segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A HISTÓRIA DO RÁDIO EM PEREIRA BARRETO



No princípio era o silêncio. Depois, alguns chiados e zunidos e, finalmente, no dia 07 de setembro de 1922, realizou-se a primeira transmissão radiofônica oficial no Brasil, como parte das comemorações do Centenário da Independência. A Westinghouse Electric e a Companhia Telefônica Brasileira instalaram no alto do Corcovado, no Rio de Janeiro, uma estação transmissora de 500 Watts, inaugurada com um discurso do então presidente da República Epitácio Pessoa, diretamente do Teatro Municipal. Após o discurso, seguiram-se apresentações de música clássica, como a ópera O Guarani. Tudo isso foi captado por cerca de oitenta aparelhos receptores de rádio, distribuídos pelo Rio de Janeiro, Niterói, Petrópolis e São Paulo, algo espantoso para a época.

Mas essa foi apenas uma transmissão experimental. Em 20 de abril de 1923, Edgar Roquette Pinto e Henry Morize inauguraram a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, primeira emissora do País. Acredite: essa emissora pioneira está no ar até hoje, pois, em 1936, ela foi doada ao Ministério da Educação. Hoje, ela se chama Rádio MEC.

Mas tudo isso aconteceu lá pelos lados do Rio de Janeiro. Aqui, em Novo Oriente e, depois, Pereira Barreto, em pleno interior do Brasil, centenas e centenas de quilômetros distante dos grandes centros urbanos, ter um receptor de rádio, nas décadas de 20, 30 e 40, era um privilégio de pouquíssimos.

Na década de 40, um dos poucos a possuir um receptor de rádio em Pereira Barreto era o Sr. Léo Liedtke, proprietário de uma padaria na Avenida Brasil e pai do ex-prefeito Léo Liedtke Junior. Era lá que algumas pessoas da cidade se reuniam naquela época, por exemplo, para saberem notícias da II Guerra Mundial (1939-1945). Os aparelhos eram caros para a maioria dos moradores de Pereira Barreto naquele tempo.

Já no final da década de 40 e início dos anos 50, os aparelhos receptores de rádio se tornaram um bem mais acessível e, portanto, mais popular. Havia até quem montasse aparelhos receptores de rádio. Era o caso, por exemplo, do Sr. Cozo Taguchi, que, entre muitas de suas habilidades, uma era a eletrônica. Ele montava aparelhos receptores de rádio.

Várias pessoas em Pereira Barreto já podiam, então, entrar em contato, em tempo real, com os grandes centros pelo som das principais emissoras de rádio de alcance nacional, como a então badalada Rádio Nacional do Rio de Janeiro, bem como sua concorrente mais direta, a Rádio Mayrink Veiga, também do Rio de Janeiro, que, na época, era a capital do País. Muitos moradores de nossa cidade, naquele tempo, já acompanhavam as famosas radionovelas, os programas de auditório, os humorísticos, as transmissões esportivas, os noticiários. Assim, como hoje, as pessoas têm o hábito de assistir ao Jornal Nacional, na Rede Globo, naquele tempo, havia quem não fosse dormir sem antes ouvir O GRANDE JORNAL FALADO TUPI, que ia ao ar de segunda a sexta-feira, às 22h, pela Rádio Tupi, de São Paulo, que informava as últimas notícias do Brasil e do mundo. Não podemos nos esquecer, também, do famoso REPÓRTER ESSO, que fez muito sucesso em várias emissoras de rádio do Brasil, ao longo das décadas de 40, 50 e 60. Era um noticioso rápido, que ia ao ar de hora em hora, dando as últimas notícias do Brasil e do mundo, sempre de forma rápida e resumida, num estilo jornalístico importado dos Estados Unidos. Faziam sucesso, também, os famosos programas musicais, com a participação ao vivo dos maiores cantores da época, como Emilinha Borba, Cauby Peixoto, Sílvio Caldas, Orlando Silva, Nélson Gonçalves, as irmãs Linda e Dircinha Batista, Marlene, Ângela Maria, Ivon Cury e muitos outros. Por causa disso, muita gente não deixava de comprar, toda semana, a então famosa REVISTA DO RÁDIO, que trazia reportagens sobre os artistas e, em especial, as suas fotos. Como naquele tempo não havia TV por aqui ainda, a oportunidade de ver como eram os artistas fisicamente era pelas fotos das revistas e jornais ou então no cinema, por meio dos filmes humorísticos da época, as famosas chanchadas, nos quais os cantores do rádio apareciam interpretando seus sucessos.




Programa de auditório da Rádio Nacional do Rio de Janeiro

ENTRA NO AR A PRIMEIRA EMISSORA DE RÁDIO DE PEREIRA BARRETO


Meado dos anos 50. Chegou a hora de a pequena Pereira Barreto também se ouvir no rádio. Em 14 de abril de 1955, graças à iniciativa do Dr. Benevides Lopes Siqueira e do então prefeito Cyro Maia, foi inaugurada, com pompa e circunstância, a ZYR 87, Rádio Pereira Barreto S.A., com um show no Cine Itapura, apresentado por Edson Cabariti Cury, o “Bolinha”, que na época trabalhava na Rádio Luz, de Araçatuba, e depois tornou-se um famoso apresentador das TV. A grande atração do show foi a cantora Emilinha Borba, uma das maiores estrelas da Rádio Nacional do Rio de Janeiro naquele tempo.

As instalações da emissora pioneira eram modestas. Seus estúdios se localizavam na Rua Bernardino de Campos (hoje, Rua Cyro Maia), na região onde se encontra atualmente a loja matriz dos Supermercados Proença. Além dos estúdios, a emissora contava ainda com salas de administração, uma discoteca e um pequeno auditório. Seu transmissor, localizado na região da Vila Nova, tinha então 100 watts de potência.

Em 1963, o controle da Rádio Pereira Barreto foi vendida para a 
Rede Alpes, um grupo que tinha emissoras de rádio por todo o Brasil e que era sediado em São Paulo (Capital). A administração local da emissora ficou a cargo do radialista Cláudio Parizzi.



Discoteca da antiga Rádio Pereira Barretoo

Em meados da década de 60, a Rádio Pereira Barreto passou para o controle do Sr. Waldomiro Rocha Domingos, de Araçatuba, mas, logo em seguida, foi vendida para o Grupo Gerka, composto pelos radialistas Fauzi KassinNormando Lopes Gercy Barbosa, da cidade de Guararapes (SP), que assumiram a administração da emissora, em 1967. A primeira iniciativa dos novos administradores foi construir um prédio próprio para a emissora. Em 1970, a Rádio Pereira Barreto foi transferida para a Av. Brasil, 1587, hoje pertencente à empresa Vitória Festas.

O Ministério das Comunicações promoveu uma reforma total nos prefixos e frequências das emissoras de rádio que operavam em ondas médias no Brasil, em meados dos anos 70. O prefixo da Rádio Pereira Barreto passou de ZYR87 para ZYK625, e sua frequência foi alterada de 730 khz para 690 Khz. Em seguida, a potência de seu transmissor foi ampliada para 1000 watts, o que fez com que a Rádio Pereira Barreto aumentasse seu raio de abrangência.

