Por
que Israel e palestinos brigam tanto? Por que tanta animosidade entre
esses dois povos, que têm entre si fortes vínculos étnicos?
Por que tantas guerras, tantas mortes, tanto sofrimento naquela
região? Muita gente, mesmo na mídia e até no meio acadêmico, se
mete a dar palpite sobre essa interminável disputa entre Israel e
palestinos sem conhecimento de causa, sem saber realmente a
verdadeira raiz do problema. Para saber e compreender bem os reais
motivos desse ódio mútuo e inesgotável, precisamos voltar no
tempo. Temos que recorrer à História. Diferentemente do que muita
gente pensa, esse não é um problema tão antigo assim. Até o final
do século XIX, árabes e judeus viviam em harmonia. Toda essa briga
teve sua origem mesmo no finalzinho do século XIX. Mas para entender
bem a questão, vamos recorrer à História, vamos voltar no tempo.
Segundo
a tradição judaico-islâmico-cristã, tudo começou, cerca de 2.000
anos a.C., numa cidade do sul da Mesopotâmia, atual Iraque, chamada
Ur, ou a Ur dos Caldeus, onde um homem, chamado Abraão teria
recebido um chamado de Deus para que abandonasse seu povo e fosse,
com sua família, para a “terra prometida” de Canaã, antigo nome
pelo qual era conhecida a atual região ocupada hoje por Israel,
Cisjordânia, parte ocidental da Jordânia e sul do Líbano. Abraão
e sua família, obedecendo a Deus, teriam percorrido os desertos
daquela região por muitos anos, em busca da tal terra prometida por
Deus. O próprio Abraão teria morrido antes de alcançar Canaã, mas
seus descendentes chegaram lá, entre eles, estavam seu filho Ismael,
que seria ascendente dos povos árabes, e seu neto Jacó, filho de
Isaque, que teria sido ascendente do povo hebreu.
Se Abraão existiu ou não, se árabes e judeus tiveram um ancestral em comum, como contam suas tradições religiosas, a História não pode confirmar seguramente. Mas a origem mesopotâmica desses povos, hoje, é quase certa, em razão de algumas semelhança culturais e linguísticas com os antigos mesopotâmios.
Se Abraão existiu ou não, se árabes e judeus tiveram um ancestral em comum, como contam suas tradições religiosas, a História não pode confirmar seguramente. Mas a origem mesopotâmica desses povos, hoje, é quase certa, em razão de algumas semelhança culturais e linguísticas com os antigos mesopotâmios.
Deixemos de lado, agora, a origem de árabes e judeus e vamos nos ater a um fato ocorrido em Jerusalém, no ano 70 d.C., ou seja, cerca de trinta anos após o julgamento e crucificação de Jesus Cristo. Os romanos, que ainda dominavam aquela região e também eram pagãos, queriam construir na cidade de Jerusalém um templo dedicado a Júpiter. Para os hebreus, que eram monoteístas e intransigentes em matéria de religião, era um absurdo, uma heresia. A revolta foi grande. Mas a resposta dos romanos foi impiedosa. Em suma, os hebreus foram expulsos da Judeia, isto é, enxotados de sua própria terra. Começava. aí, a grande diáspora. Os judeus, expatriados, espalharam-se pelo mundo. O antigo estado judeu, a partir de então, deixou de existir.
Muitos séculos se passaram e, mesmo espalhados pelo mundo, vivendo em comunidades judaicas na Ásia Menor, no leste da Europa, no norte da África, na Península Ibérica, nos Países Baixo, nos Bálcãs e, depois, até na América, estigmatizados, perseguidos, humilhados, às vezes até expulsos de uma região ou outra, os judeus não perderam sua identidade cultural, religiosa e linguística.
