quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A TELEVISÃO EM PEREIRA BARRETO



Antes da televisão

No início da noite daquela segunda-feira, 18 de setembro de 1950, os frequentadores do Bar e Restaurante Bandeirantes, o “Bar do Tata”, que bebiam sua cervejinha e jogavam conversa fora, discutiam animadamente as fofocas da cidade, ou sobre a forte rivalidade dos times de futebol de Pereira Barreto na época, ou, talvez, sobre a derrota do Brasil na Copa do Mundo para o Uruguai, ou, também, sobre as eleições que se aproximavam, com a possibilidade de Getúlio Vargas voltar ao poder, não imaginavam que, naquele exato momento, bem distante dali, na capital do Estado, um novo veículo de comunicação estava nascendo no País, um veículo, aliás, que dali a quinze anos iria mudar a rotina de Pereira Barreto. Naquela noite, inaugurava-se na capital do Estado, a primeira emissora de TV da América do Sul, a PRF3 TV Tupi de São Paulo. Com certeza, pelo menos a maioria daquelas pessoas que bebiam e conversavam no “Bar do Tata” não fazia a menor ideia do que seria TELEVISÃO.

Mas o que é esse negócio de televisão?”, perguntaria um cidadão típico de 1950. “É uma espécie de rádio com imagem”, diria outro. “Rádio com imagem? Como assim?”. E o outro explicaria: “Além de você ouvir o speacker (como se chamava ‘locutor’ naquele tempo) falando, vai poder vê-lo”. “Vou poder ver o speacker falando?”, diria o outro, surpreso. E aí começou a falar: “Já pensou a gente, em vez só de ouvir, poder ver o programa do César de Alencar, na Rádio Nacional, poder ver a Linda e a Dircinha Batista cantando, ver o auditório,” E o outro interrompe dizendo: “Já pensou o futebol? Poder ver na mesma hora um jogo de futebol que está acontecendo lá em São Paulo ou no Rio de Janeiro? Ver os jogadores, a assistência (como se dizia ‘público’ naquele tempo)”. E o outro começaria a rir e dizer: “Isso seria um colosso (outra expressão daquela época), mas a gente já está começando a sonhar demais”. E um deles perguntaria ao outro: “Como é que aparece a imagem nesse ‘rádio”?”. E o outro diria: “Ele tem uma tela de vidro pequena na frente, na qual aparece a imagem, igual no cinema. Só que a tela é bem menor que a dos cinemas”. E o outro, admirado, diria: “Isso é o fino, hein?” (gíria daquele tempo, que significa “isso é ótimo, é excelente).

Como aconteceu no Brasil e no mundo todo, a televisão mudou a rotina da maioria das pessoas. A vida em Pereira Barreto, antes da chegada da TV era bem diferente de hoje. Durante o dia, a rotina era de trabalho. À noite, as pessoas costumavam se reunir para conversar, falar sobre os assuntos do dia a dia. Naquele tempo, as notícias do resto do Brasil e do mundo vinham pelo rádio e pelos jornais impressos, que chegavam geralmente depois das 17h na cidade, isso quando chegavam no mesmo dia.

A vida noturna da cidade era, de certa forma, até mais agitada do que hoje. Como não havia televisão, não havia novelas a acompanhar, a não ser as de rádio, as pessoas saíam mais de casa para se divertir. Naquele tempo não havia também problemas de violência nem tanta criminalidade. Por isso, as pessoas não se preocupavam em sair mais às ruas à noite e nos finais de semana.

Havia o tradicional footing na Praça da Bandeira. o saudoso Cine Itapura, com sessões quase que diárias. As sorveterias e as lanchonetes geralmente ficavam cheias. Aos sábados à noite, além dos filmes do Cine Itapura, das quermesses, dos circos e dos parques de diversão, que eram muito mais frequentes naquela época, também havia os bailes de gala no CAP. Um dos pontos de encontro preferidos da juventude pereira-barretense na década de 60 era o famoso “Tropical Bar”, onde é hoje a galeria New Center. Assim era a vida em Pereira Barreto antes da chegada da televisão.

As primeiras imagens

As primeiras imagens de TV começaram a chegar a Pereira Barreto, de forma irregular e precária, em 1965, quinze anos depois de inaugurada a primeira emissora de TV no Brasil. E era justamente a imagem dessa emissora pioneira que começava a chegar a Pereira Barreto. A implantação de uma retransmissora da TV Tupi de São Paulo na cidade de Araçatuba permitiu que alguns pereira-barretenses mais abastados trouxessem para cá os primeiros aparelhos receptores de TV. Para captar a imagem da TV Tupi, havia necessidade de instalar uma antena externa bem alta Na verdade, quanto mais alta a antena, melhor seria a qualidade da imagem. Depois de conectada a antena ao televisor, bastava ligar o receptor e sintonizá-lo no canal 9 (VHF). Lá estava, vinda diretamente de São Paulo (Capital), em preto e branco, acompanhada de alguns "chuviscos" ainda, a imagem da TV Tupi de São Paulo.

Aliás, naqueles primeiros tempos da TV em Pereira Barreto, ainda não havia técnicos especializados nem antenistas. A solução era chamar os amigos e parentes para ajudarem a instalar a tão esperada antena de TV. Era sempre uma festa. Era motivo até para um animado churrasco para os esforçados colaboradores.

Naquele tempo não havia rede de micro-ondas nem satélites, como hoje. Evidentemente, a qualidade da imagem não era das melhores. O sinal vinha de São Paulo via links terrestres, ou seja, o sinal passava de uma cidade para a outra até chegar a Pereira Barreto. Como não havia TVs regionais, como existem atualmente (TV Tem, TV I, etc.), a programação era a original, produzida em São Paulo, incluindo os comerciais da praça paulistana.

Isso permitiu a vários pereira-barretenses assistirem pela primeira vez, em 1966, pela TV, a uma Copa do Mundo de Futebol, que foi realizada na Inglaterra naquele ano. Os jogos internacionais, naquela época, ainda não eram transmitidos ao vivo. As partidas eram gravadas em videotapes, que eram trazidos para o Brasil de avião e exibidos cerca de dois dias depois do jogo. Acostumados às transmissões de futebol pelo rádio, os pereira-barretenses de então estranhavam o estilo dos narradores de TV, que não descreviam as jogadas como os narradores radiofônicos. Outro fato curioso, esse para os telespectadores de hoje, é que na década de 60 ainda não havia o recurso do replay. Quando os videotapes dos jogos do Brasil eram exibidos e havia um gol ou uma jogada polêmica, a exibição era interrompida, voltava-se a fita em alguns segundos e exibia-se novamente o gol ou a jogada.

Ainda em 1966, além da TV Tupi, começou também a chegar o sinal da TV Excelsior de São Paulo, mas com qualidade de imagem bem inferior à da TV Tupi. No entanto, em 1967 o sinal da TV Excelsior foi substituído pelo da TV Record, a emissora de TV mais badalada da época. Por causa disso, muitos pereira-barretenses puderam ver programas como “Família Trapo”, “Praça da Alegria”, “Hebe”, além, é claro, dos famosos festivais de MPB da TV Record.

Em 1969, os pereira-barretenses que já tinham seu receptor de TV puderam assistir a momentos históricos, como a chegada do homem à Lua, em julho, a participação de Pereira Barreto no programa “Cidade contra Cidade”, no dia 08 de agosto de 1969, apresentado por Sílvio Santos na TV Tupi de São Paulo. Naquele ano, também, muitos pereira-barretenses puderam ver, na noite de 19 de novembro de 1969, o milésimo gol de Pelé, narrado por Walter Abrão, em transmissão ao vivo pela TV Tupi de São Paulo.