Nos anos 50, 60 e 70, o rádio ainda era o grande veículo de comunicação de massa dos brasileiros. Em Pereira Barreto não era diferente. No rádio, os pereira-barretenses daqueles idos tempos podiam ouvir, por ondas curtas, as grandes emissoras do Rio de Janeiro e de São Paulo, saber o que acontecia no Brasil e no mundo, ao mesmo tempo em que podiam, também, ouvir o som da cidade, nas vozes nos locutores da Rádio Pereira Barreto. Naquele tempo, quando não existia TV digital via satélite, nem Internet, nem smartfones, o rádio podia fazer esse milagre.

Quando a TV começou a chegar a Pereira Barreto, em meados dos anos 60, com imagem e som precários ainda, somente um canal para ver e receptores ainda caros para a grande maioria dos pereira-barretenses, ela não diminuiu a supremacia do rádio na cidade. Apesar do diferencial da imagem, a TV apresentava, na época, uma grande desvantagem em relação ao rádio: uma emissora como a Rádio Bandeirantes, de São Paulo, por exemplo, só dependia de um bom transmissor de ondas curtas instalado em São Paulo para que sua programação pudesse ser ouvida aqui em Pereira Barreto. Já a imagem e o som da TV Tupi, de São Paulo, por exemplo, para chegar a Pereira Barreto, precisavam percorrer uma enorme rede de links terrestre de repetidoras espalhadas pelo interior do Estado de São Paulo. Em um receptor de TV, que tinha que ficar em um local fixo, ligado a uma antena externa, os telespectadores pereira-barretenses de meados da década de 60 só podiam ver um canal de TV. Já com em um pequeno rádio de pilhas, da marca EVADIM, por exemplo, um dos mais vendidos na época, que vinha com uma bela capinha de couro marrom e podia ser levado para qualquer lugar, um pereira-barretense podia não só ouvir a Rádio Pereira Barreto, como também captar várias emissoras de rádio do Brasil e de outros países, sem a necessidade da existência de uma grande estrutura para isso, uma facilidade que só o rádio, em ondas curtas, pode oferecer, inclusive nos dias de hoje, já que a única estrutura que existe para isso é a torre transmissora da emissora e a antena do aparelho receptor. É possível, sim, ver um programa de TV ou ouvir um programa de rádio de qualquer parte do mundo, pela Internet, hoje em dia, com boa qualidade de imagem e som. Mas, para isso, há necessidade de uma enorme infraestrutura, composta por uma infinita malha de cabos de fibra ótica, satélites, torres de micro-ondas espalhados pelo mundo afora. O rádio, com suas ondas curtas, embora não ofereça a mesma qualidade de recepção, dispensa tudo isso.

Diferentemente do mundo globalizado de hoje, naquele tempo, pelas próprias limitações técnicas e logísticas que havia para se manter contato com o resto do País e do mundo, as pessoas tinham suas atenções mais voltada para a própria comunidade, para o universo local, seu cotidiano. Isso fazia com que a emissora local de rádio exercesse uma forte influência na população. Era o que acontecia com a Rádio Pereira Barreto naquele tempo. O lazer e a vida cultural dos pereira-barretenses estava nos circos, nos parques de diversão, nos bailes do CAP, nas quermesses, nos filmes do Cine Itapura, no footing na Praça da Bandeira, nos jogos de futebol no Estádio Municipal nas tardes de domingo e, obviamente, na programação da Rádio Pereira Barreto. Os locutores e apresentadores do rádio local eram as grandes estrelas da cidade.

RÁDIO PEREIRA BARRETO, SEUS PROGRAMAS, SEUS ÍDOLOS

No início de suas atividades, em 1955, a Rádio Pereira Barreto funcionava das 8h às 12h e das 15h às 22h. Mas, com o passar do tempo, o horário de funcionamento foi estendido: a emissora passou a entrar no ar às 6h e encerrava suas transmissões às 22h. Só bem depois, no final dos anos 60, foi que a Rádio Pereira Barreto passou a encerrar sua programação à meia-noite. No seu início, a programação da Rádio Pereira Barreto era composta basicamente de músicas e radionovelas, que a emissora comprava, já previamente gravadas, de grandes emissoras de São Paulo e do Rio de Janeiro. Com exceção das radionovelas, a programação, no início, era quase que toda feita ao vivo. Como a emissora tinha um pequeno auditório, eram comuns, principalmente aos domingos, programas com a apresentação de artistas locais. Tudo era muito simples, sem muitos recursos. Alguns participantes frequentes desses programa de auditório eram as Irmãs França, Zé Barqueiro e Pirangueiro, Betinho e Nice, Cambari e Cambará, Ouro Preto e Sorocaba.

Infelizmente, não temos documentação histórica, nem áudios gravados que nos possibilitem reconstruir a história sonora da antiga Rádio Pereira Barreto. Mas temos depoimentos de quem trabalhou na emissora e viveu o cotidiano de sua fase áurea.

Segundo Adilson Floriano Bená, que foi funcionário da Rádio Pereira Barreto, entre o início de 1957 e dezembro de 1959, naquele tempo, os proprietários da emissora ainda eram o Dr. Benevides Lopes Siqueira e Cyro Maia, que fora prefeito da cidade, entre 1952 e 1955, e que voltaria à Prefeitura, de 1960 a 1963. O gerente, então, era Iran Leite de Abreu, que além de gerenciar a emissora, era locutor e apresentava programas musicais e de auditório, muito comuns ainda naquele tempo, e comandava, também, junto com o Sr. Francisco Caparroz Sallas, o noticioso “Meio-dia em Notícias”, além de fazer transmissões esportivas, tendo como repórter de campo o Sr. Tarcísio Sobrinho dos Santos. Adilson Floriano Bená, que era sonoplasta na época, lembra, também, de alguns colegas daquele tempo, como Olímpio Rodrigues, Jair Gonçalves da Silva (Azulão), Osvaldo Gonçalves da Silva (Chita), que não eram locutores, mas, sem eles, a emissora não ia ao ar.

Outro nome saudoso da emissora foi José Gonçalves da Silva, mais conhecido como “Zé Macaco”, que apresentava programas musicais, mas seu grande destaque, na época, foi “Tangos e Poesias”, que ele apresentava toda noite, às 21 horas. Outros nomes que participaram da história da Rádio Pereira Barreto: Nair Brandino, que apresentava programas de músicas populares; Arnaldo, conhecido como “Zé Linguiça”, que apresentava programas sertanejos; Alfredo Leite de Abreu, que apresentava programas de músicas populares; Dejair Leite de Abreu, que também fazia programas de músicas populares; Santo Atanásio de Jesus, outro locutor que apresentava programas de músicas populares; José Leonildo Moretti, o popular “Italiano”, que apresentava o saudoso “Ranchinho do Italiano; Francisco Carlos, o “Chico da Riachuelo”, que apresentava programa sertanejo; Clemente Zeferino Vieira, o “Léo do Bazar” (Bazar do Léo), que animava o “Ranchinho do Léo”; Iosetsi Nokawa, que fazia um programa dirigido à colônia japonesa da cidade, chamado “A Hora do Sol Nascente”. Além desses, não podemos nos esquecer de Cláudio Parisi, que, além de locutor, foi gerente da Rádio Pereira Barreto, quando ela foi vendida para a Rede Alpes, em 1963. Valdecil Elias Barbosa foi outro locutor que fez muito sucesso no final dos anos 60. Gercy Barbosa, Fauzi Kassin, Normando Lopes (Germano), que formavam o Grupo Gerka, que assumiu o controle da Rádio Pereira Barreto em 1967, também marcaram a história da emissora, assim como também como Mané, Valdir De Vito e Washington Luiz de Oliveira, Outro que fez muito sucesso na emissora como apresentador de programas de música sertaneja foi o “professor” Odilon Soares. Ao longo dos anos, muita gente participou da história da Rádio Pereira Barreto, uns profissionalmente, outros voluntariamente. Entre eles, podemos citar: Moacir Antônio de Oliveira (locutor), Orlando Elias (sonoplasta), Izá de Lima (locutora), J. Rodrigues (locutor), José Marques (locutor), Júlio César Morbi (sonoplasta), Marco Antonio Morbi (sonoplasta), Manoel dos Santos (locutor e também trabalhou na área financeira), Aparecido Paulo Ribeiro (sonoplasta), Wagner Perles (locutor), Edi Soares (sonoplasta), Eudes Mussi (sonoplasta), Nilson Pereira (sonoplasta), Vander Miranda (sonoplasta), Antônio Barbosa (locutor), Aécio Marques Rosabone (locutor), Antônio Carlos Rapasse (sonoplasta), João Alberto de Castro (locutor), Aparecido César dos Santos (sonoplasta), Roberto Tieres Watanabe (locutor) e provavelmente muitos outros que as memórias de meus prezados colaboradores não permitiram citar aqui.

