Era uma vez um país distante, que perdera uma guerra e fora obrigado a assinar um tratado humilhante para seu povo. Um grupo de pessoas, então, indignadas com aquilo, decidiu criar um novo partido político. Mas, para que as ideias do novo partido caíssem na graça do povo, precisavam de um líder, de alguém carismático que pudesse levar à população, de um jeito simples e direito, as ideias daquele movimento.
Algum tempo depois, estavam eles reunidos para discutir as ideias daquele novo movimento político, quando apareceu alguém, aparentando ser um militar de baixa patente, para assistir à reunião. Como aquele homem fazia anotações seguidas, logo perceberam que ele estava ali para espionar a reunião. Mesmo assim, não deram importância à sua presença e continuaram a reunião.
De repente, o homem parou de fazer anotações e ficou ouvindo atentamente o que os participantes da reunião diziam. Depois, ele mesmo pediu a palavra. Autorizado a falar, fez um longo, empolgado e eloquente discurso, que deixou a todos impressionados. Foi aí que um dos presentes disse em sua língua (alemão):
— Dieser Mann ist unser Führer (Este homem será nosso guia).
Aquele homem era, nada mais, nada menos, que Adolf Hitler. Nascia, naquele momento, em razão de um discurso eloquente, o movimento político-ideológico mais autoritário, cruel e desumano que a humanidade já conheceu: o nazismo.
A palavra é o mais eficiente instrumento de influência e manipulação que existe.
Não se iluda: o objetivo de um bom discurso, seja político, filosófico, jurídico, religioso, é influenciar e manipular pessoas, quanto mais, melhor. E, para isso, há um variado número de técnicas, muito embora, muitos oradores criem as suas próprias.
O primeiro passo é, logo de início, o orador deve chamar a atenção do público para si.
Para isso, há uma infinidade de coisas que podem ser feitas, tais como:
contar uma história (fictícia ou verdadeira), na qual o orador embasará seu discurso restante;
propor um desafio ou deixar uma pergunta no ar para a plateia;
nunca cumprimentar a plateia, ou fazer saudações, ou cumprimentos e tal, como num discurso formal, nada disso; o mais indicado é “chegar chegando”, contanto uma história, contando uma piada, propondo um desafio ou uma pergunta, etc.
não se intimide: fale com autoridade de quem sabe, mesmo que você não saiba, que esteja “chutando”, que esteja inventando;
fale devagar, com pausas, gesticule, demonstre emoção, mesmo que você não a sinta naquele momento;
interaja com a plateia, mas evite dialogar verbalmente com ela, para que não se abra espaço para comentários ou apartes de alguém na plateia mais esperto de você que que possa fazer algum comentário que ponha por terra suas estratégias de oratória, como, por exemplo, contradizer o que você afirmar, apontar um erro seu ou algo assim.
é importante montar um roteiro sobre o que você vai falar, mentalmente, é claro, nada de papel, pois o roteiro vai evitar que você se perca e fique perdido sem saber como encerrar o discurso.
Como dito, o discurso político, religioso e jurídico, mais especificamente, têm como objetivo influenciar e manipular, convencer. Não se iluda: todos são manipuláveis, independentemente de sua formação intelectual. A exceção, obviamente, são as pessoas mais céticas e questionadoras. Mas esses “iluminados” são geralmente raridade.
Tudo isso nos mostra que a palavra é, ainda, a arma preferida dos canalhas para formar seus exércitos de idiotas úteis.
Aí, as pessoas mais sensíveis, simples e religiosas podem perguntar: e a "palavra de Deus"?
A "palavra de Deus" dita pela Sua Própria Boca, obviamente, só nos engrandece espiritualmente, nos instrui e afina nosso espírito.
O problema está quando a "palavra de Deus" é dita por outras bocas que não a dEle...
Aí,
é preciso cuidado e um pá
atrás. Não há área, depois da política, na qual haja mais picaretas, oradores eloquentíssimo, mas, ao memo tempo, enganadores e charlatães, do que na da religião..
© Copyright 2020 Gilmar Grespan – Todos os direitos reservados

Nenhum comentário:
Postar um comentário