Canal 8 - a primeira retransmissora local


Na noite do dia 11 de julho de 1969, menos de um mês antes da participação de Pereira Barreto no programa “Cidade contra a Cidade”, de Sílvio Santos, entrou em operação a primeira repetidora de TV de Pereira Barreto, que retransmitia o sinal da TV Tupi de São Paulo, no canal 8, em VHF. O curioso dessa repetidora de TV é que ela foi instalada inicialmente no alto da caixa d’água do Serviço de Abastecimento de Água da Cidade. Posteriormente foi transferida para um local nas proximidades da Santa Casa local.

Rede Globo em Pereira Barreto

Por volta de 1972, a TV Globo já podia ser sintonizada em Pereira Barreto por imagens captadas de repetidoras de cidades vizinhas. Mas a repetidora local da emissora entrou em funcionamento em julho de 1973. A Rede Globo chegava aqui por meio de sua única afiliada na região naquela época, a TV Globo Bauru, e era retransmitida no canal 10, em VHF. E, ao contrário do que dizem absurdamente algumas lendas que já circularam na cidade recentemente, o programa "Fantástico", naquele tempo, era visto pelos pereira-barretenses aos domingos mesmo, ao vivo, como é até hoje, e não dois dias depois, como alguns desinformados andaram dizendo por aí. Naquele tempo a Rede Globo já transmitia em rede nacional.

No final dos anos 70, a própria Rede Globo começou a instalar retransmissoras próprias na região. Quando entrou em operação, em 1980, a retransmissora da Rede Globo em Andradina, no canal 9, em VHF, a retransmissora local da Globo, que pertencia a um link paralelo, acabou sendo desativada. Por muitos anos, os pereira-barretenses assistiram à programação da Rede Globo de Televisão por meio de repetidora da cidade de Andradina. Só em 2004 é que a cidade voltou a contar com uma retransmissora local da TV Tem, de São José do Rio Preto, afiliada da Rede Globo, que pode ser sintonizada no canal 7, em VHF.

Os primeiros TV em cores

A TV em cores começou a funcionar oficialmente no Brasil em 31 de março de 1972. Mas os primeiros receptores só começaram a chegar aqui em 1973. A primeira loja a vender um receptor de TV em cores em Pereira Barreto, da marca "Colorado", foi a extinta Loja Eletro-Rádio, que pertencia ao grupo Calil, com sede na cidade de Birugüi (SP). No entanto, a TV em cores só foi se popularizar em Pereira Barreto no início da década de 80.

O fim da TV Tupi

A TV Tupi de São Paulo não foi só a primeira emissora de TV da América do Sul. Ela foi , também, a primeira emissora de TV a chegar ao interior do Estado de São Paulo. Suas imagens chegaram mais longe ainda. A Tupi cobria o sul de Minas Gerais, o norte do Paraná e várias cidades do Mato Grosso do Sul.

Em razão de problemas de gestão, a situação financeira da TV Tupi, já em meados da década de 70, era bastante difícil. A situação só piorou e, em 17 de julho de 1980, a concessão da emissora foi cassada pelo então presidente da República, o último da ditadura militar, general João Figueiredo. Mas, bem antes disso, o sinal da TV Tupi em Pereira Barreto, que era sintonizada no canal 8, em VHF, já havia sido cortado. Os pereira-barretenses não viram o triste fim da TV Tupi, no dia 18 de julho de 1980. A Rede Globo, já naquela época, era a campeã de audiência, não só em Pereira Barreto, mas em todo o Brasil.

Retransmissão via satélite

Em meados da década de 80, um forte temporal pôs abaixo a retransmissora TV de Pereira Barreto, deixando a cidade sem o sinal das TVs Cultura e Record. Uma nova retransmissora então foi instalada, em local mais adequado, usando, a partir de então, a retransmissão de imagens recebidas diretamente do recém-lançado satélite Brasilsat I, em vez da retransmissão por link terrestre, como era antes. Passamos a receber então, em 1986, os sinais da TV Bandeirantes e da extinta TV Manchete, diretamente de suas geradoras, via satélite. Posteriormente, a TV Manchete foi substituída pelo SBT. Por essa razão, uma nova retransmissora da TV Manchete foi implantada posteriormente.

Antenas parabólicas e as TVs por assinatura


No início da década de 90, as antenas parabólicas começaram a se tornar bastante populares em nossa cidade. Alguns telespectadores locais, descontentes com as limitações da retransmissora local, que oferecia apenas 5 canais, decidiram instalar em suas residências antenas parabólicas, que lhes permitiam captar, do satélite, diretamente das geradoras, com boa qualidade de recepção, vários canais de TV que não podiam ser sintonizados nas bandas de VHF e UHF locais, tais como MTV Brasil, CNT, Record (já em sua nova fase pós Igreja Universal), Rede Globo e muitas outras.

Outro avanço tecnológico, bem popular em nossa cidade, no final da década de 80, era o videocassete, que, além de reproduzir filmes e programas gravados em VHS, oferecia o recurso de os telespectadores poderem gravar seus programas preferidos na TV. Posteriormente, o videocassete foi superado pelo DVD, uma mídia que oferece qualidades de gravação e de imagem muito melhores.

Em meados da década de 90 também começaram a surgir as TVs por assinatura, via satélite (TV A, Directv, Sky, etc.).

Inicialmente, apareceu a TV A, do Grupo Abril, que oferecia um sinal digital de algumas emissoras a cabo, mas ela utilizava, para recepção do sinal, as antenas parabólicas convencionais. Posteriormente, ela foi substituída pela Directv, do mesmo grupo Abril, só que a recepção era por meio de antenas menores, pois utilizava satélites diferentes e as transmissões em banda KU. Além dessas, também surgiram a SKY, ligada, na época, às Organizações Globo, e a Tecsat, pertencente à tradicional fabricante de antenas parabólicas

A TV por assinatura da Tecsat deixou de existir há já alguns anos. A Directv foi incorporada pela SKY, A operadora de telefonia TELEFONICA também entrou na briga das TVs por assinatura via satélite e criou a TELEFONICA TV DIGITAL, hoje VIVO TV. Outro que entrou na disputa do mercado foi o empresário e líder religioso R.R. Soares, que criou recentemente a NOSSA TV, Além disso, a TV por assinatura via satélite da EMBRATEL se transformou em CLARO TV.

A chegada da TV digital

Na verdade, a TV digital no Brasil existe desde o início dos anos 90, quando surgiram as primeiras operadoras de TV por assinatura via satélite satélite, com a TV A, depois a Directv e a SKY. Porém, o sistema de transmissão digital dessas operadoras ainda não incorporavam as transmissões em alta definição (HD). No dia 02 de dezembro de 2007, foi implantada oficialmente na capital paulista a TV digital terrestre em canais de TV abertos, já utilizando, também, a transmissão de programas com imagens em alta definição. Paulatinamente, a TV digital está sendo implantada no País, e o sistema de TV analógico deverá, futuramente, ser desativado. Em muitas cidades, isso já foi feito, só funcionando o sistema digital. Há uma certa expectativa pelo total desligamento da TV analógica, pois a banda de frequência que é usada por ela atualmente será utilizada futuramente para a implantação do sistema de telefonia 4G.

Em Pereira Barreto, até o momento, só o SBT Interior, afiliada do SBT em nossa região, com sede em Araçatuba, já transmite no sistema digital, no canal 34.1. As demais emissoras – TV Tem (Globo), TV Record Rio Preto (Rede Record), TV Cultura, TV Band Presidente Prudente (Rede Bandeirantes), TV Gazeta e TV Ômega (Rede TV) só transmitem ainda no sistema analógico, embora a maioria dessas emissoras já tenham autorização da ANATEL para operar no sistema digital em Pereira Barreto.