Nos anos 50, 60 e 70, a programação da maioria das emissoras de rádio do interior do Brasil mantinha um certo paradigma: cada gênero musical tinha horários tradicionalmente específicos: música sertaneja só se tocava de manhã, bem cedo, até às 8 horas e à tarde, depois das 17 horas. Naquele tempo, era música sertaneja mesmo, do tipo “raiz”, o sertanejo clássico. Não existia ainda chamado sertanejo universitário de hoje em dia. O resto da programação era preenchido com música popular (rock, samba, bossa nova, jovem guarda, etc.). O período da noite, geralmente, reservava-se a músicas mais antigas, as chamadas “hora da saudade”. Algumas emissoras também inseriam músicas sertanejas também à noite. A Rádio Pereira Barreto, desde seu início, não fugia a essa paradigma tradicional da maioria das emissoras de rádio do interior do Brasil daquele tempo.

No final dos anos 50, programas religiosos em rádio não eram tão comuns como hoje. Mas foi logo nos primeiros anos de existência da Rádio Pereira Barreto que surgiu um programa dirigido à comunidade católica da cidade: “A Luz da Oração”, que, inicialmente, era apresentado pelo Frei Timóteo Maria de Porangaba, que ia ao ar de segunda a sábado, às 18 horas. Apresentado por religiosos e por leigos, esse programa permaneceu no ar até 1989, quando a emissora foi vendida ao Sistema Regional de Comunicação.

Outro fato curioso nos conta Adilson Floriano Bená: nos primeiros anos de sua existência, a Rádio Pereira Barreto não retransmitia o programa “A Voz do Brasil”. Às 19 horas, quando o programa ia ao ar pela maioria das emissoras de rádio do Brasil, a Rádio Pereira Barreto saía do ar. Modesta, a emissora não tinha como retransmitir o programa diário do governo federal. Os programas que não eram feitos aqui, ou seja, produzidos pelas grandes emissoras do Rio de Janeiro e São Paulo, já vinham previamente gravados. Mas em 1958, estava sendo disputada a Copa do Mundo da Suécia e havia, obviamente, uma grande expectativa de o Brasil conquistar seu primeiro título mundial de futebol, como realmente ocorreu. A Rádio Pereira Barreto não podia ficar fora dessa. Graças a uma ideia de Adilson, que era sonoplasta da emissora, a Rádio Pereira Barreto conseguiu retransmitir os três últimos jogos do Brasil na Copa do Mundo de 1958, em cadeia com a Rádio Bandeirantes, de São Paulo, sob o comando de Edson Leite, Pedro Luiz e Mario Moraes (Brasil 1 x Pais de Gales 0; Brasil 5 x França 2; e Brasil 5 x Suécia 2). Pronto. Brasil campeão mundial. E como foi a retransmissão dos jogos, já que naquele tempo não havia satélites e redes de micro-ondas, como há hoje? Adilson pegou um rádio com recepção em ondas curtas, sintonizou na Rádio Bandeirantes, e colocou o microfone da rádio na frente do receptor. Simples assim. E os três últimos jogos do Brasil na Copa do Mundo de 1958 foram ao ar pela Rádio Pereira Barreto. Depois, adotaram a mesma “técnica” de retransmissão com a “Voz do Brasil” e com as jornadas esportivas dos domingos à tarde, quando, obviamente, não havia transmissão local de jogos no Estádio Municipal de Pereira Barreto.

A emissora era modesta, tudo era muito precário, muito sem recursos. Como no caso da “técnica” utilizada para retransmitir os jogos finais da Copa do Mundo de 1958, tudo era na base do improviso. Conta, ainda, Adilson Floriano Bená que, como a emissora ficava no centro da cidade, onde fica hoje a loja matriz do Supermercado Proença, e a torre de transmissão ficava na Vila Nova, uma distância considerável, percorrida, obviamente, por alguns quilômetros de cabos, suspensos por postes de iluminação da cidade, essa distância toda acarretava uma queda na qualidade do som da emissora. Além disso, toda vez que chovia ou ventava muito, os cabos de transmissão entre a emissora e o transmissor saíam do lugar em alguns pontos, o que fazia a emissora sair do ar. A solução, segundo Adilson, era uma longa vara de bambu para sanar o problema.

Nem sempre, é claro, se usou o improviso e o microfone na frente do receptor de rádio para retransmitir programas de outras emissoras. No início dos anos 80, a então recém-inaugurada Rádio Capital, de São Paulo formou uma grande rede de rádios para transmissões esportivas. A Rádio Pereira Barreto fazia parte dessa rede. As jornadas esportivas da Rádio Capital eram retransmitidas pela Rádio Pereira Barreto por linha telefônica, usando, já, a rede de micro-ondas da TELESP para a retransmissão. Nem poderia ser diferente, já que a Rádio Capital de São Paulo nunca transmitiu e nem transmite em ondas curtas.


DEU NA “ROTATIVA”


Marcha militar “Stars and Stripes Forever”, de John Philip Sousa, uma das música de abertura e fundo musical do programa Rotativa no Ar.


Tenham todos um bom dia, amigo ouvinte. Começa aqui mais uma emissão radiojornalística desta emissora: Rotativa no Ar, uma síntese dos principais acontecimentos da cidade, da região, do Estado, do Brasil e do mundo”, dizia Gercy Barbosa na abertura de seu mais famoso programa, tendo sempre ao fundo as marchas de John Philip Sousa, entre as quais The Stars and Stripes Forever, Semper Fidelis. King Cotton March, e El Capitan No início dos anos 70, Gercy Barbosa, lançou o “Jornal de Integração Regional”, que logo teve seu nome alterado para “Rotativa no Ar”. O programa começava às onze e meia da manhã e foi, provavelmente, o mais marcante da história do rádio pereira-barretense, com notícias locais, entrevistas e até debates. O noticiário geral… Bom!… O noticiário geral… A emissora, modesta, obviamente, não tinha teletipos nem serviço de rádio escuta. Então, o noticiário geral era retirado das edições do dia anterior do ESTADÃO e da FOLHA mesmo, já que os jornais do dia, naquele tempo, só chegavam à cidade no final da tarde. Mas o noticiário geral podia ser visto pela TV, à noite. O que importava para os ouvintes eram as notícias locais, principalmente as policiais, os debates, as entrevistas, as polêmicas. O programa era tão comentado, que, ainda hoje, em pleno século XXI, mais de vinte e sete anos após o fim da Rádio Pereira Barreto, o programa “Ronda Policial”, apresentado pela radialista Marisa Santos, de segunda a sábado, às onze e meia da manhã, na Rádio Cidade AM, ainda é chamado de “Rotativa” por muita gente. E a única semelhança que há entre o “Ronda Policial”, de Marisa Santos, e o “Rotativa no Ar”, de Gercy Barbosa, é o horário.