Na
segunda metade do século XIX, surgiu, na Europa, o movimento
Sionista (em referência ao monte Sion, que fica nos arredores de
Jerusalém), que defendia o direito a autodeterminação do povo
judeu e a criação de um estado nacional judaico. Seu principal
líder era Theodor Herzl (1860-1904), um jornalista judeu húngaro,
autor do livro "Der Judenstaat" ("O estado judaico"),
no qual pregava que o problema do antissemitismo só seria resolvido
quando os judeus dispersos pelo mundo pudessem se reunir e se
estabelecer em um estado nacional independente. Durante um congresso,
em Basileia, na Suíça, em 1897, os judeus reunidos iniciaram
oficialmente a luta para a criação de um estado próprio. O grande
problema era em que região o estado judaico deveria ser fundado.
Entre vários locais apontados, estavam Chipre, Argentina e o Congo.
Para alguns sionistas, a justificativa da expulsão em 70 d.C., da
diáspora, não justificaria a recriação de um estado judeu na
Palestina, pois, muito antes da expulsão pelos romanos, a grande
maioria do povo hebreu já havia se helenizado e migrado
espontaneamente ou, mesmo, nem retornado para a Palestina depois do
cativeiro da Babilônia. No entanto, por razões históricas e pelo
forte apelo religioso, baseado na redenção do povo de Israel na
“terra prometida”, o local escolhido foi mesmo a Palestina, de
onde haviam sido expulsos cerca de mil e oitocentos anos antes.
Em razão disso, a partir do final do século XIX, principalmente por causa do antissemitismo, a migração de judeus da Europa para a Palestina se intensificou. No entanto, a Palestina, naquela época, já estava cultural e etnicamente arabizada, isto é, já era habitada por uma população de esmagadora maioria árabe, lá enraizada por uma longa e consistente migração e assimilação iniciada por volta do ano 350 d.C. e que perdurou e floresceu por mais de 400 anos, durante as dinastias árabes Omanida, Abássida e Fatímida. No entanto, isso não impediu a migração em massa de judeus da Europa para a região. Para se ter uma ideia desse fluxo, basta dizer que, entre 1890 e 1922, a população judaica na Palestina dobrou, de 40 mil para cerca de 85 mil. Já em 1909, foi criado na região o primeiro kibutz, que é um tipo de colônia agrícola de inspiração socialista. Claro que os árabes palestinos começaram a não ver aquele verdadeira invasão de judeus com bons olhos. Por isso, já também em 1909, os judeus começavam a criar grupos armados para se defender da fúria dos árabes palestinos. Afinal de contas, depois de quase dois mil anos, eles queriam a Palestina de volta para si, mas os árabes ali instalados havia séculos também, obviamente, não estavam de acordo com essa invasão judaica.
Diante dessas dificuldades, para o estabelecimento de um estado judeu, o movimento sionista teria de fazer uma grande alteração para mudar o equilíbrio étnico e demográfico da região, mesmo porque o projeto de um estado judaico padrão deveria se basear nas utopias religiosas e culturais bem próprias, exclusivas e definidas com os costumes e o idioma do povo judeu que habitava o leste europeu, uma cultura totalmente estranha não só para a comunidade árabe local, mas também para os judeus que já viviam na região bem antes do sionismo.
Até o final da I Guerra Mundial, a Palestina fazia parte do Império Turco-Otomano. Com a dissolução desse império, o território passou para o domínio da Grã-Bretenha. Em 1917, o chanceler britânico Arthur Balfour declarou formalmente apoio ao estabelecimento de um estado judeu na Palestina, desde que respeitados os direitos das comunidades não judaicas da região (Declaração Balfour). Na época, o governo britânico prometeu aos árabes-palestinos a criação de um grande estado, que jamais chegou a existir. A Liga das Nações, entidade que correspondia à ONU de hoje, outorgou ao Reino Unido a administração da Palestina em 1920. A comunidade árabe da região sentiu-se traída pelos britânicos e ameaçados pelos judeus. As animosidades se intensificaram. Nos anos de 1929 e 1936, ocorrem violentos distúrbios entre árabes e judeus.
A
perseguição aos judeus imposta pelo regime nazista de Adolf Hitler,
a partir de 1933, intensificou a migração para a Palestina. Finda a
II Guerra Mundial, o apoio internacional à criação de um estado
judaico aumentou em virtude da revelação do massacre de seis
milhões de judeus nos campos de extermínio nazistas, o holocausto.