No entanto, grande parte da população da cidade, não depende do sistema de recepção local de TV aberta, pois possui antenas parabólica ou assina algum serviço de TV por assinatura.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

PEREIRA BARRETO - HISTÓRIA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO - O TELEFONE



O início

Há quem afirme que o primeiro telefone foi instalado em Pereira Barreto, ou Novo Oriente, no início dos anos 30. É possível que houvesse um terminal telefônico, naquela época, para comunicação com outras localidades. Mas isso é incerto, porque, naquele tempo, tudo era muito precário por estas regiões distantes dos grandes centros urbanos. Eu, no entanto, acredito que Pereira Barreto veio a ter uma rede telefônica local somente na década de 40. O sistema era manual. Mesmo as ligações locais tinham de ser feitas por meio de um telefonista.

Naquele tempo, obviamente não existiam ainda redes de micro-ondas nem satélites. Cada cidade ou região tinha sua empresa própria de telefonia. As conexões entre uma localidade e outra eram feitas via cabos de fios de cobre. Era comum ver às margens de rodovias postes pelos quais passavam os cabos telefônicos que ligavam uma cidade a outra. Foi esse sistema rudimentar que funcionou em nossa cidade até o início da década de 70 do século passado.

Como a cidade era muito pequena, não havia muitos assinantes, pois ter telefone naqueles tempos idos era um luxo acessível a poucas pessoas. Só mesmo os moradores mais abastados, escritórios, repartições públicas a alguns estabelecimentos comerciais é que tinham o privilégio de ter uma linha telefônica instalada.

Naquele tempo, para se fazer uma ligação telefônica, bastava tirar o aparelho do gancho. A telefonista (geralmente era mulher) atendia. Bastava dizer a ela o número do telefone desejado e esperar que o interlocutor atendesse do outro lado da linha. Como a cidade era pequena e quase todo o mundo se conhecia, era comum somente dizer o nome da pessoa ou o local (empresa, repartição, etc.) para onde pretendia ligar, que a telefonista se encarregava de completar a ligação.

Uma ligação interurbana, no entanto, exigia do usuário um pouco mais de paciência e boa garganta. Paciência porque, como, naquele tempo, cada cidade ou região tinha sua própria operadora telefonia e as conexões eram feitas por enormes malhas de cabos de fios de cobre entre uma cidade e outra, tinha que haver toda uma negociação entre uma empresa e outra, por meio das telefonistas, para que uma ligação se completasse, o que podia demorar horas. Boa garganta, porque, como o sistema era precário, o usuário tinha que berrar ao telefone para poder ser ouvido do outro lado da linha.

O telefone automático

Em 1972, com a criação da TELEBRRAS e a estatização do sistema de telecomunicações no Brasil, promovido pela ditadura militar, as coisas começaram a mudar um pouco. Nesse mesmo ano, chegou a Pereira Barreto, por intermédio da então recém-criada COTESP (depois, TELESP), o tão sonhado telefone automático, uma sofisticação que já existia nas cidades médias e grandes. Com isso, muita gente se cadastrou e adquiriu uma linha telefônica, os números foram todos alterados, passando de três para quatro algarismos, e os velhos telefones pretos, pesados, foram substituídos por modernos aparelhos com disco, mais leves e, em sua maioria, com cores claras (branco, cinza, azul-claro, etc.).

As ligações locais, a partir de então, não necessitavam mais do auxílio das prestativas telefonistas. Bastava o usuário tirar o telefone do gancho, aguardar por alguns segundos o sinal de discar, discar o número desejado e, pronto, a ligação era completada. No entanto, para se fazer uma chamada interurbana, o usuário tinha que discar 101 e pedir a ligação. Depois disso, haja paciência e força na garganta. Uma ligação podia levar horas para ser completada. E, depois de completada, o usuário tinha que ter garganta resistente para poder ser ouvido pelo seu interlocutor do outro lado da linha.

O advento do DDD

Em meados da década de 70 do século passado, por volta de 1976 ou 1977, Pereira Barreto passou a integrar o sistema de Discagem Direta à Distância (DDD), que já era operado por meio de conexões por torres de micro-ondas. Com isso já era possível fazer uma ligação interurbana sem a necessidade de auxílio da telefonista. No entanto, como no início nem toda cidade estava integrada ao sistema, para essas cidades a ligação tinha de ser efetuada por meio de telefonista.

Esse sistema de Discagem Direta à Distância trouxe, não só a facilidade para efetuar a ligação, mas também melhor qualidade no serviço. O usuário não precisava mais gritar ao telefone. Muita gente, no início, se espantava, quando era atendida por alguém de uma localidade distante, com a qualidade da ligação. Muitos diziam, admirados: “Parece que estou falando com alguém aqui da cidade mesmo”.

O telefone celular

Em 1995, Pereira Barreto entra na era da telefonia celular. A Telesp Celular, antiga subsidiária da Telesp, que era responsável pela telefonia celular no Estado de São Paulo, implantou aqui, naquele ano, o serviço de telefonia móvel, ainda no sistema analógico. Com a privatização dos serviços de telefonia, em 1998, Pereira Barreto passou a ser atendido pela VIVO, um holding de várias empresas de telefonia celular de vários estados.
Como o sistema analógico de telefonia celular era precário e limitado, a população da cidade começou a reivindicar à VIVO a implantação do sistema digital. Mas a empresa relutou muito em fazer tal investimento em Pereira Barreto. Só com a chegada em Pereira Barreto, em 2003, da TESS (atual CLARO), que já começou disponibilizando seus serviços na cidade totalmente digitalizados, é que a VIVO, sentindo-se ameaçada, decidiu, às pressas, digitalizar os seus serviços na nossa cidade. Em meados de 2005, instalou-se também na cidade a empresa de telefonia móvel TIM, pertencente à Telecom Itália, também com seus serviços totalmente digitalizados. A previsão é de que, até o final de 2009, se instale aqui também a OI, antiga Telemar.

Nova era – privatização

Até 1998, ter um telefone fixo em casa ou na empresa não era nada fácil. Não havia disponibilidade de linhas. Quem tivesse pressa em adquirir uma linha telefônica tinha que comprar de terceiros, por um valor igual a de um veículo popular zero-quilômetro. Quem não quisesse pagar um preço tão alto, tinha de aguardar os chamados “planos de expansão” que as estatais de telefonia ofereciam de vez em quando. O interessado se cadastrava, pagava pela linha e, só depois de dois ou três anos, se tivesse sorte, tinha a sua linha instalada em casa.

Com a privatização dos serviços telefônicos no País, essa realidade começou a mudar a partir de 1998. Hoje, como linha telefônica não é mais bem, mas apenas um serviço oferecido pelas operadoras, ter telefone em casa é bem mais fácil e rápido. Na verdade, a privatização do sistema, não só de telefonia fixa, mas também do serviço móvel, acarretou a democratização da telefonia no Brasil. Hoje em dia, a maioria das pessoas pode ter uma linha telefônica, seja móvel ou fixa.

O que, vinte ou trinta anos atrás era um luxo, que só os mais abonados tinham, hoje é um serviço acessível à maioria da população. E Pereira Barreto não ficou fora disso.

Por mais críticas que um romântico “esquerdista” possa fazer às privatizações promovidas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, no final da década de 90, ninguém pode negar que a privatização dos serviços telefônicos promoveu o acesso de parcela significativa da população a esse serviço hoje essencial. O lado negativo é que a abertura do mercado de telecomunicações foi muito tímida e restrita. Isso fez com que se criasse um verdadeiro oligopólio na áres, no qual atuam, hoje, poucas empresas, que dominam o mercado e deixam os usuários sem muitas opções de escolha.