Radialista Gercy Barbosa


Uma emissora de rádio do interior, em especial de uma cidade pequena, não era nada fácil de ser administrada naquele tempo. Por mais boa vontade e dinamismo que tivessem seus administradores, havia, obviamente, necessidade de investir constantemente em novos equipamentos, na melhoria da qualidade da transmissão, no treinamento de pessoal, etc. Isso infelizmente praticamente não havia na antiga Rádio Pereira Barreto. A tecnologia de rádio naquela época era cara, se comparada à tecnologia digital de hoje, mais acessível e barata. Sem investimentos em melhorias técnicas, sem investimento em treinamento de pessoal, sem uma manutenção adequada em suas instalações, já no final da década de 70, a Rádio Pereira Barreto começou a entrar em franca decadência. Mesmo assim, a emissora funcionou precariamente, aos trancos e barrancos, até o final da década de 80

Com o falecimento do radialista 
Fauzi Kassin, em 1989, e o desinteresse dos demais proprietários em modernizar a emissora, a Rádio Pereira Barreto foi vendida para o Sistema Regional de Comunicações, com sede na cidade de Andradina (SP). Saía do ar, definitivamente, “a mais alta voz do centro-oeste paulista”, como dizia o saudoso Gercy Barbosa. A partir de então, a emissora passou por um processo de profundas mudanças. Seu nome foi alterado para Rádio Cidade Noiva do Tietê. Foram adquiridos novos equipamentos e foi construído um novo prédio para a emissora.


O RÁDIO PEREIRA-BARRETENSE HOJE


Pereira Barreto possui hoje três (3) emissora de rádio: 
Rádio Cidade AMRádio Clube FM Rádio 104 FM.

Rádio Cidade AM, a única que opera em ondas médias na cidade, é a sucessora da antiga Rádio Pereira Barreto. Sob a administração do radialista Nílton Franco da Rocha, a Rádio Cidade, hoje, nada tem a ver com a antiga Rádio Pereira Barreto. Na verdade, pode-se dizer que se trata de uma nova emissora. No entanto, em 2005, a Rádio Cidade comemorou com festa os cinquenta anos da emissora, uma forma de dizer que a Rádio Cidade é a continuação da Rádio Pereira Barreto, uma atitude de respeito aos baluartes da radiofonia pereira-barretense, como o Dr. Benevides Lopes Siqueira, Cláudio Parizzi, Fauzi Kassin, Gercy Barbosa e muitos outros, que fizeram a história do rádio local.

A Rádio Cidade, hoje, apresenta uma programação musical, direcionada para o público de música sertaneja universitária. A emissora ainda tem noticiário local e cede espaço para programas religiosos de igrejas evangélicas da cidade. Além disso, a Rádio cidade retransmite boa parte da programação esportiva e jornalística da Rádio Jovem Pan AM, de São Paulo (Jovem Pan Sat).

Atualmente, a Rádio Cidade AM, de Pereira Barreto, só tem uma locutora em atividade, a radialista Marisa Santos.

Rádio Clube FM entrou no ar no final de 1988, ainda com o nome de Rádio Veneza Paulista. Ela pertencia a um grupo de empreendedores de Pereira Barreto (Dermival Franceschi Júnior, João de Altayr Domingues e Cândido Arruy). A emissora, a primeira a transmitir em frequência modulada (FM) na cidade, foi depois vendida ao Sistema Regional de Comunicação, que alterou seu nome para Rádio Clube. Posteriormente, a emissora passou para o controle do empresário e político Jorginho Maluly.  Atualmente, a Rádio Clube FM está sob a administração do empresário Fábio, da Fapp Promoções Artísticas.

A programação da emissora não difere em nada das demais emissoras que operam em frequência modulada pelo interior do Brasil, direcionado ao público jovem, apreciadores da música sertaneja universitária.

Rádio 104 FM entrou no ar em 2007. Trata-se de uma emissora de rádio comunitária e pertence à Associação Beneficente Cultural Comunitária de Pereira Barreto (ABECC), uma feliz iniciativa de um grupo de pessoas abnegadas da cidade.

Apesar de ser oficialmente uma emissora comunitária, a Rádio 104 FM tem uma programação bem semelhante às emissoras de rádio comerciais.

RÁDIOS PEREIRA-BARRETENSES FALANDO PARA O MUNDO

Hoje, as três emissoras de rádio de Pereira Barreto transmitem suas programações para o mundo todo via Internet, embora esse tipo de transmissão esteja a maior parte do tempo fora do ar nos sites das emissoras.

Rádio Cidade AM, está disponível no endereço www.radiocidadeam690.com.br, O site, pelo menos por ora, tem conteúdo muito pobre e visivelmente desatualizado. Ele destina-se a transmitir a programação da emissora pela Internet, mas esse serviço do site está a maior parte do tempo fora do ar.

No site da 
Rádio 104 FM, além da programação ao vivo, você pode encontrar material informativo, com textos e imagens. O endereço é  www.pereirabarretofm.com.br. No entanto, a transmissão ao vivo da emissora vive boa parte do tempo fora do ar.

Rádio Clube FM, que pertencia ao Sistema Regional de Comunicação, do radialista andradinense Nivaldo Franco, pertenceu, também, ao político e empresário Jorginho Maluly e hoje está sob a administração do empresário Fábio, da Fapp Promoções Artísticas, lançou também seu website, com programação veiculada ao vivo, embora esse serviço nem sempre esteja disponível. O endereço é: www.clubefm971.com.br


ASSISTIR A RÁDIO?

Hoje em dia, além de ouvir, você também pode assistir a um programa de rádio. Isso é possível porque muitas emissoras, além de suas transmissões normais por áudio, por ondas médias, curtas, tropicais, frequência modulada, ainda inserem transmissão ao vivo de imagens de seus estúdios na Internet. Dessa forma, o ouvinte não só pode ouvir a voz dos locutores, como também pode vê-los ao vivo, podendo saber, assim, como é fisicamente aquela locutora ou aquele locutor de voz bonita, que roupa estão usando, como é o estúdio, etc. Um exemplo de emissora que transmite boa parte de sua programação com imagem é a Rádio Jovem Pan AM, de São Paulo. Aqui em Pereira Barreto, somente a Rádio 104 FM transmitiu, por algum tempo, com imagens ao vivo de seus estúdios na Internet. Depois, provavelmente por problema de custos ou técnico, abandonou a ideia.

Muito do que contei aqui sobre a história do rádio em Pereira Barreto me foi passado pelos amigos APARECIDO CÉSAR DOS SANTOS, antigo funcionário da Rádio Pereira Barreto, que trabalhou também na RÁDIO CIDADE AM e na RÁDIO 104 FM. e ADILSON FLORIANO BENÁ, ex-funcionário da Rádio Pereira Barreto, contabilista, professor, que, com sua prodigiosa memória, é um verdadeiro arquivo vivo da história de Pereira Barreto. Agradeço a ambos, de público, pelas valiosas informações históricas, que enriqueceram este texto.