Os britânicos, então, delegaram à então recém-criada ONU
(Organizações das Nações Unidas) a tarefa de solucionar os
problemas daquela região. Sem consulta prévia aos
árabes-palestinos, a ONU aprovou, em 1947, a divisão da Palestina
em dois estados, um para os judeus, e outro para os árabes, que
rejeitaram
a decisão.
Apesar
da revolta árabe, em 14 de maio de 1948, foi, então, criado o
Estado de Israel, com David Ben-Gurion, como primeiro-ministro. Cinco países árabes enviaram tropas para tentar evitar a fundação do Estado hebreu. A guerra terminou em janeiro de 1949, com a vitória de Israel. Cerca de 700 mil palestinos se refugiaram na Cisjordânia, na Faixa de Gaza ou migraram para os países árabes. A maioria deles perdeu casas e propriedades. O Egito incorporou a Faixa de Gaza ao seu território; a Jordânia recebeu Jerusalém Oriental e a Cisjordânia. O estado árabe-palestino, previsto pela ONU, acabou não sendo criado, enquanto Israel passou a controlar 75% do território da Palestina. Os árabes-palestinos, então, ficam sem território,
Com
apoio estrangeiro e remessa privada de dinheiro, a economia de Israel
floresceu rapidamente. Com o apoio dos Estados Unidos, os israelenses
se tornaram militarmente fortes. Com isso, ao longo dos anos, Israel
tem conseguido sobreviver cercados de inimigos, aos quais tem
conseguido vencer nos campos de batalha. Em 1967, diante da aliança
militar entre Egito, Síria e Jordânia, com apoio da União
Soviética, Israel, fortemente armado pelos Estados Unidos, teve a
ousadia de atacar os três países ao mesmo tempo, em 05 de junho. O
episódio, conhecido como “Guerra dos Seis Dias”, terminou no dia
10 de junho, com a vitória de Israel, que conquistou o Sinai, a
Faixa de Gaza, a Cisjordânia, as Colinas de Golã (na Síria), e a
zona oriental de Jerusalém. Mesmo com uma resolução da ONU na
época, determinando a devolução das áreas ocupadas, Israel exigiu
que os países árabes reconhecessem sua existência como nação.
De
lá para cá, o cotidiano dos povos daquela regiao é de permanente
hostilidade mútua. Durante as Olimpíadas de 1972, em Munique, na
então Alemanha Ocidental, onze atletas israelenses foram mortos pelo
grupo “Setembro Negro”, ligado à OLP (Organizaão para a
Libertação da Palestina). Em 1973, na chamada Guerra do Yom
Kippur, o
“Dia do Perdão” (feriado religioso judeu), a Síria e o Egito,
de surpresa, atacaram Israel pelo Sinai e pelas colinas de Golã.
Depois de 48 horas de lutas, Israel inverteu a vantagem dos árabes e
os derrotou. Nesse ano, os árabes fizeram do petróleo uma arma de
guerra: boicotaram seu fornecimento aos países que apoiavam Israel,
aumentando o preço do produto e causando a primeira grande crise do
petróleo no mundo. Em 1974, o Fatah, facção dominante na OLP,
passou a defender a criação de um Estado binacional na Palestina,
quando facções palestinas mais radicais romperam com a OLP. Em
1978, por ocasião da assinatura do acordo de Camp
David,
mediado pelos Estados Unidos, Israel devolveu o Sinai ao Egito. Em
1982, Israel invadiu o Líbano para expulsar a OLP de lá. O exército
israelense chegou a Beirute, onde permitiu o massacre de refugiados
palestinos nos campos de Sabra e Shatila por milícias cristãs
aliadas. Em 1987, eclodiu a primeira Intifada (revolta) contra Israel
em Gaza e na Cisjordânia. Em 1988, uma declaração de independência
palestina, feita pela OLP, reconheceu indiretamente o Estado de
Israel, de acordo com as fronteiras anteriores a 1967. No mesmo ano,
surgiu o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que prega até
hoje a destruição de Israel.
