adquirir
uma linha telefônica tinha que comprar de terceiros, por um valor
igual a de um veículo popular zero-quilômetro. Quem não quisesse
pagar um preço tão alto, tinha de aguardar os chamados “planos de
expansão” que as estatais de telefonia ofereciam de vez em quando.
O interessado se cadastrava, pagava pela linha e, só depois de dois
ou três anos, se tivesse sorte, tinha a sua linha instalada em casa.
Com
a privatização dos serviços telefônicos no País, essa realidade
começou a mudar a partir de 1998. Hoje, como linha telefônica não
é mais bem, mas apenas um serviço oferecido pelas operadoras, ter
telefone em casa é bem mais fácil e rápido. Na verdade, a
privatização do sistema, não só de telefonia fixa, mas também do
serviço móvel, acarretou a democratização da telefonia no Brasil.
Hoje em dia, a maioria das pessoas pode ter uma linha telefônica,
seja móvel ou fixa.
O
que, vinte ou trinta anos atrás era um luxo, que só os mais
abonados tinham, hoje é um serviço acessível à maioria da
população. E Pereira Barreto não ficou fora disso.
Por
mais críticas que um romântico “esquerdista” possa fazer às
privatizações promovidas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso,
no final da década de 90, ninguém pode negar que a privatização
dos serviços telefônicos promoveu o acesso de parcela significativa
da população a esse serviço hoje essencial. O lado negativo é que
a abertura do mercado de telecomunicações foi muito tímida e
restrita. Isso fez com que se criasse um verdadeiro oligopólio na
áres, no qual atuam, hoje, poucas empresas, que dominam o mercado e
deixam os usuários sem muitas opções de escolha.
Telefone
e Internet
A
Internet, a famoso rede mundial de computadores, chegou ao Brasil em
meados dos anos 90. Mas antes dela, já havia alguns serviços que
podiam ser acessados por computador usando a linha telefônica. Eram
os Bulletin
Board System, os BBSs, que era uma espécie de Internet, mas bem
precária ainda. Além dos BBSs, havia também um serviço chamado de
teletexto, que era disponibilizado principalmente por empresas de
telefonia, como era o caso do VIDEOTEXTO, da antiga TELESP, uma
espécie de Internet bem rudimentar. Mas os pereira-barretenses
tiveram pouco acesso a esses serviços. Quando a Internet começou a
ser utilizada no Brasil, em 1995, alguns pereira-barretenses já
acessavam esse novo serviço por linha telefônica, usando provedores
de acesso de outras cidades (São Paulo, São José do Rio Preto,
Araçatuba). O primeiro provedor de acesso à Internet em Pereira
Barreto, só entrou no ar em julho de 1998. Era o Clubinter, que
ainda disponibilizava acesso por linha telefônica, a 56 kabp.
Posteriormente, o mesmo provedor começou a oferecer, também, acesso
via rádio, tecnologia que dispensava o uso de linha telefônica. Com
o crescimento da Internet, novas tecnologias de acesso foram
chegando, como a conexão ADSL, da então Telefonica (hoje, VIVO), o
“Speedy”.
Hoje,
em pleno século XXI, coisas como o computador, a Itnernet, o
smarrphone, o tablet, as redes sociais já fazem parte da rotina da
grande maioria dos pereira-barretenses. As pessoas na cidade estão
permanentemente em comunicação umas com as outras pelas redes
sociais. A rede social mais usado é o Facebook, na qual os
pereira-barretenses conectados já criaram vários grupos, entre os
quais o PEREIRA BARRETO NEWS, PEREIRA BARRETO EM DEBATE, PEREIRA
BARRETO HISTÓRIAS E MEMÓRIAS e muitos outros, sobre os mais
variados assuntos.
Todo
esse avanço tecnológico provocou uma mudança radical na vida das
pessoas. Antigamente, cada região do Brasil e do mundo vivia em uma
“época” diferente, o que influenciava bastante nos usos e
costumes de cada povo, de cada comunidade, já que a comunicação e
a troca de informação entre uma região e outra eram muito lentas.
Os avanços tecnológicos, principalmente a grande revolução
digital que estamos vivendo desde que foram produzidos os primeiros
computadores e criadas as primeiras redes de comunicação,
provocaram uma espécie de sincronização cultural no mundo. Hoje,
pode-se dizer que, diferentemente do que ocorria no Brasil até os
anos 30, por exemplo, o Brasil do interior e o Brasil dos grandes
centros urbanos vivem praticamente na mesma “época”. O tráfego
de informação hoje é tão rápido, que um jornal impresso do dia,
que chega em nossa casa antes das oito horas da manhã, já está
“velho” ao meio-dia. E isso faz com que uma cidade como Pereira
Barreto, distante 625,9Km cidade de São Paulo, segundo o Google,
esteja em comunicação permanente, e em tempo real, com a Capital do
Estado.

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