Notem que, neste texto, dei especial atenção à antiga e saudosa Rádio Pereira Barreto, não só pelo fato de ela ter sido a primeira emissora de rádio da cidade, mas porque ela foi, ao logo de seus trinta e quatro anos de existência, de 1955 a 1989, a personificação sonora da cidade. Em uma época em que não havia tanta tecnologia, tantas facilidades de comunicação, o rádio local exercia um papel importantíssimo para a comunidade, especialmente das pequenas cidades, afastadas dos grandes centros, como Pereira Barreto. Apesar de ser uma emissora comercial, ela era, na prática, uma emissora comunitária. Muitos dos que fizeram parte do quadro de funcionários na Rádio Pereira Barreto simplesmente não eram profissionais do rádio, não eram radialistas, e sim pessoas comuns, que tinham outra atividade profissional paralela, como comerciantes, comerciários, funcionários públicos, etc., que trabalhavam na emissora por amor, muitos voluntariamente, sem receber nenhuma remuneração por isso.

Infelizmente, parece que os sons veiculados pela antiga Rádio Pereira Barreto se perderam no tempo. Pelo que sei, não sobrou nenhum registro sonoro do tempo em que a emissora ficou no ar, de 1955 a 1989, tais como noticiários, jinglesspots, eventos transmitidos pela emissora, entrevistas, etc. Tudo se perdeu.

Em 1989, com Fauzi Kassin já doente, Gercy Barbosa desmotivado, a emissora estava em total decadência, com equipamentos totalmente defasados, dívidas, prédio em péssimas condições de conservação. Quando Nivaldo Franco Bueno assumiu seu controle, naquele mesmo ano, após o falecimento de Fauzi Kassin, teve de fazer uma verdadeira faxina na emissora, jogando muita coisa no lixo, que estava entupindo as dependências da rádio. Fauzi Kassin, apesar de suas muitas qualidades, como pessoa humana e profissional, não era  lá muito  organizado. Contou-me, certa vez, o antigo radialista José Leonildo Moretti, o popular “Italiano”, que, quando  Nivaldo Franco Bueno fazia a tal faxina nas instalações da Rádio Pereira Barreto, encontrou uma carta que ele mesmo, Nivaldo, havia enviado a Fauzi Kassin em 1968. Detalhe: a carta ainda estava fechada dentro do envelope, isso 21 anos depois. É provável que nessa faxina feita por Nivaldo alguns tesouros históricos da antiga Rádio Pereira Barreto também tenham ido para o lixo. Lamentável. Dizem que isso também aconteceu com a antiga TV Tupi. Muito do acervo da antiga emissora foi literalmente para o lixo. E assim, a História, que aqueles que nos antecederam, nossos antepassados construíram, com tanto suor e lágrimas, vai senso apagada pelo desleixo. Lamentável.


                    © Copyright 2017 Gilmar Grespan – Todos os direitos reservados





quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A TELEVISÃO EM PEREIRA BARRETO



Antes da televisão

No início da noite daquela segunda-feira, 18 de setembro de 1950, os frequentadores do Bar e Restaurante Bandeirantes, o “Bar do Tata”, que bebiam sua cervejinha e jogavam conversa fora, discutiam animadamente as fofocas da cidade, ou sobre a forte rivalidade dos times de futebol de Pereira Barreto na época, ou, talvez, sobre a derrota do Brasil na Copa do Mundo para o Uruguai, ou, também, sobre as eleições que se aproximavam, com a possibilidade de Getúlio Vargas voltar ao poder, não imaginavam que, naquele exato momento, bem distante dali, na capital do Estado, um novo veículo de comunicação estava nascendo no País, um veículo, aliás, que dali a quinze anos iria mudar a rotina de Pereira Barreto. Naquela noite, inaugurava-se na capital do Estado, a primeira emissora de TV da América do Sul, a PRF3 TV Tupi de São Paulo. Com certeza, pelo menos a maioria daquelas pessoas que bebiam e conversavam no “Bar do Tata” não fazia a menor ideia do que seria TELEVISÃO.

Mas o que é esse negócio de televisão?”, perguntaria um cidadão típico de 1950. “É uma espécie de rádio com imagem”, diria outro. “Rádio com imagem? Como assim?”. E o outro explicaria: “Além de você ouvir o speacker (como se chamava ‘locutor’ naquele tempo) falando, vai poder vê-lo”. “Vou poder ver o speacker falando?”, diria o outro, surpreso. E aí começou a falar: “Já pensou a gente, em vez só de ouvir, poder ver o programa do César de Alencar, na Rádio Nacional, poder ver a Linda e a Dircinha Batista cantando, ver o auditório,” E o outro interrompe dizendo: “Já pensou o futebol? Poder ver na mesma hora um jogo de futebol que está acontecendo lá em São Paulo ou no Rio de Janeiro? Ver os jogadores, a assistência (como se dizia ‘público’ naquele tempo)”. E o outro começaria a rir e dizer: “Isso seria um colosso (outra expressão daquela época), mas a gente já está começando a sonhar demais”. E um deles perguntaria ao outro: “Como é que aparece a imagem nesse ‘rádio”?”. E o outro diria: “Ele tem uma tela de vidro pequena na frente, na qual aparece a imagem, igual no cinema. Só que a tela é bem menor que a dos cinemas”. E o outro, admirado, diria: “Isso é o fino, hein?” (gíria daquele tempo, que significa “isso é ótimo, é excelente).

Como aconteceu no Brasil e no mundo todo, a televisão mudou a rotina da maioria das pessoas. A vida em Pereira Barreto, antes da chegada da TV era bem diferente de hoje. Durante o dia, a rotina era de trabalho. À noite, as pessoas costumavam se reunir para conversar, falar sobre os assuntos do dia a dia. Naquele tempo, as notícias do resto do Brasil e do mundo vinham pelo rádio e pelos jornais impressos, que chegavam geralmente depois das 17h na cidade, isso quando chegavam no mesmo dia.

A vida noturna da cidade era, de certa forma, até mais agitada do que hoje. Como não havia televisão, não havia novelas a acompanhar, a não ser as de rádio, as pessoas saíam mais de casa para se divertir. Naquele tempo não havia também problemas de violência nem tanta criminalidade. Por isso, as pessoas não se preocupavam em sair mais às ruas à noite e nos finais de semana.

Havia o tradicional footing na Praça da Bandeira. o saudoso Cine Itapura, com sessões quase que diárias. As sorveterias e as lanchonetes geralmente ficavam cheias. Aos sábados à noite, além dos filmes do Cine Itapura, das quermesses, dos circos e dos parques de diversão, que eram muito mais frequentes naquela época, também havia os bailes de gala no CAP. Um dos pontos de encontro preferidos da juventude pereira-barretense na década de 60 era o famoso “Tropical Bar”, onde é hoje a galeria New Center. Assim era a vida em Pereira Barreto antes da chegada da televisão.