Por pressão dos Estados Unidos, Israel iniciou, em 1991, as primeiras negociações diretas com representantes palestinos, na Conferência de Madri (Espanha). Em 1993, Israel e OLP firmam o Acordos de Oslo, que previa um estágio interino de autonomia palestina em Gaza e na Cisjordânia até a conclusão de negociações para a criação de um estado palestino na região. Foi criada, então, a Autoridade Nacional Palestina (ANP), sob comando de Yasser Arafat, que em 1994 voltou do exílio na Tunísia. Em 1996, Arafat foi eleito presidente da ANP. Dessa forma, áreas de Gaza e da Cisjordânia passaram ao controle palestino, mas Israel manteve a colonização da Cisjordânia. Em 1994, o Hamas promoveu seu primeiro atentado terrorista, após a morte de 29 palestinos por grupo extremista judaico em Hebron. Em 1995, o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin foi assassinado por um extremista judeu. Em 1996, o direitista Binyamin Netanyahu foi eleito primeiro-ministro de Israel. Em 1999, ele foi sucedido pelo trabalhista Ehud Barak. Em julho de 2000, no último ano de seu mandato, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, reuniu o primeiro-ministro de Israel Ehud Barak e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, em Camp David (EUA) para cúpula destinada a pôr fim à questão. A cúpula fracassou, apesar de Israel julgar ter apresentado sua melhor proposta. Barak oferecia aos palestinos 95% de Gaza e da Cisjordânia (equivalente a menos de 22% da Palestina histórica) e capital em parte da Jerusalém árabe, mas não soberania sobre Esplanada das Mesquitas. Também não houve acordo sobre retorno dos refugiados.
Em setembro de 2000, Ariel Sharon, líder do partido de direita israelense Likud, em campanha para eleitoral, foi à Esplanada das Mesquitas. Começou, então a Segunda Intifada. Atentados terroristas, ataques israelenses e confrontos deixaram cerca de 5.000 palestinos e 1.000 israelenses mortos em quatro anos. Sharon, eleito primeiro-ministro em 2001, fundou o partido Kadima, que prometia abrir mão da "Grande Israel". Em 2002, ele começou construção do muro entre Israel e Cisjordânia. Esse muro reduziu a quase zero os atentados em Israel, mas anexou grandes porções do território palestino. Em 2004, Yasser Arafat morreu e foi substituído na Presidência da ANP por Mahmoud Abbas, do Fatah, eleito em 2005. Naquele mesmo ano, Israel retirou soldados e 8.000 colonos de Gaza, mas manteve controle sobre fronteiras marítimas e terrestres do território. Na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental foram mantidos 400 mil colonos. O primeiro-ministro Ariel Sharon entrou em coma em 2006 e foi substituído por Ehud Olmert. Em 2006, o Hamas venceu as eleições legislativas palestinas de janeiro de 2006. Seu gabinete foi boicotado por Israel e pelo Ocidente, que classificaram o grupo como terrorista. Em 2007, combates entre Hamas e Fatah levaram à expulsão do Fatah de Gaza. A ANP nomeou, então, novo gabinete, que só teve voz em parte da Cisjordânia. Israel iniciou, em razão disso, um cerco econômico a Gaza. O Hamas começa a usar túneis na fronteira com o Egito para contrabandear alimentos, combustível e armas. O grupo e facções ultrarradicais, como Jihad Islâmica, aumentaram os ataques com foguetes contra Israel. Uma trégua, mediada pelo Egito, entre Israel e Hamas vigorou entre junho e dezembro de 2008. Nenhum dos dois lados cumpriu estritamente o acordo. Deu no que deu. Desde 27 de dezembro do ano passado, Israel, respondendo aos ataques com foguetes do Hamas, vem atacando violentamente a Faixa de Gaza, provocando, até agora, mais de mil palestinos mortos, entre os quais, muitas crianças.