Telefone e Internet

A Internet, a famoso rede mundial de computadores, chegou ao Brasil em meados dos anos 90. Mas antes dela, já havia alguns serviços que podiam ser acessados por computador usando a linha telefônica. Eram os Bulletin Board System, os BBSs, que era uma espécie de Internet, mas bem precária ainda. Além dos BBSs, havia também um serviço chamado de teletexto, que era disponibilizado principalmente por empresas de telefonia, como era o caso do VIDEOTEXTO, da antiga TELESP, uma espécie de Internet bem rudimentar. Mas os pereira-barretenses tiveram pouco acesso a esses serviços. Quando a Internet começou a ser utilizada no Brasil, em 1995, alguns pereira-barretenses já acessavam esse novo serviço por linha telefônica, usando provedores de acesso de outras cidades (São Paulo, São José do Rio Preto, Araçatuba). O primeiro provedor de acesso à Internet em Pereira Barreto, só entrou no ar em julho de 1998. Era o Clubinter, que ainda disponibilizava acesso por linha telefônica, a 56 kabp. Posteriormente, o mesmo provedor começou a oferecer, também, acesso via rádio, tecnologia que dispensava o uso de linha telefônica. Com o crescimento da Internet, novas tecnologias de acesso foram chegando, como a conexão ADSL, da então Telefonica (hoje, VIVO), o “Speedy”.

Hoje, em pleno século XXI, coisas como o computador, a Itnernet, o smarrphone, o tablet, as redes sociais já fazem parte da rotina da grande maioria dos pereira-barretenses. As pessoas na cidade estão permanentemente em comunicação umas com as outras pelas redes sociais. A rede social mais usado é o Facebook, na qual os pereira-barretenses conectados já criaram vários grupos, entre os quais o PEREIRA BARRETO NEWS, PEREIRA BARRETO EM DEBATE, PEREIRA BARRETO HISTÓRIAS E MEMÓRIAS e muitos outros, sobre os mais variados assuntos.


Todo esse avanço tecnológico provocou uma mudança radical na vida das pessoas. Antigamente, cada região do Brasil e do mundo vivia em uma “época” diferente, o que influenciava bastante nos usos e costumes de cada povo, de cada comunidade, já que a comunicação e a troca de informação entre uma região e outra eram muito lentas. Os avanços tecnológicos, principalmente a grande revolução digital que estamos vivendo desde que foram produzidos os primeiros computadores e criadas as primeiras redes de comunicação, provocaram uma espécie de sincronização cultural no mundo. Hoje, pode-se dizer que, diferentemente do que ocorria no Brasil até os anos 30, por exemplo, o Brasil do interior e o Brasil dos grandes centros urbanos vivem praticamente na mesma “época”. O tráfego de informação hoje é tão rápido, que um jornal impresso do dia, que chega em nossa casa antes das oito horas da manhã, já está “velho” ao meio-dia. E isso faz com que uma cidade como Pereira Barreto, distante 625,9Km cidade de São Paulo, segundo o Google, esteja em comunicação permanente, e em tempo real, com a Capital do Estado. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A HISTÓRIA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO EM PEREIRA BARRETO - INTRODUÇÃO

Viver em Pereira Barreto nos anos 30, 40, 50 e até 60 não seria nada fácil para nenhum de nós, cidadãos do século XXI, acostumados a estar permanentemente em contato com a civilização, com os grandes centros, por meio de telefone celular, Internet, TV digital via satélite e toda essa tecnologia digital que nos liga ao resto do mundo. Hoje, podemos falar com alguém que está em São Paulo ou em Tóquio, no Japão, como se a pessoa estivesse aqui, ao nosso lado, uma realidade muito diferente daquela vivida pelos moradores da Pereira Barreto dos primeiros anos de existência.

Naqueles tempos difíceis, os pioneiros pereira-barretenses viviam praticamente isolados do resto do mundo. Telefone era privilégio de poucos e, mesmo assim, seu funcionamento era muito precário. Para conseguir uma ligação interurbana, era um transtorno. Depois de conseguir a tão esperada ligação, a pessoa tinha de falar com seu interlocutor, do outro lado da linha, aos berros, para poder ser ouvida. O rádio só veio a se popularizar por aqui na década de 50. Antes, só poucos privilegiados da cidade tinham um receptor de rádio. A TV só veio aparecer aqui em 1965, e, mesmo assim, de forma muito precária e irregular. Já a Internet, bem mais recente, começou a ser usada aqui praticamente na mesma época em que surgia no resto do País, em 1995, por meio de conexões via ligações interurbanas com provedores de São Paulo (Capital), São José do Rio Preto e Araçatuba. No entanto, o primeiro provedor local só começou a operar em julho de 1998.

Nos próximos dias, vamos fazer uma viagem no tempo e resgatar um pouco da história das comunicações em Pereira Barreto. Vamos ver como funcionavam os telefones, quando foi inaugurada a primeira emissora de rádio da cidade, como foi a chegada da televisão por aqui e, também, da Internet. Vou republicar em meu novo blog alguns textos que já publiquei alguns anos atrás sobre a história dos meios de comunicação em Pereira Barreto. Vamos viajar no tempo e saber como as pessoas se comunicavam naqueles tempos difíceis, sem celular, sem WhatsApp, sem Internet, sem TV digital. 

sábado, 7 de janeiro de 2017

Os perigos da doutrinação ideológica e/ou religiosa

Melita Maschmann (1918-2010)

Algum tempo atrás, lendo “GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO MUNDO*, um interessante livro do jornalista e escritor Leandro Narloch, deparei com a curiosa história de Melita Maschmann (1918-2010), que, na década de 30 do século passado, era uma jovem alemã, com todo um futuro pela frente e uma vida tranquila e confortável com seus pais. No entanto, encantada com o discurso de Adolf Hitler e com as ideias nazistas, decidiu engajar-se na Juventude Hitlerista. Em sua biografia, escrita em 1965, ela afirma que queria fugir da “vidinha pequena e infantil” que levava com seus pais e se engajar em alguma coisa “grande e fundamental”. Como muitos jovens alemães de sua época, Melita decidiu colar uma suástica em seu braço e integrar o movimento político que prometia recuperar o orgulho do povo alemão. Inicialmente, o interesse de Melita eram os esportes, as caminhadas e os acampamentos promovidos pela Juventude Hitlerista, atividades aparentemente inocentes. Porém, não tardou muito para que ela começasse a se interessar também por questões políticas. Acabou se tornando líder da Liga das Moças Alemãs, que era a ala feminina da Juventude Hitlerista. Melita estava, enfim, doutrinada. O Nazismo acabara de cooptar mais um componente para seu exército jovem e idealista, que defenderia o chamado “Terceiro Reich”.

Melita escreveu em suas memórias: “Minha família tinha planos conservadores para mim. Na boca de meus pais, as palavras ‘social’ e ‘socialismo’ tinham sempre um tom de desprezo. Mas eu acreditava nos nazistas quando eles propunham acabar com o desemprego e tirar 6 milhões de pessoas da pobreza. Eu acreditava neles quando diziam que iriam unificar a nação alemã, então dividida em mais de 40 partidos e superar as consequências ditadas no Tratado de Versalhes”.