As primeiras imagens

As primeiras imagens de TV começaram a chegar a Pereira Barreto, de forma irregular e precária, em 1965, quinze anos depois de inaugurada a primeira emissora de TV no Brasil. E era justamente a imagem dessa emissora pioneira que começava a chegar a Pereira Barreto. A implantação de uma retransmissora da TV Tupi de São Paulo na cidade de Araçatuba permitiu que alguns pereira-barretenses mais abastados trouxessem para cá os primeiros aparelhos receptores de TV. Para captar a imagem da TV Tupi, havia necessidade de instalar uma antena externa bem alta Na verdade, quanto mais alta a antena, melhor seria a qualidade da imagem. Depois de conectada a antena ao televisor, bastava ligar o receptor e sintonizá-lo no canal 9 (VHF). Lá estava, vinda diretamente de São Paulo (Capital), em preto e branco, acompanhada de alguns "chuviscos" ainda, a imagem da TV Tupi de São Paulo.

Aliás, naqueles primeiros tempos da TV em Pereira Barreto, ainda não havia técnicos especializados nem antenistas. A solução era chamar os amigos e parentes para ajudarem a instalar a tão esperada antena de TV. Era sempre uma festa. Era motivo até para um animado churrasco para os esforçados colaboradores.

Naquele tempo não havia rede de micro-ondas nem satélites, como hoje. Evidentemente, a qualidade da imagem não era das melhores. O sinal vinha de São Paulo via links terrestres, ou seja, o sinal passava de uma cidade para a outra até chegar a Pereira Barreto. Como não havia TVs regionais, como existem atualmente (TV Tem, TV I, etc.), a programação era a original, produzida em São Paulo, incluindo os comerciais da praça paulistana.

Isso permitiu a vários pereira-barretenses assistirem pela primeira vez, em 1966, pela TV, a uma Copa do Mundo de Futebol, que foi realizada na Inglaterra naquele ano. Os jogos internacionais, naquela época, ainda não eram transmitidos ao vivo. As partidas eram gravadas em videotapes, que eram trazidos para o Brasil de avião e exibidos cerca de dois dias depois do jogo. Acostumados às transmissões de futebol pelo rádio, os pereira-barretenses de então estranhavam o estilo dos narradores de TV, que não descreviam as jogadas como os narradores radiofônicos. Outro fato curioso, esse para os telespectadores de hoje, é que na década de 60 ainda não havia o recurso do replay. Quando os videotapes dos jogos do Brasil eram exibidos e havia um gol ou uma jogada polêmica, a exibição era interrompida, voltava-se a fita em alguns segundos e exibia-se novamente o gol ou a jogada.

Ainda em 1966, além da TV Tupi, começou também a chegar o sinal da TV Excelsior de São Paulo, mas com qualidade de imagem bem inferior à da TV Tupi. No entanto, em 1967 o sinal da TV Excelsior foi substituído pelo da TV Record, a emissora de TV mais badalada da época. Por causa disso, muitos pereira-barretenses puderam ver programas como “Família Trapo”, “Praça da Alegria”, “Hebe”, além, é claro, dos famosos festivais de MPB da TV Record.

Em 1969, os pereira-barretenses que já tinham seu receptor de TV puderam assistir a momentos históricos, como a chegada do homem à Lua, em julho, a participação de Pereira Barreto no programa “Cidade contra Cidade”, no dia 08 de agosto de 1969, apresentado por Sílvio Santos na TV Tupi de São Paulo. Naquele ano, também, muitos pereira-barretenses puderam ver, na noite de 19 de novembro de 1969, o milésimo gol de Pelé, narrado por Walter Abrão, em transmissão ao vivo pela TV Tupi de São Paulo.

Canal 8 - a primeira retransmissora local


Na noite do dia 11 de julho de 1969, menos de um mês antes da participação de Pereira Barreto no programa “Cidade contra a Cidade”, de Sílvio Santos, entrou em operação a primeira repetidora de TV de Pereira Barreto, que retransmitia o sinal da TV Tupi de São Paulo, no canal 8, em VHF. O curioso dessa repetidora de TV é que ela foi instalada inicialmente no alto da caixa d’água do Serviço de Abastecimento de Água da Cidade. Posteriormente foi transferida para um local nas proximidades da Santa Casa local.

Rede Globo em Pereira Barreto

Por volta de 1972, a TV Globo já podia ser sintonizada em Pereira Barreto por imagens captadas de repetidoras de cidades vizinhas. Mas a repetidora local da emissora entrou em funcionamento em julho de 1973. A Rede Globo chegava aqui por meio de sua única afiliada na região naquela época, a TV Globo Bauru, e era retransmitida no canal 10, em VHF. E, ao contrário do que dizem absurdamente algumas lendas que já circularam na cidade recentemente, o programa "Fantástico", naquele tempo, era visto pelos pereira-barretenses aos domingos mesmo, ao vivo, como é até hoje, e não dois dias depois, como alguns desinformados andaram dizendo por aí. Naquele tempo a Rede Globo já transmitia em rede nacional.

No final dos anos 70, a própria Rede Globo começou a instalar retransmissoras próprias na região. Quando entrou em operação, em 1980, a retransmissora da Rede Globo em Andradina, no canal 9, em VHF, a retransmissora local da Globo, que pertencia a um link paralelo, acabou sendo desativada. Por muitos anos, os pereira-barretenses assistiram à programação da Rede Globo de Televisão por meio de repetidora da cidade de Andradina. Só em 2004 é que a cidade voltou a contar com uma retransmissora local da TV Tem, de São José do Rio Preto, afiliada da Rede Globo, que pode ser sintonizada no canal 7, em VHF.

Os primeiros TV em cores

A TV em cores começou a funcionar oficialmente no Brasil em 31 de março de 1972. Mas os primeiros receptores só começaram a chegar aqui em 1973. A primeira loja a vender um receptor de TV em cores em Pereira Barreto, da marca "Colorado", foi a extinta Loja Eletro-Rádio, que pertencia ao grupo Calil, com sede na cidade de Birugüi (SP). No entanto, a TV em cores só foi se popularizar em Pereira Barreto no início da década de 80.

O fim da TV Tupi

A TV Tupi de São Paulo não foi só a primeira emissora de TV da América do Sul. Ela foi , também, a primeira emissora de TV a chegar ao interior do Estado de São Paulo. Suas imagens chegaram mais longe ainda. A Tupi cobria o sul de Minas Gerais, o norte do Paraná e várias cidades do Mato Grosso do Sul.

Em razão de problemas de gestão, a situação financeira da TV Tupi, já em meados da década de 70, era bastante difícil. A situação só piorou e, em 17 de julho de 1980, a concessão da emissora foi cassada pelo então presidente da República, o último da ditadura militar, general João Figueiredo. Mas, bem antes disso, o sinal da TV Tupi em Pereira Barreto, que era sintonizada no canal 8, em VHF, já havia sido cortado. Os pereira-barretenses não viram o triste fim da TV Tupi, no dia 18 de julho de 1980. A Rede Globo, já naquela época, era a campeã de audiência, não só em Pereira Barreto, mas em todo o Brasil.

Retransmissão via satélite

Em meados da década de 80, um forte temporal pôs abaixo a retransmissora TV de Pereira Barreto, deixando a cidade sem o sinal das TVs Cultura e Record. Uma nova retransmissora então foi instalada, em local mais adequado, usando, a partir de então, a retransmissão de imagens recebidas diretamente do recém-lançado satélite Brasilsat I, em vez da retransmissão por link terrestre, como era antes. Passamos a receber então, em 1986, os sinais da TV Bandeirantes e da extinta TV Manchete, diretamente de suas geradoras, via satélite. Posteriormente, a TV Manchete foi substituída pelo SBT. Por essa razão, uma nova retransmissora da TV Manchete foi implantada posteriormente.