Por pressão dos Estados Unidos, Israel iniciou, em 1991, as primeiras negociações diretas com representantes palestinos, na Conferência de Madri (Espanha). Em 1993, Israel e OLP firmam o Acordos de Oslo, que previa um estágio interino de autonomia palestina em Gaza e na Cisjordânia até a conclusão de negociações para a criação de um estado palestino na região. Foi criada, então, a Autoridade Nacional Palestina (ANP), sob comando de Yasser Arafat, que em 1994 voltou do exílio na Tunísia. Em 1996, Arafat foi eleito presidente da ANP. Dessa forma, áreas de Gaza e da Cisjordânia passaram ao controle palestino, mas Israel manteve a colonização da Cisjordânia. Em 1994, o Hamas promoveu seu primeiro atentado terrorista, após a morte de 29 palestinos por grupo extremista judaico em Hebron. Em 1995, o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin foi assassinado por um extremista judeu. Em 1996, o direitista Binyamin Netanyahu foi eleito primeiro-ministro de Israel. Em 1999, ele foi sucedido pelo trabalhista Ehud Barak. Em julho de 2000, no último ano de seu mandato, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, reuniu o primeiro-ministro de Israel Ehud Barak e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, em Camp David (EUA) para cúpula destinada a pôr fim à questão. A cúpula fracassou, apesar de Israel julgar ter apresentado sua melhor proposta. Barak oferecia aos palestinos 95% de Gaza e da Cisjordânia (equivalente a menos de 22% da Palestina histórica) e capital em parte da Jerusalém árabe, mas não soberania sobre Esplanada das Mesquitas. Também não houve acordo sobre retorno dos refugiados.
Em setembro de 2000, Ariel Sharon, líder do partido de direita israelense Likud, em campanha para eleitoral, foi à Esplanada das Mesquitas. Começou, então a Segunda Intifada. Atentados terroristas, ataques israelenses e confrontos deixaram cerca de 5.000 palestinos e 1.000 israelenses mortos em quatro anos. Sharon, eleito primeiro-ministro em 2001, fundou o partido Kadima, que prometia abrir mão da "Grande Israel". Em 2002, ele começou construção do muro entre Israel e Cisjordânia. Esse muro reduziu a quase zero os atentados em Israel, mas anexou grandes porções do território palestino. Em 2004, Yasser Arafat morreu e foi substituído na Presidência da ANP por Mahmoud Abbas, do Fatah, eleito em 2005. Naquele mesmo ano, Israel retirou soldados e 8.000 colonos de Gaza, mas manteve controle sobre fronteiras marítimas e terrestres do território. Na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental foram mantidos 400 mil colonos. O primeiro-ministro Ariel Sharon entrou em coma em 2006 e foi substituído por Ehud Olmert. Em 2006, o Hamas venceu as eleições legislativas palestinas de janeiro de 2006. Seu gabinete foi boicotado por Israel e pelo Ocidente, que classificaram o grupo como terrorista. Em 2007, combates entre Hamas e Fatah levaram à expulsão do Fatah de Gaza. A ANP nomeou, então, novo gabinete, que só teve voz em parte da Cisjordânia. Israel iniciou, em razão disso, um cerco econômico a Gaza. O Hamas começa a usar túneis na fronteira com o Egito para contrabandear alimentos, combustível e armas. O grupo e facções ultrarradicais, como Jihad Islâmica, aumentaram os ataques com foguetes contra Israel. Uma trégua, mediada pelo Egito, entre Israel e Hamas vigorou entre junho e dezembro de 2008. Nenhum dos dois lados cumpriu estritamente o acordo. Deu no que deu. Desde 27 de dezembro do ano passado, Israel, respondendo aos ataques com foguetes do Hamas, vem atacando violentamente a Faixa de Gaza, provocando, até agora, mais de mil palestinos mortos, entre os quais, muitas crianças.
O
permanente clima de hostilidades entre judeus e palestinos parece não
ter solução. O radicalismo de ambos os lados e o fanatismo
religioso não permitem que haja bom senso, que haja concessões. É
um problema, pelo menos a curto e a médio prazo, sem uma solução
definitiva. Mesmo que se transforme a Faixa de Gaza e a Cisjordânia
em um estado nacional palestino, as hostilidades vão continuar,
infelizmente.

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