Mesmo contra a vontade de seus pais “conservadores”, a jovem Melita Maschmann passou a se dedicar integralmente aos ideais nazistas. Em 1942, viajou para a Polônia, então ocupada pelo exército alemão, para fazer um trabalho voluntário. Com apenas vinte e três anos de vida, era a mais velha de um grupo de doze colegas. A vida na Polônia não era nada fácil, sem regalias e sem confortos, mas isso parecia só aumentar o espírito de aventura da empreitada. O trabalho de Melita não era dos mais “limpos”. Os nazistas expulsavam os judeus e eslavos de suas casas nos povoados poloneses, para encaminhá-los aos campos de extermínio. Em seus lugares, isto é, nas casas antes ocupadas pelos judeus e eslavos, colocavam descendentes de alemães. A função de Melita e de suas colegas era entrar nas casas desocupadas dos judeus e eslavos, limpá-las, rearranjar os móveis, queimar fotografias e objetos pessoais sem valor. Quando os novos moradores chegavam, Melita e suas colegas organizavam aulas de alemão e de teoria racial para os novos assentados. Até o fim da guerra, Melita Maschmann trabalhou incansavelmente em seu projeto de “mundo melhor”. Mesmo depois do suicídio de Hitler, da rendição alemã, do Tribunal de Nuremberg, Melita Maschmann demorou cerca de doze anos para se “desintoxicar” das ideias nazistas.

Apesar de todo avanço tecnológico, a arma mais poderosa usada pelo homem para dominar e manipular seus semelhantes continua sendo a palavra, ou seja, a doutrinação, ou, usando uma expressão mais popular, a “lavagem cerebral”. Muitas vezes, mesmo pessoas aparentemente inteligentes, bem formadas e informadas, estão sujeitas a serem doutrinadas e manipuladas por alguma corrente ideológica ou religiosa, sem que elas mesmo se apercebam disso.

As pessoas, muitas vezes encantadas e até inebriadas com o discurso de algum líder político, religioso ou filosófico, acabam sendo envolvidas por sua eloquência, por sua pregação, por seu palavreado bonito, envolvente, pela promessa de um mundo melhor ou coisas desse tipo. Geralmente, qualquer nova corrente religiosa, filosófica ou política tem por estratégia prometer um “mundo melhor” aos seus neófitos. A caminhada, a luta, a empreitada pode até envolver sacrifícios, mas o objetivo final sempre compensa: um mundo melhor, aqui ou no paraíso. Por mais altruísta que seja, todo ser humano pensa em si, na recompensa que virá, na Terra ou em “outro mundo”.

A doutrinação político-ideológica e/ou religiosa é um vírus que infesta o mundo há muitos séculos e tem ajudado a formar verdadeiros exércitos de “idiotas úteis”, de milhões de pessoas manipuladas, para as mais variadas finalidades, que, na maioria das vezes, não são nenhum pouco nobres. Como ocorreu no caso de Melita Maschmann, o Nazismo se apresentou a ela como algo bom, positivo, que resolveria os problemas da Alemanha, acabando com as injustiças sociais, com o desemprego, oferecendo a todos um “mundo melhor”. Atualmente, por exemplo, a mesma estratégia é muito utilizada por grupos de radicais islâmicos, que têm cooptado milhares de jovens europeus de famílias muçulmanas. O mais conhecido desses grupos é o terrível e sanguinário Estado Islâmico.

No Brasil, especificamente, o que mais preocupa são a doutrinação religiosa cristã e a doutrinação ideológica de “esquerda”, de orientação marxista-leninista. No entanto, tem crescido, também, nos últimos tempos, movimentos mais conservadores, rotulados de “direita”. Mas são movimentos muito fragmentados, de diversas nuances ideológicas, muitos deles ligados a correntes religiosas mais conservadoras.

A doutrinação religiosa cristã no Brasil tem como principal alvo as pessoas mais humildes, com formação escolar precária, por serem, obviamente, muito mais fáceis de serem doutrinadas e manipuladas. O instrumento utilizado pelos doutrinadores religiosos é a Bíblia, o livro sagrado do Cristianismo, que, com seus textos complexos, que dão margem a múltiplas interpretações, fornece todos os elementos necessários para a doutrinação de milhões de pessoas, que, obviamente, por terem pouca ou nenhuma formação escolar e intelectual, dificilmente questionarão os argumentos e os “ensinamentos” de seus doutrinadores.

Apesar de sua banalização entre as pessoas religiosas, o conteúdo das escrituras sagradas do Cristianismo não é para qualquer um, por ser de difícil entendimento e interpretação. É preciso saber que a Bíblia é uma coletânea de vários textos antigos, escritos por vários autores hebreus, anônimos, de diferentes gerações, ao longo de cerca mil e quinhentos anos, em hebraico, aramaico e grego koinê. Como foram escritos há muitos séculos, em idiomas antigos, por vários autores, de um povo que tinha uma cultura e uma visão de mundo totalmente diferente da nossa, isto é, de hoje em dia, os textos bíblicos têm que ser contextualizados com muito cuidado e, principalmente, à luz de conhecimento histórico e geográfico da época e dos lugares em que se passaram os fatos narrados. Além disso, segundo alguns especialistas, as traduções dos textos bíblicos para as línguas contemporâneas os empobrece um pouco, em comparação com suas versões nos idiomas originais, já que as línguas antigas tinham uma estrutura sintática e semântica diferente da grande maioria dos idiomas falados e escritos atualmente, com muitas variantes, que dificultam bastante a conversão de textos para os idiomas contemporâneos. Portanto, para tentar estudar e conhecer bem os textos bíblicos, é recomendável – mas não essencial - que o interessado conheça os idiomas em que eles foram escritos originalmente. Além disso, é preciso entender que os autores bíblicos estavam mais preocupados em transmitir ensinamentos de crença e fé do que em fidelidade histórica. Muitos dos casos narrados nos textos bíblicos não foram testemunhados pelos autores bíblicos, mas chegaram até eles por meio de seus ascendentes, através da literatura oral da época. Como os hebreus eram um povo que preservava as tradições de seus antepassados, as histórias eram transmitidas oralmente, de pai para filho, isto é, de uma geração para outra. Naquele tempo, ler e escrever era uma arte acessível a pouquíssimos, isto é, restrita quase que exclusivamente aos escribas (escrivães). Na maioria das vezes, nem os reis e a aristocracia sabiam ler e escrever. Era uma arte, na época, como acontecia, por exemplo,  com os computadores nos anos 60 e 70, que só podiam ser utilizados por pessoas iniciadas. Portanto, a maioria absoluta das pessoas daquele tempo não sabia ler nem escrever. Como essas histórias eram contadas e recontadas oralmente por gerações, é possível que elas tenham chegado aos autores bíblicos já distorcidas, com acréscimos, decréscimos, omissões e adições. No entanto, os cristãos acreditam que a Bíblia teria sido escrita “sob a inspiração divina” e, por isso, seria a “Palavra de Deus” aos homens. Mas essa é uma questão de fé, que tem que ser respeitada, mas que, dentro do contexto histórico e científico deste texto, não vamos aqui analisar.

Em suma, diante de tanta complexidade, podemos concluir que os textos bíblicos oferecem os ingredientes perfeitos para serem usados como instrumentos de doutrinação e manipulação.

Claro que a doutrinação religiosa, por si só, não constitui nenhum perigo para o indivíduo nem para a sociedade. Quando o objetivo é somente a divulgação da fé, ela pode até ser saudável. O grande perigo está nas intenções que estão por trás de um processo de doutrinação religiosa. Muitas vezes, o objetivo é garantir um poder de manipulação de um grande número de pessoas, que, doutrinadas, tornam-se perfeitos “idiotas úteis” para um líder religioso ou para uma instituição com objetivos não muito nobres.