Antenas parabólicas e as TVs por assinatura


No início da década de 90, as antenas parabólicas começaram a se tornar bastante populares em nossa cidade. Alguns telespectadores locais, descontentes com as limitações da retransmissora local, que oferecia apenas 5 canais, decidiram instalar em suas residências antenas parabólicas, que lhes permitiam captar, do satélite, diretamente das geradoras, com boa qualidade de recepção, vários canais de TV que não podiam ser sintonizados nas bandas de VHF e UHF locais, tais como MTV Brasil, CNT, Record (já em sua nova fase pós Igreja Universal), Rede Globo e muitas outras.

Outro avanço tecnológico, bem popular em nossa cidade, no final da década de 80, era o videocassete, que, além de reproduzir filmes e programas gravados em VHS, oferecia o recurso de os telespectadores poderem gravar seus programas preferidos na TV. Posteriormente, o videocassete foi superado pelo DVD, uma mídia que oferece qualidades de gravação e de imagem muito melhores.

Em meados da década de 90 também começaram a surgir as TVs por assinatura, via satélite (TV A, Directv, Sky, etc.).

Inicialmente, apareceu a TV A, do Grupo Abril, que oferecia um sinal digital de algumas emissoras a cabo, mas ela utilizava, para recepção do sinal, as antenas parabólicas convencionais. Posteriormente, ela foi substituída pela Directv, do mesmo grupo Abril, só que a recepção era por meio de antenas menores, pois utilizava satélites diferentes e as transmissões em banda KU. Além dessas, também surgiram a SKY, ligada, na época, às Organizações Globo, e a Tecsat, pertencente à tradicional fabricante de antenas parabólicas

A TV por assinatura da Tecsat deixou de existir há já alguns anos. A Directv foi incorporada pela SKY, A operadora de telefonia TELEFONICA também entrou na briga das TVs por assinatura via satélite e criou a TELEFONICA TV DIGITAL, hoje VIVO TV. Outro que entrou na disputa do mercado foi o empresário e líder religioso R.R. Soares, que criou recentemente a NOSSA TV, Além disso, a TV por assinatura via satélite da EMBRATEL se transformou em CLARO TV.

A chegada da TV digital

Na verdade, a TV digital no Brasil existe desde o início dos anos 90, quando surgiram as primeiras operadoras de TV por assinatura via satélite satélite, com a TV A, depois a Directv e a SKY. Porém, o sistema de transmissão digital dessas operadoras ainda não incorporavam as transmissões em alta definição (HD). No dia 02 de dezembro de 2007, foi implantada oficialmente na capital paulista a TV digital terrestre em canais de TV abertos, já utilizando, também, a transmissão de programas com imagens em alta definição. Paulatinamente, a TV digital está sendo implantada no País, e o sistema de TV analógico deverá, futuramente, ser desativado. Em muitas cidades, isso já foi feito, só funcionando o sistema digital. Há uma certa expectativa pelo total desligamento da TV analógica, pois a banda de frequência que é usada por ela atualmente será utilizada futuramente para a implantação do sistema de telefonia 4G.

Em Pereira Barreto, até o momento, só o SBT Interior, afiliada do SBT em nossa região, com sede em Araçatuba, já transmite no sistema digital, no canal 34.1. As demais emissoras – TV Tem (Globo), TV Record Rio Preto (Rede Record), TV Cultura, TV Band Presidente Prudente (Rede Bandeirantes), TV Gazeta e TV Ômega (Rede TV) só transmitem ainda no sistema analógico, embora a maioria dessas emissoras já tenham autorização da ANATEL para operar no sistema digital em Pereira Barreto.

No entanto, grande parte da população da cidade, não depende do sistema de recepção local de TV aberta, pois possui antenas parabólica ou assina algum serviço de TV por assinatura.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

PEREIRA BARRETO - HISTÓRIA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO - O TELEFONE



O início

Há quem afirme que o primeiro telefone foi instalado em Pereira Barreto, ou Novo Oriente, no início dos anos 30. É possível que houvesse um terminal telefônico, naquela época, para comunicação com outras localidades. Mas isso é incerto, porque, naquele tempo, tudo era muito precário por estas regiões distantes dos grandes centros urbanos. Eu, no entanto, acredito que Pereira Barreto veio a ter uma rede telefônica local somente na década de 40. O sistema era manual. Mesmo as ligações locais tinham de ser feitas por meio de um telefonista.

Naquele tempo, obviamente não existiam ainda redes de micro-ondas nem satélites. Cada cidade ou região tinha sua empresa própria de telefonia. As conexões entre uma localidade e outra eram feitas via cabos de fios de cobre. Era comum ver às margens de rodovias postes pelos quais passavam os cabos telefônicos que ligavam uma cidade a outra. Foi esse sistema rudimentar que funcionou em nossa cidade até o início da década de 70 do século passado.

Como a cidade era muito pequena, não havia muitos assinantes, pois ter telefone naqueles tempos idos era um luxo acessível a poucas pessoas. Só mesmo os moradores mais abastados, escritórios, repartições públicas a alguns estabelecimentos comerciais é que tinham o privilégio de ter uma linha telefônica instalada.

Naquele tempo, para se fazer uma ligação telefônica, bastava tirar o aparelho do gancho. A telefonista (geralmente era mulher) atendia. Bastava dizer a ela o número do telefone desejado e esperar que o interlocutor atendesse do outro lado da linha. Como a cidade era pequena e quase todo o mundo se conhecia, era comum somente dizer o nome da pessoa ou o local (empresa, repartição, etc.) para onde pretendia ligar, que a telefonista se encarregava de completar a ligação.

Uma ligação interurbana, no entanto, exigia do usuário um pouco mais de paciência e boa garganta. Paciência porque, como, naquele tempo, cada cidade ou região tinha sua própria operadora telefonia e as conexões eram feitas por enormes malhas de cabos de fios de cobre entre uma cidade e outra, tinha que haver toda uma negociação entre uma empresa e outra, por meio das telefonistas, para que uma ligação se completasse, o que podia demorar horas. Boa garganta, porque, como o sistema era precário, o usuário tinha que berrar ao telefone para poder ser ouvido do outro lado da linha.

O telefone automático

Em 1972, com a criação da TELEBRRAS e a estatização do sistema de telecomunicações no Brasil, promovido pela ditadura militar, as coisas começaram a mudar um pouco. Nesse mesmo ano, chegou a Pereira Barreto, por intermédio da então recém-criada COTESP (depois, TELESP), o tão sonhado telefone automático, uma sofisticação que já existia nas cidades médias e grandes. Com isso, muita gente se cadastrou e adquiriu uma linha telefônica, os números foram todos alterados, passando de três para quatro algarismos, e os velhos telefones pretos, pesados, foram substituídos por modernos aparelhos com disco, mais leves e, em sua maioria, com cores claras (branco, cinza, azul-claro, etc.).

As ligações locais, a partir de então, não necessitavam mais do auxílio das prestativas telefonistas. Bastava o usuário tirar o telefone do gancho, aguardar por alguns segundos o sinal de discar, discar o número desejado e, pronto, a ligação era completada. No entanto, para se fazer uma chamada interurbana, o usuário tinha que discar 101 e pedir a ligação. Depois disso, haja paciência e força na garganta. Uma ligação podia levar horas para ser completada. E, depois de completada, o usuário tinha que ter garganta resistente para poder ser ouvido pelo seu interlocutor do outro lado da linha.