A doutrinação ideológica, hoje em dia, em plena era da informação, talvez não tenha tanta chance de ser abrangente e bem-sucedida como ocorreu com o nazifascismo, na Europa, nos anos 20 e 30 do século passado, mas ela, obviamente, não deixou de existir. No Brasil, por exemplo, ela está presente, principalmente em escolas, universidades, movimentos sociais, sindicatos e entidades congêneres. Seu grau de periculosidade é relativo, dependendo, obviamente, do conteúdo e dos objetivos do processo de doutrinação. No Brasil e em toda a América Latina, a predominância é da doutrinação ideológica de esquerda (marxista-leninista). Curioso é que, com a queda do Muro de Berlim, em 1989, o fim da União Soviética e a derrocada do comunismo, no início dos anos 90, a chamada “esquerda” sofreu um baque, o que fez muita gente pensar que seria o fim da chamada utopia socialista/comunista. Não foi. Muitos partidos de esquerda se renovaram diante da nova ordem mundial que surgia, como, por exemplo, o Partido Comunista Brasileiro (PCB), o velho “partidão”, que abandonou velhos conceitos de esquerda, adotou uma nova concepção de socialismo, mais voltado para a social-democracia, mudando até de nome da agremiação, passando a se chamar Partido Popular Socialista, PPS. Contudo, outros segmentos da esquerda, apesar da nova realidade geopolítica mundial, mantiveram-se fiéis ao sonho de construir uma sociedade moldada rigorosamente no receituário marxista-leninista, alegando que o “verdadeiro socialismo” ainda não aconteceu e que as experiências vividas até o início dos anos 90, na União Soviética, na Europa Oriental, na China, Coreia do Norte, no Vietnan, Camboja, Albânia e Cuba, que se transformaram em regimes autoritários, estavam longe de ser o verdadeiro socialismo/comunismo.

A ditadura militar (1964-1985), com truculência, perseguições, torturas, mortes e censura, e a forte influência da “esquerda” na mídia e nos movimentos culturais nas últimas décadas enfraqueceram bastante os discursos da chamada “direita” no Brasil. O vínculo que se criou, um tanto errôneo e arbitrário, entre “ditadura militar” e a palavra “direita” fez com que se estabelecesse aqui uma impropriedade semântica: ser “de direita” no Brasil passou a ser um pecado, um crime. No entanto, com o tempo, isso foi mudando, e os movimentos mais conservadores, rotulados de “direita”, estão crescendo novamente no Brasil, principalmente, e surpreendentemente, entre os jovens. Aliás, a sociedade brasileira, em sua grande maioria, sempre foi e continua sendo bastante conservadora. Em razão disso, mesmo esses segmentos “de direita” não possuindo muito espaço na chamada “grande mídia”, eles exercem grande influência no modo de pensar da grande maioria do povo brasileiro. Uma das razões disso é que boa parte desses segmentos recebe forte influência religiosa, principalmente dos setores mais conservadores da Igreja Católica e de igrejas evangélicas. Não podemos nos esquecer de que nunca antes na história deste país tanta gente frequentou igrejas como agora. Os templos, principalmente os de denominações evangélicas, vivem lotados de fiéis. Esse aumento espantoso de religiosidade na população brasileira nos últimos anos fez com que houvesse, obviamente, um processo de reconservadorização da maior parte da sociedade brasileira. Curiosamente, há aí um processo de doutrinação religiosa que pode resvalar para a doutrinação também ideológica.

Para concluirmos nossas conjecturas, vamos tentar saber, então, quais seriam, afinal, os efeitos danosos da douinação ideológica e/ou religiosa. Isso depende de uma série de fatores relacionados à pessoa doutrinada, entre os quais sua formação cultural e religiosa, sua personalidade, suas condições emocionais, seus conceitos de vida, etc. Mas os efeitos podem variar da limitação do horizonte intelectual e cultural do doutrinado, passando pelo comprometimento de sua vida social, podendo chegar ao risco de transformá-lo em um completo fanático.

Uma pessoa com o horizonte intelectual limitado, decorrente de um processo de doutrinação intensa, a famosa “lavagem cerebral”, é aquela popularmente conhecida como “bitolada”, que tem uma compreensão ou uma visão do mundo, das coisas e da vida muito limitada. Parece que seu cérebro foi “reformatado”. Seu universo parece estar restrito àquilo que foi colocado em sua mente pelos seus doutrinadores. O que sair fora desses limites, a pessoa refuta, repele, desconsidera. No entanto, independentemente disso, ela pode até ter uma vida normal, possuir amigos e até uma vida social intensa. Há, no entanto, casos em que a pessoa passa a ter dificuldades de se relacionar com parentes e amigos. Ela se torna a “chata” ou o “chato” da turma, que todos começam a evitar, por não suportar mais suas ideias fixas de religião, ou de ideologia, ou de política. Como a pessoa julga-se descobridora da “Verdade”, achando que encontrou a “luz”, convence-se de que tem a obrigação de “salvar a humanidade”, de disseminar suas ideias “revolucionárias” ou “salvadoras”. Esse ou essa já está a um passo do fanatismo.

Somente uma formação intelectual e cultural sólida não é o bastante para proteger alguém de um processo de doutrinação. É preciso que a pessoa tenha, acima de tudo, um senso crítico apurado. Foi dito sempre aos fiéis das religiões do mundo: não questione. Creia. Eu, porém, lhes digo que não devem somente crer, mas questionar também. Pergunte, pesquise, duvide. Só a dúvida leva ao conhecimento. Não aceite uma ideia de pronto somente porque ela lhe parece bonita, bem-intencionada. Eu não diria que ninguém é dono da verdade. Mas, com certeza, ninguém, até hoje, conseguiu provar ser o dono da verdade. Então, não se deixe levar por oradores eloquentes, por discursos bonitos. Cuidado quando sentir aquela impressão de que “ele ou ela está dizendo justamente aquilo que eu precisava ouvir”. É justamente aí que pode estar a armadilha. Não se deixe enganar pelos falsos heróis, pelos falsos defensores dos pobres e oprimidos. Como diz a sabedoria popular, o inferno está repleto de bem-intencionados.

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* NARLOCH, Leandro, Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, São Paulo, Leya, 2013, pgs. 199 e 202.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Por que Israel e palestinos brigam tanto?




Por que Israel e palestinos brigam tanto? Por que tanta animosidade entre esses dois povos, que têm entre si fortes vínculos étnicos? Por que tantas guerras, tantas mortes, tanto sofrimento naquela região? Muita gente, mesmo na mídia e até no meio acadêmico, se mete a dar palpite sobre essa interminável disputa entre Israel e palestinos sem conhecimento de causa, sem saber realmente a verdadeira raiz do problema. Para saber e compreender bem os reais motivos desse ódio mútuo e inesgotável, precisamos voltar no tempo. Temos que recorrer à História. Diferentemente do que muita gente pensa, esse não é um problema tão antigo assim. Até o final do século XIX, árabes e judeus viviam em harmonia. Toda essa briga teve sua origem mesmo no finalzinho do século XIX. Mas para entender bem a questão, vamos recorrer à História, vamos voltar no tempo.

Segundo a tradição judaico-islâmico-cristã, tudo começou, cerca de 2.000 anos a.C., numa cidade do sul da Mesopotâmia, atual Iraque, chamada Ur, ou a Ur dos Caldeus, onde um homem, chamado Abraão teria recebido um chamado de Deus para que abandonasse seu povo e fosse, com sua família, para a “terra prometida” de Canaã, antigo nome pelo qual era conhecida a atual região ocupada hoje por Israel, Cisjordânia, parte ocidental da Jordânia e sul do Líbano. Abraão e sua família, obedecendo a Deus, teriam percorrido os desertos daquela região por muitos anos, em busca da tal terra prometida por Deus. O próprio Abraão teria morrido antes de alcançar Canaã, mas seus descendentes chegaram lá, entre eles, estavam seu filho Ismael, que seria ascendente dos povos árabes, e seu neto Jacó, filho de Isaque, que teria sido ascendente do povo hebreu.

Se Abraão existiu ou não, se árabes e judeus tiveram um ancestral em comum, como contam suas tradições religiosas, a História não pode confirmar seguramente. Mas a origem mesopotâmica desses povos, hoje, é quase certa, em razão de algumas semelhança culturais e linguísticas com os antigos mesopotâmios.

Deixemos de lado, agora, a origem de árabes e judeus e vamos nos ater a um fato ocorrido em Jerusalém, no ano 70 d.C., ou seja, cerca de trinta anos após o julgamento e crucificação de Jesus Cristo. Os romanos, que ainda dominavam aquela região e também eram pagãos, queriam construir na cidade de Jerusalém um templo dedicado a Júpiter. Para os hebreus, que eram monoteístas e intransigentes em matéria de religião, era um absurdo, uma heresia. A revolta foi grande. Mas a resposta dos romanos foi impiedosa. Em suma, os hebreus foram expulsos da Judeia, isto é, enxotados de sua própria terra. Começava. aí, a grande diáspora. Os judeus, expatriados, espalharam-se pelo mundo. O antigo estado judeu, a partir de então, deixou de existir.

Muitos séculos se passaram e, mesmo espalhados pelo mundo, vivendo em comunidades judaicas na Ásia Menor, no leste da Europa, no norte da África, na Península Ibérica, nos Países Baixo, nos Bálcãs e, depois, até na América, estigmatizados, perseguidos, humilhados, às vezes até expulsos de uma região ou outra, os judeus não perderam sua identidade cultural, religiosa e linguística.

Na segunda metade do século XIX, surgiu, na Europa, o movimento Sionista (em referência ao monte Sion, que fica nos arredores de Jerusalém), que defendia o direito a autodeterminação do povo judeu e a criação de um estado nacional judaico. Seu principal líder era Theodor Herzl (1860-1904), um jornalista judeu húngaro, autor do livro "Der Judenstaat" ("O estado judaico"), no qual pregava que o problema do antissemitismo só seria resolvido quando os judeus dispersos pelo mundo pudessem se reunir e se estabelecer em um estado nacional independente. Durante um congresso, em Basileia, na Suíça, em 1897, os judeus reunidos iniciaram oficialmente a luta para a criação de um estado próprio. O grande problema era em que região o estado judaico deveria ser fundado. Entre vários locais apontados, estavam Chipre, Argentina e o Congo. Para alguns sionistas, a justificativa da expulsão em 70 d.C., da diáspora, não justificaria a recriação de um estado judeu na Palestina, pois, muito antes da expulsão pelos romanos, a grande maioria do povo hebreu já havia se helenizado e migrado espontaneamente ou, mesmo, nem retornado para a Palestina depois do cativeiro da Babilônia. No entanto, por razões históricas e pelo forte apelo religioso, baseado na redenção do povo de Israel na “terra prometida”, o local escolhido foi mesmo a Palestina, de onde haviam sido expulsos cerca de mil e oitocentos anos antes.

Em razão disso, a partir do final do século XIX, principalmente por causa do antissemitismo, a migração de judeus da Europa para a Palestina se intensificou. No entanto, a Palestina, naquela época, já estava cultural e etnicamente arabizada, isto é, já era habitada por uma população de esmagadora maioria árabe, lá enraizada por uma longa e consistente migração e assimilação iniciada por volta do ano 350 d.C. e que perdurou e floresceu por mais de 400 anos, durante as dinastias árabes Omanida, Abássida e Fatímida. No entanto, isso não impediu a migração em massa de judeus da Europa para a região. Para se ter uma ideia desse fluxo, basta dizer que, entre 1890 e 1922, a população judaica na Palestina dobrou, de 40 mil para cerca de 85 mil. Já em 1909, foi criado na região o primeiro
kibutz, que é um tipo de colônia agrícola de inspiração socialista. Claro que os árabes palestinos começaram a não ver aquele verdadeira invasão de judeus com bons olhos. Por isso, já também em 1909, os judeus começavam a criar grupos armados para se defender da fúria dos árabes palestinos. Afinal de contas, depois de quase dois mil anos, eles queriam a Palestina de volta para si, mas os árabes ali instalados havia séculos também, obviamente, não estavam de acordo com essa invasão judaica.

Diante dessas dificuldades, para o estabelecimento de um estado judeu, o movimento sionista teria de fazer uma grande alteração para mudar o equilíbrio étnico e demográfico da região, mesmo porque o projeto de um estado judaico padrão deveria se basear nas utopias religiosas e culturais bem próprias, exclusivas e definidas com os costumes e o idioma do povo judeu que habitava o leste europeu, uma cultura totalmente estranha não só para a comunidade árabe local, mas também para os judeus que já viviam na região bem antes do sionismo.

Até o final da I Guerra Mundial, a Palestina fazia parte do Império Turco-Otomano. Com a dissolução desse império, o território passou para o domínio da Grã-Bretenha. Em 1917, o chanceler britânico Arthur Balfour declarou formalmente apoio ao estabelecimento de um estado judeu na Palestina, desde que respeitados os direitos das comunidades não judaicas da região (Declaração Balfour). Na época, o governo britânico prometeu aos árabes-palestinos a criação de um grande estado, que jamais chegou a existir. A Liga das Nações, entidade que correspondia à ONU de hoje, outorgou ao Reino Unido a administração da Palestina em 1920. A comunidade árabe da região sentiu-se traída pelos britânicos e ameaçados pelos judeus. As animosidades se intensificaram. Nos anos de 1929 e 1936, ocorrem violentos distúrbios entre árabes e judeus.


A perseguição aos judeus imposta pelo regime nazista de Adolf Hitler, a partir de 1933, intensificou a migração para a Palestina. Finda a II Guerra Mundial, o apoio internacional à criação de um estado judaico aumentou em virtude da revelação do massacre de seis milhões de judeus nos campos de extermínio nazistas, o holocausto. Os britânicos, então, delegaram à então recém-criada ONU (Organizações das Nações Unidas) a tarefa de solucionar os problemas daquela região. Sem consulta prévia aos árabes-palestinos, a ONU aprovou, em 1947, a divisão da Palestina em dois estados, um para os judeus, e outro para os árabes, que rejeitaram a decisão.

Apesar da revolta árabe, em 14 de maio de 1948, foi, então, criado o Estado de Israel, com David Ben-Gurion, como primeiro-ministro. Cinco países árabes enviaram tropas para tentar evitar a fundação do Estado hebreu. A guerra terminou em janeiro de 1949, com a vitória de Israel. Cerca de 700 mil palestinos se refugiaram na Cisjordânia, na Faixa de Gaza ou migraram para os países árabes. A maioria deles perdeu casas e propriedades. O Egito incorporou a Faixa de Gaza ao seu território; a Jordânia recebeu Jerusalém Oriental e a Cisjordânia. O estado árabe-palestino, previsto pela ONU, acabou não sendo criado, enquanto Israel passou a controlar 75% do território da Palestina. Os árabes-palestinos, então, ficam sem território,

Com apoio estrangeiro e remessa privada de dinheiro, a economia de Israel floresceu rapidamente. Com o apoio dos Estados Unidos, os israelenses se tornaram militarmente fortes. Com isso, ao longo dos anos, Israel tem conseguido sobreviver cercados de inimigos, aos quais tem conseguido vencer nos campos de batalha. Em 1967, diante da aliança militar entre Egito, Síria e Jordânia, com apoio da União Soviética, Israel, fortemente armado pelos Estados Unidos, teve a ousadia de atacar os três países ao mesmo tempo, em 05 de junho. O episódio, conhecido como “Guerra dos Seis Dias”, terminou no dia 10 de junho, com a vitória de Israel, que conquistou o Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, as Colinas de Golã (na Síria), e a zona oriental de Jerusalém. Mesmo com uma resolução da ONU na época, determinando a devolução das áreas ocupadas, Israel exigiu que os países árabes reconhecessem sua existência como nação.