O advento do DDD

Em meados da década de 70 do século passado, por volta de 1976 ou 1977, Pereira Barreto passou a integrar o sistema de Discagem Direta à Distância (DDD), que já era operado por meio de conexões por torres de micro-ondas. Com isso já era possível fazer uma ligação interurbana sem a necessidade de auxílio da telefonista. No entanto, como no início nem toda cidade estava integrada ao sistema, para essas cidades a ligação tinha de ser efetuada por meio de telefonista.

Esse sistema de Discagem Direta à Distância trouxe, não só a facilidade para efetuar a ligação, mas também melhor qualidade no serviço. O usuário não precisava mais gritar ao telefone. Muita gente, no início, se espantava, quando era atendida por alguém de uma localidade distante, com a qualidade da ligação. Muitos diziam, admirados: “Parece que estou falando com alguém aqui da cidade mesmo”.

O telefone celular

Em 1995, Pereira Barreto entra na era da telefonia celular. A Telesp Celular, antiga subsidiária da Telesp, que era responsável pela telefonia celular no Estado de São Paulo, implantou aqui, naquele ano, o serviço de telefonia móvel, ainda no sistema analógico. Com a privatização dos serviços de telefonia, em 1998, Pereira Barreto passou a ser atendido pela VIVO, um holding de várias empresas de telefonia celular de vários estados.
Como o sistema analógico de telefonia celular era precário e limitado, a população da cidade começou a reivindicar à VIVO a implantação do sistema digital. Mas a empresa relutou muito em fazer tal investimento em Pereira Barreto. Só com a chegada em Pereira Barreto, em 2003, da TESS (atual CLARO), que já começou disponibilizando seus serviços na cidade totalmente digitalizados, é que a VIVO, sentindo-se ameaçada, decidiu, às pressas, digitalizar os seus serviços na nossa cidade. Em meados de 2005, instalou-se também na cidade a empresa de telefonia móvel TIM, pertencente à Telecom Itália, também com seus serviços totalmente digitalizados. A previsão é de que, até o final de 2009, se instale aqui também a OI, antiga Telemar.

Nova era – privatização

Até 1998, ter um telefone fixo em casa ou na empresa não era nada fácil. Não havia disponibilidade de linhas. Quem tivesse pressa em adquirir uma linha telefônica tinha que comprar de terceiros, por um valor igual a de um veículo popular zero-quilômetro. Quem não quisesse pagar um preço tão alto, tinha de aguardar os chamados “planos de expansão” que as estatais de telefonia ofereciam de vez em quando. O interessado se cadastrava, pagava pela linha e, só depois de dois ou três anos, se tivesse sorte, tinha a sua linha instalada em casa.

Com a privatização dos serviços telefônicos no País, essa realidade começou a mudar a partir de 1998. Hoje, como linha telefônica não é mais bem, mas apenas um serviço oferecido pelas operadoras, ter telefone em casa é bem mais fácil e rápido. Na verdade, a privatização do sistema, não só de telefonia fixa, mas também do serviço móvel, acarretou a democratização da telefonia no Brasil. Hoje em dia, a maioria das pessoas pode ter uma linha telefônica, seja móvel ou fixa.

O que, vinte ou trinta anos atrás era um luxo, que só os mais abonados tinham, hoje é um serviço acessível à maioria da população. E Pereira Barreto não ficou fora disso.

Por mais críticas que um romântico “esquerdista” possa fazer às privatizações promovidas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, no final da década de 90, ninguém pode negar que a privatização dos serviços telefônicos promoveu o acesso de parcela significativa da população a esse serviço hoje essencial. O lado negativo é que a abertura do mercado de telecomunicações foi muito tímida e restrita. Isso fez com que se criasse um verdadeiro oligopólio na áres, no qual atuam, hoje, poucas empresas, que dominam o mercado e deixam os usuários sem muitas opções de escolha.

Telefone e Internet

A Internet, a famoso rede mundial de computadores, chegou ao Brasil em meados dos anos 90. Mas antes dela, já havia alguns serviços que podiam ser acessados por computador usando a linha telefônica. Eram os Bulletin Board System, os BBSs, que era uma espécie de Internet, mas bem precária ainda. Além dos BBSs, havia também um serviço chamado de teletexto, que era disponibilizado principalmente por empresas de telefonia, como era o caso do VIDEOTEXTO, da antiga TELESP, uma espécie de Internet bem rudimentar. Mas os pereira-barretenses tiveram pouco acesso a esses serviços. Quando a Internet começou a ser utilizada no Brasil, em 1995, alguns pereira-barretenses já acessavam esse novo serviço por linha telefônica, usando provedores de acesso de outras cidades (São Paulo, São José do Rio Preto, Araçatuba). O primeiro provedor de acesso à Internet em Pereira Barreto, só entrou no ar em julho de 1998. Era o Clubinter, que ainda disponibilizava acesso por linha telefônica, a 56 kabp. Posteriormente, o mesmo provedor começou a oferecer, também, acesso via rádio, tecnologia que dispensava o uso de linha telefônica. Com o crescimento da Internet, novas tecnologias de acesso foram chegando, como a conexão ADSL, da então Telefonica (hoje, VIVO), o “Speedy”.

Hoje, em pleno século XXI, coisas como o computador, a Itnernet, o smarrphone, o tablet, as redes sociais já fazem parte da rotina da grande maioria dos pereira-barretenses. As pessoas na cidade estão permanentemente em comunicação umas com as outras pelas redes sociais. A rede social mais usado é o Facebook, na qual os pereira-barretenses conectados já criaram vários grupos, entre os quais o PEREIRA BARRETO NEWS, PEREIRA BARRETO EM DEBATE, PEREIRA BARRETO HISTÓRIAS E MEMÓRIAS e muitos outros, sobre os mais variados assuntos.


Todo esse avanço tecnológico provocou uma mudança radical na vida das pessoas. Antigamente, cada região do Brasil e do mundo vivia em uma “época” diferente, o que influenciava bastante nos usos e costumes de cada povo, de cada comunidade, já que a comunicação e a troca de informação entre uma região e outra eram muito lentas. Os avanços tecnológicos, principalmente a grande revolução digital que estamos vivendo desde que foram produzidos os primeiros computadores e criadas as primeiras redes de comunicação, provocaram uma espécie de sincronização cultural no mundo. Hoje, pode-se dizer que, diferentemente do que ocorria no Brasil até os anos 30, por exemplo, o Brasil do interior e o Brasil dos grandes centros urbanos vivem praticamente na mesma “época”. O tráfego de informação hoje é tão rápido, que um jornal impresso do dia, que chega em nossa casa antes das oito horas da manhã, já está “velho” ao meio-dia. E isso faz com que uma cidade como Pereira Barreto, distante 625,9Km cidade de São Paulo, segundo o Google, esteja em comunicação permanente, e em tempo real, com a Capital do Estado. 

SE O CAPITALISMO NÃO EXISTISSE, COMO SERIA O MUNDO?

SE O CAPITALISMO NÃO EXISTISSE, COMO SERIA O MUNDO? Essa é uma excelente pergunta — e ela é mais profunda do que parece à primeira vi...