De lá para cá, o cotidiano dos povos daquela regiao é de permanente hostilidade mútua. Durante as Olimpíadas de 1972, em Munique, na então Alemanha Ocidental, onze atletas israelenses foram mortos pelo grupo “Setembro Negro”, ligado à OLP (Organizaão para a Libertação da Palestina). Em 1973, na chamada Guerra do Yom Kippur, o “Dia do Perdão” (feriado religioso judeu), a Síria e o Egito, de surpresa, atacaram Israel pelo Sinai e pelas colinas de Golã. Depois de 48 horas de lutas, Israel inverteu a vantagem dos árabes e os derrotou. Nesse ano, os árabes fizeram do petróleo uma arma de guerra: boicotaram seu fornecimento aos países que apoiavam Israel, aumentando o preço do produto e causando a primeira grande crise do petróleo no mundo. Em 1974, o Fatah, facção dominante na OLP, passou a defender a criação de um Estado binacional na Palestina, quando facções palestinas mais radicais romperam com a OLP. Em 1978, por ocasião da assinatura do acordo de Camp David, mediado pelos Estados Unidos, Israel devolveu o Sinai ao Egito. Em 1982, Israel invadiu o Líbano para expulsar a OLP de lá. O exército israelense chegou a Beirute, onde permitiu o massacre de refugiados palestinos nos campos de Sabra e Shatila por milícias cristãs aliadas. Em 1987, eclodiu a primeira Intifada (revolta) contra Israel em Gaza e na Cisjordânia. Em 1988, uma declaração de independência palestina, feita pela OLP, reconheceu indiretamente o Estado de Israel, de acordo com as fronteiras anteriores a 1967. No mesmo ano, surgiu o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que prega até hoje a destruição de Israel.

Por pressão dos Estados Unidos, Israel iniciou, em 1991, as primeiras negociações diretas com representantes palestinos, na Conferência de Madri (Espanha). Em 1993, Israel e OLP firmam o Acordos de Oslo, que previa um estágio interino de autonomia palestina em Gaza e na Cisjordânia até a conclusão de negociações para a criação de um estado palestino na região. Foi criada, então, a Autoridade Nacional Palestina (ANP), sob comando de Yasser Arafat, que em 1994 voltou do exílio na Tunísia. Em 1996, Arafat foi eleito presidente da ANP. Dessa forma, áreas de Gaza e da Cisjordânia passaram ao controle palestino, mas Israel manteve a colonização da Cisjordânia. Em 1994, o Hamas promoveu seu primeiro atentado terrorista, após a morte de 29 palestinos por grupo extremista judaico em Hebron. Em 1995, o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin foi assassinado por um extremista judeu. Em 1996, o direitista Binyamin Netanyahu foi eleito primeiro-ministro de Israel. Em 1999, ele foi sucedido pelo trabalhista Ehud Barak. Em julho de 2000, no último ano de seu mandato, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, reuniu o primeiro-ministro de Israel Ehud Barak e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, em Camp David (EUA) para cúpula destinada a pôr fim à questão. A cúpula fracassou, apesar de Israel julgar ter apresentado sua melhor proposta. Barak oferecia aos palestinos 95% de Gaza e da Cisjordânia (equivalente a menos de 22% da Palestina histórica) e capital em parte da Jerusalém árabe, mas não soberania sobre Esplanada das Mesquitas. Também não houve acordo sobre retorno dos refugiados.

Em setembro de 2000, Ariel Sharon, líder do partido de direita israelense Likud, em campanha para eleitoral, foi à Esplanada das Mesquitas. Começou, então a Segunda Intifada. Atentados terroristas, ataques israelenses e confrontos deixaram cerca de 5.000 palestinos e 1.000 israelenses mortos em quatro anos. Sharon, eleito primeiro-ministro em 2001, fundou o partido Kadima, que prometia abrir mão da "Grande Israel". Em 2002, ele começou construção do muro entre Israel e Cisjordânia. Esse muro reduziu a quase zero os atentados em Israel, mas anexou grandes porções do território palestino. Em 2004, Yasser Arafat morreu e foi substituído na Presidência da ANP por Mahmoud Abbas, do Fatah, eleito em 2005. Naquele mesmo ano, Israel retirou soldados e 8.000 colonos de Gaza, mas manteve controle sobre fronteiras marítimas e terrestres do território. Na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental foram mantidos 400 mil colonos. O primeiro-ministro Ariel Sharon entrou em coma em 2006 e foi substituído por Ehud Olmert. Em 2006, o Hamas venceu as eleições legislativas palestinas de janeiro de 2006. Seu gabinete foi boicotado por Israel e pelo Ocidente, que classificaram o grupo como terrorista. Em 2007, combates entre Hamas e Fatah levaram à expulsão do Fatah de Gaza. A ANP nomeou, então, novo gabinete, que só teve voz em parte da Cisjordânia. Israel iniciou, em razão disso, um cerco econômico a Gaza. O Hamas começa a usar túneis na fronteira com o Egito para contrabandear alimentos, combustível e armas. O grupo e facções ultrarradicais, como Jihad Islâmica, aumentaram os ataques com foguetes contra Israel. Uma trégua, mediada pelo Egito, entre Israel e Hamas vigorou entre junho e dezembro de 2008. Nenhum dos dois lados cumpriu estritamente o acordo. Deu no que deu. Desde 27 de dezembro do ano passado, Israel, respondendo aos ataques com foguetes do Hamas, vem atacando violentamente a Faixa de Gaza, provocando, até agora, mais de mil palestinos mortos, entre os quais, muitas crianças.

O permanente clima de hostilidades entre judeus e palestinos parece não ter solução. O radicalismo de ambos os lados e o fanatismo religioso não permitem que haja bom senso, que haja concessões. É um problema, pelo menos a curto e a médio prazo, sem uma solução definitiva. Mesmo que se transforme a Faixa de Gaza e a Cisjordânia em um estado nacional palestino, as hostilidades vão continuar, infelizmente.


Novo blog

Estou iniciando, aqui, meu novo blog, um novo espaço onde vou expor minhas ideias e inserir também, quando puder, informações que considero interessantes. Claro que vou continuar usando meu perfil no Facebook para expor minhas opiniões e, também, quando for possível, inserir informações que achei interessante. Então por que um blog?

O Facebok é uma rede social. Ali, a gente procura postar textos curtos, porque a grande maioria dos usuários de redes sociais, em especial o Facebook, que é, hoje, o mais popular, não tem paciência para ler textos longos. Além disso, as postagens em redes sociais estão sujeitas a todo tipo de interferências e até censuras. Por isso, não abro mão do blog, que é um espaço meu, onde posso postar o que eu quero, do jeito que eu quero, onde posso dizer o que penso, sem medo de ser bloqueado.

Este blog vai ser destinado aos meus textos mais elaborados, resultado de uma pesquisa mais bem-feita sobre determinados assuntos.

Além de textos novos, vou transportar para este novo blog alguns textos antigos meus, em especial os que falam sobre Pereira Barreto, curiosidades históricas de nossa cidade e a história dos meios de comunicação, em especial sobre o rádio local.

Todo texto novo terá um link a partir do Facebook. Espero que gostem.


SE O CAPITALISMO NÃO EXISTISSE, COMO SERIA O MUNDO?

SE O CAPITALISMO NÃO EXISTISSE, COMO SERIA O MUNDO? Essa é uma excelente pergunta — e ela é mais profunda do que parece à primeira vi...